quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Há um aparente conflito de informação no texto em que aparecem as Bem-aventuranças nos evangelhos de Mateus e Lucas. 

Mateus diz que Jesus subiu uma montanha e fez um longo sermão, que inclui oito bem-aventuranças (ou nove, ou dez, se contar a ocorrência da expressão "bem-aventurados") e gasta três capítulos inteiros no relato (Mt 5-7); Lucas diz que Ele desceu e fez o sermão na planície, contando quatro bem-aventuranças, e gasta um capítulo (Lc 6,17-49).

Mas não há contradição. Vejamos:

O Sermão da montanha, como se vê em Mateus, é algo muito maior do que só o discurso das bem-aventuranças. Parece que Jesus tenha demorado pelo menos dois dias nessa montanha com seus discípulos (Lc 6,12). 

Assim inicia o sermão em Mateus: 
"Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele." Mateus 5,1
E assim é relatado o sermão mais curto em Lucas:
"E Jesus, descendo com eles, parou num lugar plano, onde havia não só grande número de seus discípulos, mas também grande multidão do povo, de toda a Judeia e Jerusalém, e do litoral de Tiro e de Sidom, que tinham vindo para ouvi-lo e serem curados das suas doenças". Lucas 6,17
Parece, então, que Jesus tenha dito todo o sermão a um círculo mais restrito de discípulos na montanha, e ao descer falou como toda a multidão de forma mais resumida. O sermão em Mateus é mais teológico, espiritual, o de Lucas é mais prático, pastoral.

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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

1. A Assunção de Nossa Senhora foi definida dogmaticamente em 1950, na CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA PIO XII MUNIFICENTISSIMUS DEUS. O documento é curto e suficiente para entender. Sugiro a leitura. Em resumo: Se Maria foi preservada do pecado original (dogma da imaculada conceição), não poderia estar sujeita à consequência do pecado, a degradação da morte.
2. O corpo físico de Maria foi elevado não só no sentido do movimento físico, mas tal como Jesus ressuscitado teve seu corpo "glorificado", na expressão de São Paulo, assim o foi o de Maria. Na ressurreição da carne a matéria é transformada, de modo que não fica mais restrita ao espaço: Jesus aparecia e desaparecia, atravessada paredes e portas, no entanto comia e se deixava ser tocado. Era um corpo material porém transfigurado. Assim também é o corpo de Maria.
Portanto, não há como dizer "onde" estão esses corpos, já que não mais se prendem às mesmas leis da matéria atual. Estão em algum lugar que um dia saberemos onde é.
Assunção ou Dormição de Nossa Senhora
3. Enoque e Elias não tiveram seus corpos ressuscitados ou assuntos, como o de Jesus e Maria. A tradição judaica diz que foram arrebatados porque ninguém sabe seu paradeiro. Inclusive de Elias há dois relatos: um diz que subiu em uma carruagem de fogo, outro diz que foi em um redemoinho. Isso prova que é apenas uma tradição oral, significando a importância especial daquele profeta. Não há motivo ou base teológica para sustentar que seus corpos estão no céu. Somente Jesus e Maria. E no fim dos tempos, todos nós.
4. A questão do "arrebatamento" não é doutrina católica. Alguns protestantes interpretam literalmente (mal) alguns trechos bíblicos e julgam que haverá um arrebatamento de algumas pessoas. Essa teoria só surgiu no século XIX.
Veja os seguintes trechos de São Paulo e como nós católicos interpretamos:

"Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram. Eis o que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.". I Tes 4,13-18

 "Assim como todos morreram em Adão, assim todos serão vivificados em Cristo". (I Cor. 15,22).
Para ir com Cristo, é preciso morrer primeiro.

Os que serão "arrebatados" morrerão neste arrebatamento, para que possam então renascer e ter a vida eterna. Assim sempre entendeu a Igreja, cuja doutrina se encontra bem expressa nas palavras de S. Ambrósio:
"Nesse arrebatamento sobrevirá a morte. À semelhança de um sono, a alma se desprenderá do corpo, (mas) para voltar ao corpo no mesmo instante. Ao serem arrebatados, morrerão. Chegando, porém, diante do Senhor, novamente receberão suas almas, em virtude da (própria) presença do Senhor; porquanto não pode haver mortos na companhia do Senhor". (Catecismo Romano, I XII 6)".
É semelhante ao que ocorreu com Nossa Senhora. Não se diz que ela não morreu: "a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial" (Munificentissimus Deus, 44). Os orientais chamavam essa morte de Maria de "dormição".
Portanto, somente Nossa Senhora foi "arrebatada". Todos nós outros ressuscitaremos no último dia. Quem estiver vivo nesse dia, passará por uma espécie de morte para ter seu corpo glorificado, ressuscitado.
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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Ainda é do desconhecimento de muitos católicos a doutrina da Igreja sobre a sexualidade humana.
Há quem ignore por completo a existência de exigências morais sobre a sexualidade e a fecundidade, além do "não adulterar".
Outros pensam num extremo oposto, que a doutrina moral da Igreja reconhece o sexo apenas para a procriação, algo que tornaria dificílimo o exercício da sexualidade de um casal.
Em resumo, o ato sexual tem uma dupla finalidade, unitiva e procriativa:
O prazer sexual é moralmente desordenado quando procurado por si mesmo, isolado das finalidades da procriação e da união. (Catecismo, 2351)
Nem toda relação sexual resulta em fecundação, pois a mulher tem um amplo período infértil em cada ciclo ovulatório. Por isso é lícito, bom e desejável que os esposos tenham relações nesses períodos, porque aumentam o afeto entre si e não estão rejeitando o aspecto procriativo, pois este está limitado por um fator natural.
A fecundidade é um dom, uma finalidade do matrimónio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio coração deste dom mútuo, do qual é fruto e complemento. Por isso, a Igreja, que «toma partido pela vida» (112), ensina que «todo o acto matrimonial deve, por si estar aberto à transmissão da vida» (113). «Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, funda-se sobre o nexo indissolúvel estabelecido por Deus e que o homem não pode quebrar por sua iniciativa, entre os dois significados inerentes ao acto conjugal: união e procriação». (Catecismo, 2366)
Para saber mais, leia: Planejamento familiar, controle de natalidade ou paternidade responsável?

Entre os atos moralmente contrários à dignidade da sexualidade humana e ao dom da fecundidade estão os atos que dissociam a procriação do ato sexual (inseminação e fecundação artificial), os métodos contraceptivos (químicos, de barreira, naturais) e a esterilização direta (laqueadura e vasectomia).
É sobre estes últimos que nos deteremos sobre a culpabilidade e a reparação; a sua inadmissibilidade é facilmente verificável, por exemplo:
A regulação dos nascimentos representa um dos aspectos da paternidade e da maternidade responsáveis. A legitimidade das intenções dos esposos não justifica o recurso a meios moralmente inadmissíveis (por exemplo, a esterilização directa ou a contracepção). (Catecismo, 2399)

 Culpabilidade e reparação de uma vasectomia ou laqueadura

Para formar um juízo justo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos, e para orientar a acção pastoral, deverá ter-se em conta a imaturidade afectiva, a força de hábitos contraídos, o estado de angústia e outros factores psíquicos ou sociais que podem atenuar, ou até reduzir ao mínimo, a culpabilidade moral. (Catecismo, 2352, grifos nossos)
Quando a pessoa ou o casal diz que "não sabia" que era pecado a esterilização, se está sendo sincera, fica claro que não tem culpa grave. Às vezes pode haver um outro pecado, que é o de não ter procurado aconselhamento e informação suficiente sobre decisões tão importantes.
Em todo caso, é recomendável que o fato seja confessado sacramentalmente (confissão com um sacerdote), para que se inicie a devida reparação.
Todo pecado exige reparação, nesta vida ou na próxima (purgatório). No caso específico da esterilização, há algumas coisas que poderiam ser feitas, de acordo com cada caso, e de preferência sob orientação de um confessor.

1. Se o casal está em idade fértil e ainda pode ter filhos:
- É desejável fazer a reversão do procedimento.
- Se não há condição financeira para isso, busque outra forma de penitência, talvez uma obra ou atividade em favor das famílias e das crianças.

2. Se o casal já não tem idade fértil ou tenha impedimento grave de saúde:
busque uma forma de reparação, talvez uma obra ou atividade em favor das famílias e das crianças.

- Em ambos os casos, busque o casal conhecer a doutrina da Igreja que ignoravam, conheça também conhecimento sobre sexualidade e fecundidade, e busquem a castidade (NÃO É abstinência sexual, mas boa vivência da sexualidade dentro do matrimônio). O casal infértil pode manter a vida sexual para garantir o significado unitivo do ato para o casamento e oferecer seus sacrifícios a Deus e ao próximo.

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segunda-feira, 22 de julho de 2019

1. O sofrimento não é causado pelo pecado pessoal, mas pelo pecado em geral, isto é, o pecado original, do qual carregamos a marca, não a culpa. Todos sofrem, independente de sua qualidade moral, por causa da solidariedade humana tanto no bem quanto no mal. Cristo, sem pecado, sofreu como ninguém para resgatar a humanidade do próprio pecado, que por si não pode se salvar. Somente Deus pode salvar, embora necessite da colaboração humana por causa da liberdade.



2. O sacramento tem em vista em primeiro lugar à cura espiritual e a salvação da alma. Os desígnios de Deus, insondáveis, podem tirar um bem maior de uma doença melhor do que se a pessoa fosse curada.
Ainda assim, a decadência do corpo humano é natural e inevitável. Só Deus sabe o que é melhor para cada pessoa, embora não possamos dizer que tudo acontece porque Ele quer, mas porque Ele permite ou porque a liberdade humana promoveu.

3. A unção dos enfermos perdoa os pecados do doente oferecendo a salvação (eterna) e, se for a vontade de Deus, também o alívio físico.

O sofrimento humano não é necessário, mas é inevitável. O que cada um pode fazer é unir seu sofrimento ao de Cristo, único capaz de dar a salvação.
Sobre isso, ler a carta Salvifici doloris, do papa João Paulo II, sobre o sofrimento humano.

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domingo, 21 de julho de 2019

Uma indulgência é a extinção da pena temporal dos pecados já perdoados.
A pena dos pecados são suas consequências. Mesmo um pecado já perdoado pode continuar gerando consequências más, que necessitam ser reparadas. A indulgência remove essa pena, de modo que não é preciso mais reparar.

As indulgências são aplicadas/distribuídas pela Igreja, que é a administradora do tesouro dos méritos de Cristo.

Enquanto um tribunal humano poderia indulgenciar um condenado absolvendo-o de cumprir pena, restando apenas acertar as contas com Deus, o tribunal da Igreja absolve das penas eternas pela confissão e das penas temporais pelas indulgências.As indulgências só podem ser obtidas em vida, através de boas obras, para si mesmas ou para os defuntos, que não podem mais fazer qualquer obra. Por isso os vivos podem obter indulgências para os mortos.

A pena é proporcional à gravidade dos pecados.

As indulgências não são um processo interior, são graças, é a misericórdia de Deus, os méritos do sacrifício de Cristo, que são infinitos. Somente Cristo, Deus e homem inocente, poderia pagar as ofensas feitas a Deus, que são infinitas, pois Deus é infinita bondade. Os poucos méritos pessoais que nós temos só tem valor pois foram assumidos por Cristo que se fez homem.

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sábado, 20 de julho de 2019

O arrependimento ou contrição é perfeito quando movido pelo amor a Deus, no caso, pela consciência de ter ofendido a Deus com o pecado, quando sinceramente não resta nenhum gosto por aquilo que se fez. É, por exemplo, o arrependimento do filho pródigo, que logo que percebe seu erro exclama: "Pequei contra o céu...". Ele não se arrependeu apenas para voltar a ter os benefícios do antigo lar, mas foi com amor, não se importando em ser recebido como escravo.

Quando a contrição é perfeita, essa espécie de dor na alma faz com que a pessoa deteste o pecado, e faça de tudo para evitar cometê-lo novamente.

Esse tipo de arrependimento, por si, já alcança o perdão de Deus.

Qualquer outro tipo de arrependimento, por exemplo, movido apenas por vergonha, por medo das consequências, é chamado de contrição imperfeita.

A contrição imperfeita é movida pelo temor do castigo eterno, pela vergonha pessoal, ou qualquer outro motivo.

Não se exige contrição perfeita para o perdão dos pecados na confissão.  

A contrição perfeita é derivada de um amor puríssimo a Deus, um arrependimento profundo que brota do amor a Deus sobre todas as coisas, do desejo de reparar a ofensa feita à sua Bondade. Dizem os santos que esta contrição é raríssima.


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sexta-feira, 19 de julho de 2019

O pecado é venial quando não foi cometido com inteira liberdade ou vontade, em matéria leve. Por exemplo, num acesso de raiva, ou bastante forçado por outras pessoas, de modo difícil de resistir.

O sacramento da Penitência perdoa todos os pecados, mortais e veniais. Mas os pecados veniais não extinguem a graça, de modo que outras obras penitenciais ou o arrependimento sincero bastam para apagá-los. O pecado mortal, diferentemente, só pode ser apagado na Confissão. Por isso, só é estritamente necessário confessar pecados mortais, embora se recomende confessar também os
veniais.

Os pecados veniais abrem caminho para os mortais. É necessário esforçar-se para eliminá-los constantemente, sob o risco de tornar-se cada vez mais insensível à graça. O acúmulo de pecados "leves" pode tornar-se um peso na vida espiritual.

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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Os dons preternaturais ampliavam ou prolongavam as perfeições da natureza. Tais eram:

a) a imortalidade ou o poder não morrer, pois em Gn 2,7; 3,3s.19; Sb 2,14; Rm 5,12, a morte é apresentada como consequência do pecado. Isto significa que, antes do pecado, o homem não morreria dolorosa e violentamente como hoje morre;

b) a integridade ou a imunidade de concupiscência desregrada, visto que os primeiros pais antes do pecado não se envergonhavam da sua nudez (cf. Gn 2,25; 3,7-11); os seus instintos e afetos estavam em consonância com a razão e a fé; não havia neles tendências contraditórias;

c) a impassibilidade ou a ausência de sofrimentos, pois estes decorrem da sentença condenatória de Gn 3,16; além do quê, são precursores naturais da morte violenta que, de algum modo, afeta todo homem;

d) a ciência moral infusa, que tornava os primeiros homens aptos a assumir suas responsabilidades diante de Deus.


O batismo não devolve estes dons, pois os efeitos do pecado permanecem. Só teremos novamente este dons após esta vida, e definitivamente na ressurreição final.

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quarta-feira, 17 de julho de 2019


Acompanhe os argumentos seguintes. É necessário esclarecer várias coisas diferentes para explicar a questão aparentemente simples.

1. O sacramento do matrimônio cristão significa, no casal, a união para toda vida, indissolúvel, por decisão de ambos e de Deus ("O que Deus uniu, o homem não separe"), realizando a união misteriosa entre Deus e seu povo, entre Cristo e a Igreja (Ef 5,32). Por isso, não existe divórcio para o cristão. Assim como a palavra de Deus é irrevogável, assim deve ser a nossa em matéria tão importante e santa como o casamento.
A separação às vezes é justa (como no caso de violência), mas o vínculo permanece até a morte: foi o que os dois prometeram e consentiram na celebração do casamento. É questão de coerência, de honra à palavra dada e de respeito ao menos a Deus que o casamento assumido não seja desfeito.

2. Ora, um novo casamento, existindo ainda o primeiro (e único) vínculo, é objetivamente um pecado, tecnicamente, de adultério. "Eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério." (Mt 19,9)

3. A comunhão com o Corpo e Sangue do Senhor na Eucaristia exige de todos o estado de graça, isto é, ausência de pecado mortal (pecado mortal é o pecado cometido com consciência e liberdade em matéria grave) que rompe com a graça divina. Ou seja, ninguém deve comungar com algum pecado não devidamente confessado (os pecados veniais podem ser perdoados com o sincero arrependimento no ato penitencial da Missa e nas boas obras).
4. Uma pessoa que tenha se separado e unido a outra em um "segundo" casamento está em pecado, como dito no item 2 acima, mas não pode confessar esse pecado enquanto não se emendar, ou seja, enquanto não desfizer essa união ilegítima. Estaria tentando profanar o sacramento da confissão ao querer o perdão de algo pelo qual não se arrepende e não quer (ou não pode) mudar de vida. Não pode comungar enquanto está em pecado e não pode se confessar porque não quer consertar o erro.
4.1 Pode acontecer que alguém diga que "não sabia" que não podia casar novamente após um divórcio. Não vamos julgar a ignorância das pessoas, mas não deixa de ser pecado por isso. Se se arrependeu depois, pode desfazer o segundo vínculo e voltar à comunhão com a Igreja através do sincero arrependimento e mudança de vida.
4.2 Acontece também que muitos "descobrem" seu erro quando descobrem que não podem mais participar dos sacramentos e isso passa a incomodar, mas não podem mais se separar por causa do filhos do novo casamento. Neste caso, se for sincero o arrependimento e desejo de mudança de vida, basta que passem a viver "como irmãos", isto é, sem contato sexual próprio do matrimônio. Isto será o compromisso deles com o confessor, que recomendará também o modo de participarem da Igreja, para não gerar nenhum escândalo.

5. Fica claro, portanto, que o fato de que os recasados não possam comungar não é um castigo imposto pela Igreja, mas uma proteção contra um novo e mais grave pecado. Ninguém que está em pecado mortal deve comungar, mas alguns pecados são visíveis a todos (pecados públicos). Nada além da consciência impede que os recasados entrem numa fila de comunhão onde não são conhecidos, mas “todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor (...) [pois] aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.” (1Co 11,27-29)

Eis as razões por que não estão em comunhão sacramental com a Igreja os recasados, mas podem e devem levar uma vida o mais possível santa, alimentando-se da Palavra e da comunhão espiritual com Deus na vida pessoal e comunitária.


O Sacramento do Matrimônio: sinal da união entre Cristo e a Igreja

quinta-feira, 11 de julho de 2019

“Um astro luminoso em um século obscuro”

São Bento nasceu em Núrsia por volta do ano 480 d.C., e foi definido por São Gregório como “um astro luminoso” em uma época dilacerada por uma grave crise de valores. De fato, os ensinamentos de São Bento foram uma das alavancas mais poderosas, após o declínio da civilização romana, para o nascimento da cultura europeia.
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A obra mais importante de São Bento, irmão de Santa Escolástica, foi a composição da Regra escrita por volta do ano 530 d.C. Trata-se de um Manual, um código de orações para a vida monacal. O santo exorta os monges a “ouvirem com o coração” e a “jamais perderem a esperança na misericórdia de Deus”. A sua intenção se tornou não só um farol do monacato, mas também uma fonte providencial de esperança para os pobres e peregrinos e, portanto, para reanimar o destino do Velho Continente.
“ O santo exorta os monges a “ouvirem com o coração” e a “jamais perderem a esperança na misericórdia de Deus”. ”
Bento trouxe a novidade, depois dos excessos do período romano e das violências dos bárbaros, ao não olhar “à condição social nem à riqueza”, mas ao “sentido da pessoa, constituída à imagem de Deus”, como afirmou Papa Francisco por ocasião da conferência (Re)Thinking Europe em outubro de 2017.

Na ocasião o Santo Padre recordou que os ensinamentos de São Bento foram fundamentais para a construção de mosteiros, tornando-se depois o “berço do renascimento humano, cultural, religioso e também econômico do continente”.

São Bento, pai da Europa

São Bento é o pai da Europa. Quando o Império Romano se afundou, consumido pela vetustez e pelos vícios, e os bárbaros investiram sobre as províncias, este homem a quem já chamaram o último dos grandes romanos (na expressão de Tertuliano), aliando a romanidade ao Evangelho, extraiu destas duas fontes o auxílio e a força que lhe permitiram unir fortemente os povos da Europa sob o estandarte e a autoridade de Cristo. (…) De fato, do mar Báltico ao Mediterrâneo, do oceano Atlântico às planícies da Polônia, legiões de monges beneditinos adoçaram as nações rebeldes e selvagens, por meio da cruz, dos livros e da charrua.

Oração e trabalho”: não é certo que esta divisa dos beneditinos contém, na sua majestosa brevidade, a lei principal da humanidade e a sua regra de vida? (…) Orar é um preceito divino; como o é trabalhar: não é certo que temos de cumprir um e outro, para glória de Deus e aperfeiçoamento do nosso espírito e do nosso corpo? (Pio XII)

quarta-feira, 12 de junho de 2019



Uma boa preparação para os sacramentos, todos eles, passa por três etapas diferentes, mas que na prática costumam ser negligenciadas. A maioria das pessoas procura saber sobre os sacramentos na última hora, restando apenas a etapa ou preparação imediata, ficando para trás a preparação próxima e a remota.

Os "cursos de noivos" são, geralmente, a preparação imediata, já às portas da celebração do matrimônio.

A meu ver, as mais importantes e mais negligenciadas são as preparações remota e próxima. Mais importante por um dado bastante concreto: a preparação imediata acontece já durante o noivado, isto é, o casal já se prometeu em matrimônio. Qualquer engano ou impedimento ao matrimônio dificilmente será retirado, ocultando-se graves problemas em vista da consecução do prometido. Casarão a qualquer custo, mesmo sob mentiras ou ocultações.

Mas este ainda não é o erro que quero mostrar. Já existem paróquias que fazem uma preparação próxima e imediata em vários encontros, não mais em um "cursinho" de um ou dois dias, geralmente encarado como exigência burocrática e de fato pouco proveitosa, quando não desastrosa por falta de preparação dos catequistas. O modelo de preparação em vários encontros consegue passar melhor tudo aquilo que é o mínimo desejado e pedido pelos setores da Igreja responsáveis pela catequese da família.

O erro que quero chamar a atenção é a ausência total ou falta de ênfase para um aspecto da vida espiritual da família a se constituir que é essencial: a iniciação cristã dos filhos, que começa no Batismo.

O casal sai da preparação do matrimônio com a cabeça na celebração, às vezes com alguma ideia da vida matrimonial pós-celebração, mas não têm pouca ou nenhuma noção da importância do batismo dos seus futuros filhos. E aqui começa uma bola de neve de uma vida de Igreja descuidada, pois sempre se lembra de preparar os sacramentos às pressas.

Quando nasce o primeiro filho, passam-se meses envolvidos no cuidado essencial do recém-nascido, e quando sobra um tempo, quando baixa a poeira ou quando alguém lembra, vão pensar no batizado. Nessa altura já tem um padrinho e uma madrinha escolhidos, não os melhores, mas os que mais agradam os interesses dos pais. Vão procurar saber dos "procedimentos" para o batismo e se deparam com "dificuldades": não tem a data exclusiva que eles querem, os padrinhos não podem ser padrinhos, não tem tempo para preparação, etc. Quem sabe eles pudessem ter se preparado durante a gravidez? Quando nascer a criança já pode ser batizada de imediato.

Parece que a solução pastoral não só em vista de uma melhor preparação para o matrimônio, mas também para a vida cristã no seu todo, é uma catequese mais preventiva ou por antecipação. Não é justo cobrar de jovens noivos uma plena consciência do que seja o matrimônio se isto não lhes foi oferecido antes que se enamorassem. Não é justo cobrar a participação das crianças na vida da Igreja se isto não lhes foi ensinado na família. Não é justo cobrar dos esposos a educação cristã de seus filhos se isto não compreenderam e prometeram quando se casaram.

Na prática, penso que o "curso de batismo" deve ser dado na preparação para o matrimônio; o "curso de noivos" deve ser dado aos jovens, desde a catequese para crisma; a catequese da crisma deve ser dada na preparação imediata da primeira Comunhão; a preparação para a Comunhão deve iniciar na preparação para o Batismo; o "curso de batismo" deve ser dado na preparação para o matrimônio...


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quinta-feira, 18 de abril de 2019

 O Sábado Santo, antes da solene Vigília Pascal, em que já se comemora a Ressurreição, é marcado pelo silêncio, pela ausência de celebrações, mas esconde um mistério pouco lembrado: após sua morte, o corpo de Cristo jaz no sepulcro, mas sua alma segue o curso natural de todos os homens de até então. Ele "desceu aos infernos".
O termo pode estranhar, mas aqui "infernos", do latim, significa apenas o "lugar inferior", segundo o Antigo Testamento, em que todas as almas repousavam. No hebraico, o termo é sheol. No grego, hades. Na tradução ao português do Credo apostólico rezamos: "Desceu à mansão dos mortos".

Este fato é bem noticiado no Novo Testamento:
1. "Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto
ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos
no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes." (1Pd 3,18-
19)
2. “A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos…” (1Pd 4,6).
3. "os mortos ouçam a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam" (Jo 5,25).
4. Cristo ressuscitado "detém a chave da morte e do Hades" (Ap 1,18)
5. "Jesus desceu às regiões inferiores da Terra. Aquele que desceu é precisamente o
mesmo que subiu" (Ef 4, 9-10).

O sheol era uma realidade até Cristo. Agora já não existe mais. Entendamos:


http://www.cursoscatolicos.com.br/A Criação é um ato de bondade de Deus. Criou-nos por amor e para participarmos do seu amor. Para isso nos fez à sua imagem e semelhança, isto é, seres espirituais, capazes de conhecer e amar livremente.
Por sermos livres, podemos escolher amar ou não amar. O pecado, assim, é consequência possível da criação bondosa de Deus que não obriga ninguém. O pecado é um NÃO A DEUS, voluntário, e por isso não se pode dizer que a consequência do pecado (o afastamento de Deus) é vontade de Deus, mas fruto da decisão humana.
Deus criou-nos para viver com Ele eternamente, mas o primeiro pecado quebra essa harmonia entre criatura e Criador, de modo que ninguém mais, desde o pecado original, pode "ver a Deus". O pecado gerou a morte.

A pena do pecado original é a carência da visão de Deus (ninguém mais podia ver a Deus); mas o pecado original não é uma culpa atual (eu não cometi o pecado original, apenas carrego suas consequências, como uma herança humana). Então, antes de Cristo, mesmo sendo bom, justo, não se podia ver a Deus, mas nem por isso os justos poderiam sofrem a pena do pecado atual, que é o tormento do inferno eterno.
Os justos do Antigo Testamento, então, sofriam a pena de dano, a ausência de Deus, no sentido de uma angústia por não poder vê-LO, mas não a de sentido (o "fogo" corpóreo, o castigo/consequência da rejeição de Deus e conversão às criaturas). Esse "lugar" ou estado de alma também foi chamado de limbo. A parábola do rico e do pobre Lázaro supõe esse lugar, onde o atormentado podia ver o consolado no "seio de Abraão", isto é, no lugar dos justos.

Desde o pecado original, a história humana torna-se uma História da salvação: Deus prepara uma saída misericordiosa para essa enrascada em que o homem se meteu. Ele prepara e anuncia um Redentor, que viria libertar o homem da escravidão (da consequência) do pecado. Escolhe um povo e o encaminha para receber a salvação.

Na "plenitude dos tempos", isto é, quando a humanidade estava melhor preparada, Deus envia o Redentor, o Salvador -- quem diria? -- o próprio Filho de Deus, desde então desconhecido pois estava na Eternidade.
O homem não era capaz, mas só o homem, por ser livre, poderia corrigir seu destino. Deus é capaz, mas não poderia interferir na liberdade humana. Solução divina!: DEUS TORNA-SE HOMEM para sanar toda a humanidade.

Jesus morreu realmente: desceu ao limbo, como todos. Mas alguém sem pecado não poderia sofrer a pena do dano. POR SER DEUS, venceu a morte e o diabo "que tem o poder da morte" (Heb 2,
14). "O morte, serei a tua morte, ó inferno, serei para ti como uma mordida." (Os 13,14).

ANUNCIOU O EVANGELHO – LIBERTOU OS SANTOS – ABRIU O CÉU 
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Esse mistério é lembrado liturgicamente somente na Liturgia das Horas. Eis Ofício de Leituras do Sábado Santo (grifos nossos):

De uma antiga homilia de Sábado Santo
(In sancto et magno Sábbato: PG 43, 439. 451. 462-463) (Sec. IV)

A descida do Senhor ao reino dos mortos

   Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu segundo a carne e acordou a região dos mortos. 
   Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte, Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu Filho. 
   Entrou o Salvador onde eles estavam, levando em suas mãos a arma vitoriosa da cruz. Quando Adão, nosso primeiro pai, O viu, batendo no peito, cheio de admiração, exclamou para todos os demais: «O meu Senhor esteja com todos». E Cristo respondeu a Adão: «E com o teu espírito». E tomando-o pela mão, levantou-o dizendo: «Desperta, tu que dormes; levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminará».
   Eu sou o teu Deus que por ti Me fiz teu filho, por ti e por estes que nasceram de ti; agora digo e com todo o meu poder ordeno àqueles que estão na prisão: ‘Saí’; e aos que jazem nas trevas: ‘Vinde para a luz’; e aos que dormem: ‘Despertai’. 
   «Eu te ordeno: Desperta, tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos. Levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, minha imagem e semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em Mim e Eu em ti, somos um só.
   «Por ti Eu, teu Deus, Me fiz teu filho; por ti Eu, o Senhor, tomei a tua condição de servo; por ti Eu, que habito no mais alto dos Céus, desci à terra e fui sepultado debaixo da terra; por ti, homem, Me fiz homem sem forças, abandonado entre os mortos; por ti, que saíste do jardim do paraíso, fui entregue aos judeus no jardim e no jardim fui crucificado.
   «Vê no meu rosto os escarros que por ti suportei, para te restituir o sopro da vida original. Vê no meu rosto as bofetadas que suportei para restaurar à minha semelhança a tua imagem corrompida.
   «Vê no meu dorso os açoites que suportei, para te livrar do peso dos teus pecados. Vê as minhas mãos fortemente cravadas à árvore da cruz, por ti, que outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.
   «Adormeci na cruz, e a lança penetrou no meu lado, por ti, que adormeceste no paraíso e formaste Eva do teu lado. O meu lado curou a dor do teu lado. O meu sono despertou-te do sono da morte. A minha lança susteve a lança que estava dirigida contra ti.
   «Levanta-te, vamos daqui. O inimigo expulsou-te da terra do paraíso; Eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas no trono celeste. Foste afastado da árvore, símbolo da vida; mas Eu, que sou a vida, estou agora junto de ti. Ordenei aos querubins que te guardassem como servo; agora ordeno aos querubins que te adorem como a Deus, embora não sejas Deus.
   «Está preparado o trono dos querubins, prontos os mensageiros, construído o tálamo, preparado o banquete, adornadas as moradas e os tabernáculos eternos, abertos os tesouros, preparado para ti desde toda a eternidade o reino dos Céus».

Amém!

quarta-feira, 3 de abril de 2019


catolicosregresen.org | Traduzido por Márcio Carvalho



Não importa há quanto tempo você esteja longe da Igreja Católica, você sempre pode voltar para casa. Você pode começar indo à missa novamente e se tornar um membro de uma comunidade paroquial que está pronta para recebê-lo de braços abertos. Deus convida você a decidir aprofundar sua fé como nunca fez antes.
Talvez você sinta um estranho impulso dentro de você que te faz reconsiderar a Igreja. Esse anseio espiritual que sente é Deus que está te chamando. Deus nunca te obriga, ele só te convida. Ele deixa a decisão de retornar à Igreja Católica em suas mãos.
Há muitas razões para retornar à Igreja Católica. Embora Cristo seja a principal razão entre muitos outras para retornar à Igreja, a experiência pessoal de retorno é única, dependendo do que cada coração ouve dentro de si.
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Aqui estão as dez razões que influenciaram a decisão de muitas pessoas de retornar à prática da religião católica:

• Número 10: porque queremos dar sentido à nossa vida.

No burburinho da vida agitada de hoje, de repente muitos de nós nos damos conta de que nossas vidas perderam seu significado ou propósito. Começamos a nos perguntar, qual é o significado da minha vida? Por que eu faço o que faço? Existe uma confusão generalizada em nossa cultura em relação à moralidade e verdade. A Igreja Católica se oferece como um farol de luz que dá sentido à nossa existência e nos conduz à vida eterna, se perseverarmos nela.

• Número 9: Porque as memórias de nossa infância retornam à memória.

Algumas pessoas dizem que as memórias da infância quando se tinha um relacionamento com Deus reaparecem mais tarde na vida. Começamos a nos perguntar: É possível recuperar a simplicidade da fé? Posso realmente acreditar que Deus está cuidando de mim? A secularização em nossa sociedade desconecta as pessoas de sua própria dimensão espiritual. A Igreja Católica oferece tanto experiências religiosas como místicas que alimentam o coração, a mente, corpo e alma, bem como uma variedade de ministérios leigos ativos que estão interligados e se relacionam com a sociedade de hoje fazendo desta uma sociedade mais santa para viver.

• Número 8: Porque todos cometemos erros.

Há alguns entre nós que se sentem oprimidos pelo peso do pecado que vai se acumulando dentro de nós. Queremos nos livrar da culpa de ter machucado os outros. Começamos a pensar, Deus me perdoará? Existe alguma maneira de começar de novo? Você pode dizer a Deus que se arrepende, mas é através do sacramento da reconciliação que você terá a certeza do perdão de Deus. Além disso, você não apenas se reconciliará com Deus, mas também com todos os outros membros da Igreja, o Corpo de Cristo (CIC 1440), e você receberá a graça necessária para empreender um começo totalmente novo.

• Número 7: Porque precisamos perdoar os outros.

Às vezes guardamos rancores e ressentimentos contra pessoas que nos magoaram profundamente. Talvez fosse um membro da família ou um amigo. Talvez tenha sido outra pessoa (uma freira ou um padre), ou talvez algo tenha acontecido na igreja. Deus me perdoará? Nossa cultura moderna aprova e encoraja a raiva e a vingança. Mas ódio e amargura são como cânceres espirituais que devoram nossos corações. A Igreja Católica oferece a oportunidade de buscar a ajuda de Deus para perdoar os outros, mesmo quando a outra pessoa não pede desculpas ou merece perdão. A capacidade de perdoar é um dom que amplia o coração de uma pessoa para receber o amor e a paz de Deus.

• Número 6: Porque queremos ser curados.

Há alguns entre nós levando feridas espirituais profundas. Sentimos raiva de Deus quando lutamos contra as coisas negativas que acontecem conosco – uma doença incurável, uma lesão que nos enfraquece, um relacionamento rompido, problemas mentais ou emocionais, um ato de violência contra uma pessoa inocente, um acidente inexplicável, desastres naturais, morte de um ente querido ou qualquer outra decepção. A Igreja Católica não pode mudar essas situações ou explicar por que elas aconteceram. Mas há pessoas na Igreja que podem ajudá-lo no processo de cura espiritual para que você possa continuar com sua vida.

• Número 5: Porque a Igreja Católica possui a totalidade da verdade e da graça.

Muitos de nós que nos afastamos da Igreja Católica participamos por algum tempo das bênçãos do culto de diferentes denominações cristãs. Mas alguns retornam quando percebem que o catolicismo possui a totalidade da verdade e da graça. A Igreja Católica não foi fundada por uma única pessoa em busca de reforma ou movimento histórico isolado. Não é fragmentado por interpretações individuais das Escrituras. Existem milhares de denominações cristãs, mas apenas uma Igreja Católica. Esta igreja foi sendo guiado pelo Espírito e protegida do erro em matéria de fé e moral de geração em geração por cerca de dois mil anos, tal como prometido por nosso Senhor Jesus Cristo (profetizado em Isaías 22, 15-25) Mateus 16,13-20; Mateus 18, 15-18 (neste verso a palavra é igreja, não comunidade); 1 Tim 3,15.

• Número 4: Porque queremos que nossas crianças tenham os fundamentos da fé.

Alguns de nós retornamos à Igreja Católica porque reconhecemos que criar filhos em uma cultura que promova "fazer o que quiser" produziria resultados desastrosos. As crianças precisam experimentar a dimensão espiritual em suas vidas. Eles precisam de um sistema de crenças estruturado e de uma sólida formação moral que vá além da lógica e do raciocínio humanos. Voltamos porque queremos que nossos filhos sejam capazes de construir suas vidas em uma base sólida.

• Número 3: Porque queremos fazer parte de nossa comunidade de fé.

Muitos de nós procuramos sentir que pertencemos a algo. No entanto, nossa comunidade é mais do que apenas pessoas amigáveis, sermões inspirados e atividades interessantes. Uma comunidade cristã católica é um grupo de pessoas que se reúne em torno da pessoa de Jesus Cristo para adorar a Deus e viver à luz do Espírito Santo. Os católicos se reúnem na missa, nos sacramentos e nas atividades paroquiais para orar, celebrar as alegrias, lamentar as perdas, servir aos outros, dar apoio e receber força para a vida diária. Uma paróquia católica oferece isso - e muito mais - para pessoas que reconhecem a importância de andar com os outros em direção à união com Deus.

• Número 2: Porque queremos ajudar outras pessoas.

Há muitas oportunidades no mundo secular para ser voluntário. O que falta é a dimensão espiritual que esse tipo de serviço oferece dentro da Igreja Católica. É mais do que uma atividade para "sentir-se bem". É parte do "grande mandamento" (Marcos 12,28) de amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. Ao chegar aos outros, os voluntários católicos se tornam instrumentos do amor de Deus. A Igreja Católica oferece oportunidades para impactar a vida das pessoas aqui e no resto do mundo.

• Número 1: Porque estamos com fome da Eucaristia.

[A Eucaristia é a razão mais importante pela qual as pessoas retornam à Igreja]
Muitas pessoas retornam à Igreja Católica porque sentem grande desejo pela Eucaristia. Às vezes acontece durante um casamento, um funeral, um batismo, uma primeira Comunhão ou uma Crisma. Às vezes acontece quando as pessoas estão sozinhas ou enfrentando dificuldades em suas vidas. As pessoas descrevem isso como um profundo desejo de apaziguar a fome pelo alimento espiritual que é receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus Cristo. A fome da Eucaristia origina o reconhecimento da presença de Cristo nos outros sacramentos, o que os aproxima ainda mais da prática de sua fé. É, sem dúvida, a principal razão pela qual as pessoas retornam à Igreja Católica.



A maioria das pessoas descobre que o retorno à Igreja não é um evento isolado, mas sim um processo que envolve um pouco de dor e riso, alguma reflexão, oração, discernimento e muito abandono. "Meu verdadeiro retorno à plena participação na paróquia aconteceu há três anos, depois de sentir saudade pela primeira vez", admitiu uma pessoa.

E o que recebemos em troca? A Igreja Católica nos oferece união com Jesus Cristo:
  • · Nas Sagradas Escrituras
  • · Na oração
  • · Na participação da comunidade com os outros
  • · Na Eucaristia
  • · E nos outros sacramentos.
Ela nos oferece suporte espiritual nos bons e maus momentos também. Dá-nos a sabedoria divina de milhares de anos de pessoas como você que viveram em todos e cada um dos séculos de história cristã: 33d.C., 100 d.C., 800 d.C., 1000 d.C., 1300 d.C., 1964 d.C., e 2005 d.C. Oferece-nos significado e propósito nesta vida e a promessa de vida eterna com Ele depois da morte para aqueles que perseveram até o fim.
Você sabe que está em casa quando começa a sentir uma profunda sensação de paz.


Uma nota pessoal: Para aqueles (famílias, maridos, esposas, etc.) que deixaram a Igreja Católica ou que não são cristãos católicos e que tenham descartado a possibilidade de sê-lo por causa dos recentes problemas na Igreja, eu gostaria de compartilhar o seguinte.

Temos problemas, mas usar a crise na Igreja como uma desculpa para não ser católico, ou para um cristão não católico não se tornar católico não é desculpa. Somos e sempre seremos uma Igreja de santos e pecadores. Através da Eucaristia, onde REALMENTE participamos da Natureza Divina, Nosso Senhor nos molda em direção à maturidade e, se necessário, leva os ressentimentos que fomos mantendo em nossos corações por muitos anos em nossa alma. Devemos cooperar com Ele, com nossas orações, e não fugir.
Vamos esperar e rezar para que nos próximos anos os líderes da Igreja, escolhidos por decreto divino, levem a sério a tarefa de examinar [e tomar medidas sérias do caso] a situação espiritual e o ambiente de muitos seminários católicos, para avaliar e examinar professores de seminários, diretores vocacionais e religiosos.
Embora os meios de comunicação tendam a pintar os problemas em nossa Igreja com um pincel largo e nunca em uma luz positiva, lembre-se que há muitos santos sacerdotes que realizam a sua vocação silenciosamente e são realmente santos testemunhas de Jesus. (Estes são os padres que nunca estarão no noticiário da noite.) Tanto como Jesus foi rejeitado pelo mundo, assim a Igreja que Ele fundou e os verdadeiros seguidores desta Igreja serão rejeitados.
Um exemplo: Nos últimos anos, foram feitos estudos sobre o abuso sexual dentro de igrejas. O estudo foi baseado na correspondência entre o incidente e a população da igreja.
Adivinhem que igreja teve o menor nível de incidência de abuso sexual? Adivinhou corretamente: a Igreja Católica.
Será que vamos ouvir isso em nossas notícias locais?




segunda-feira, 25 de março de 2019

Esta oração pode ser rezada logo após o Angelus mariano, como devoção privada.


Angelus Domini in honorem Sancti Iosephi

Angelus Domini apparuit in somnis Ioseph.
Ut Maria non dimitteretur ab eo.
Ave Ioseph, gratia dives,
Dominus tecum.
Benedictus tu inter viros,
et benedictus fructus ventris Mariae, Iesus.
Sancte Ioseph, pater nutricie Filii Dei, ora pro nobis peccatoribus,
nunc et in hora mortis nostrae. Amen.

Ioseph, fili David,
noli timere accipere Mariam coniugem tuam.
Quod enim in ea natum est de Spiritu Sancto est.
Ave Ioseph, ...

Pariet autem filium, et vocabis nomen eius Iesum.
Ipse enim salvum faciet populum suum a peccatis eorum.

Ave Ioseph, gratia dives,

Ora pro nobis, gloriose Patriarche sancte Ioseph.
Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

Oremus.
Sanctissimae Genetricis tuae Sponsi patrocinio suffulti, rogamus, Domine, clementiam tuam: ut corda nostra facias terrena cuncta despicere ac te verum Deum perfecta caritate diligere: Qui vivis et regnas in saecula saeculorum. Amen.
GLORIA PATRI (3x)

Angelus em honra de São José

O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José
Para que não repudiasse Maria.
Ave, José, rico de graça,
o Senhor é convosco
Bendito sois vós entre os homens e  bendito é o fruto do ventre de Maria, Jesus.
São José, pai nutrício do Filho de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora de nossa morte.
Amém.
José, filho de Davi,
não temas receber Maria como tua esposa,
porque Aquele que foi concebido nela é obra do Espírito Santo.

Ave, José...

Ela dará à luz a um filho e o chamarás Jesus
porque Ele salvará o povo de seus pecados.

Ave, José...

Rogai por nós, glorioso Patriarca São José.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos.
Sustentados pelo patrocínio do esposo de Vossa Santíssima Mãe, rogamos, Senhor, a Vossa clemência: fazei que nossos corações, desprezando tudo que é terreno, amem a Vós, Deus verdadeiro, com perfeita caridade. Vós que viveis e reinas pelos séculos dos séculos. Amém.
Glória ao Pai... (3x)
 
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sexta-feira, 8 de março de 2019

Amados irmãos e irmãs, temos quarenta dias para aprofundar esta extraordinária experiência ascética e espiritual. No Evangelho que foi proclamado, Jesus indica quais são os instrumentos úteis para realizar a autêntica renovação interior e comunitária: as obras de caridade (a esmola), a oração e a penitência (o jejum). São as três práticas fundamentais queridas também à tradição hebraica, porque contribuem para purificar o homem aos olhos de Deus (cf. Mt 6, 1-6.16-18).
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Reflexões para o Ano Litúrgico. Anos A, B e C - PAPA BENTO XVI
Estes gestos exteriores, que devem ser realizados para agradar a Deus e não para obter a aprovação e o consenso dos homens, são por Ele aceites se expressam a determinação do coração a servi-l'O, com simplicidade e generosidade. Recorda-nos isto também um dos Prefácios quaresmais onde, em relação ao jejum, lemos esta singular expressão: "ieiunio... mentem elevas: com o jejum elevas o espírito" (Prefácio IV).
O jejum, ao qual a Igreja nos convida neste tempo forte, certamente não nasce de motivações de ordem física ou estética, mas brota da exigência que o homem tem de uma purificação interior que o desintoxique da poluição do pecado e do mal; que o eduque para aquelas renúncias saudáveis que libertam o crente da escravidão do próprio eu; que o torne mais atento e disponível à escuta de Deus e ao serviço dos irmãos. Por esta razão o jejum e as outras práticas quaresmais são consideradas pela tradição cristã "armas" espirituais para combater o mal, as paixões negativas e os vícios. A este propósito, apraz-me ouvir de novo convosco um breve comentário de São João Crisóstomo. "Como no findar do Inverno escreve ele volta a estação do Verão e o navegante arrasta para o mar a nave, o soldado limpa as armas e treina o cavalo para a luta, o agricultor lima a foice, o viandante revigorado prepara-se para a longa viagem e o atleta depõe as vestes e prepara-se para as competições; assim também nós, no início deste jejum, quase no regresso de uma Primavera espiritual forjamos as armas como os soldados, limamos a foice como os agricultores, e como timoneiros reorganizamos a nave do nosso espírito para enfrentar as ondas das paixões. Como viandantes retomamos a viagem rumo ao céu e como atletas preparamo-nos para a luta com o despojamento de tudo".

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019


"Conhecer a verdade" é uma das frases mais ditas por protestantes, ao lado de "encontrar Jesus". Mas eles sabem, ao menos, O QUE É a verdade?

Quid est veritas? - perguntou Pôncio Pilatos a Jesus, mas não ouviu resposta; talvez não precisasse da definição de verdade, pois estava diante da Verdade. Era evidente (à vista).

Por definição, a verdade é a adequação da mente à coisa: a inteligência reconhece a verdade que está nas coisas.

Quando estou diante do computador, reconheço várias verdades mais evidentes: estou diante do computador (não estou sonhando), posso tocá-lo (é material), há informações na tela, etc. Outras verdades não são evidentes, pois dependem de raciocínio mais profundo: como são processadas essas informações, como foram parar ali, quem fez esse computador, etc. Mas essas verdades existem.
Fica claro que a verdade é sempre uma só.

A Filosofia é a ciência que estuda (ou deveria estudar) a verdade das coisas e o processo de se chegar a ela.

Há um princípio, na busca da verdade, que diz: "uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo, sob o mesmo aspecto". Assim, por exemplo, perguntamos:
- Todas as religiões são verdadeiras?
É evidente que não, pois ensinam coisas diferentes e até contraditórias. A verdade não é contraditória e é uma só.
- Há quantos deuses?
Esta resposta não é evidente, mas com um pouco de raciocínio chegamos a conclusão que só pode haver Um Deus.

Se há um só Deus, há uma só religião que Lhe represente corretamente, pois, como descobrimos, Deus mesmo se revelou. Todas as outras podem aproximar-se, ora mais, ora menos, da verdade completa.
Assim, de raciocínio em raciocínio, de conclusão em conclusão, das mais evidentes às mais complexas, vamos reconhecendo a verdade.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Atualmente, quando se fala em "educação sexual", logo se pensa em educação escolar ou programas de governo em matéria sexual, principalmente os programas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
Em recente coletiva de imprensa, no voo de retorno da JMJ Panamá, o Papa Francisco foi questionado se teria uma opinião sobre a educação sexual escolar:
Existe um problema que  é comum em toda a América Central, incluindo o Panamá e grande parte da América Latina: gravidez precoce. Só no Panamá foram dez mil no ano passado. Os detratores da Igreja Católica culpam-na por resistir à educação sexual nas escolas. Qual é a opinião do Papa?

"Creio que nas escolas é preciso dar educação sexual. Sexo é um dom de Deus não é um monstro. É o dom de Deus para amar e se alguém o usa para ganhar dinheiro ou explorar o outro, é um problema diferente. Precisamos oferecer uma educação sexual objetiva, como é, sem colonização ideológica. Porque se nas escolas se dá uma educação sexual embebida de colonizações ideológicas, destrói a pessoa. O sexo como dom de Deus deve ser educado, não rigidamente. Educado, de "educere", para fazer emergir o melhor da pessoa e acompanhá-la no caminho. O problema está nos responsáveis ​​pela educação, seja a nível nacional, seja local, como também em cada unidade escolar: quem são os professores para isso, que livros de textos usar... Eu vi de todos os tipos, há coisas que amadurecem e outras que causam danos. Digo isso sem entrar nos problemas políticos do Panamá: precisamos dar educação sexual para as crianças. O ideal é que comecem em casa, com os pais. Nem sempre é possível por causa de muitas situações familiares, ou porque não sabem como fazê-lo. A escola compensa isso e deve fazê-lo, caso contrário, resta um vazio que é preenchido por qualquer ideologia."
Isto foi destaque em diversos meios de correntes ideológicas e políticas favoráveis à prática, principalmente como "recado" ao novo governo brasileiro que vem sinalizando ser contra à ideologia de gênero, muitas vezes incluída nos programas de educação sexual. O Papa já havia pormenorizado o tema da educação sexual na Amoris Laetitia, sem se posicionar sobre a educação escolar.
Contudo, é preciso relembrar que entrevista de avião não é Magistério da Igreja e opinião pessoal do Papa não é matéria vinculante de fé ou costumes.

Para a Igreja, a sexualidade humana pode e deve ser educada, em sua totalidade: na dimensão procriadora, afetiva, cognitiva e religiosa. Portanto, a educação sexual jamais deveria reduzir-se a mera informação sobre a sexualidade ou à fisiologia genital.
Quem deve dar esta educação? A Igreja nunca se omitiu quanto a isso:

"Assaz difuso é o erro dos que, com pretensões perigosas e más palavras, promovem a pretendida educação sexual, julgando erradamente poderem precaver os jovens contra os perigos da sensualidade, com meios puramente naturais, tais como uma temerária iniciação e instrução preventiva, indistintamente para todos, e até publicamente, e pior ainda, expondo-os por algum tempo às ocasiões para os acostumar, como dizem, e quase fortalecer-lhes o espírito contra aqueles perigos.
Estes erram gravemente, não querendo reconhecer a natural fragilidade humana e a lei de que fala o Apóstolo: contrária à lei do espírito, e desprezando até a própria experiência dos factos, da qual consta que, nomeadamente nos jovens, as culpas contra os bons costumes são efeito, não tanto da ignorância intelectual, quanto e principalmente da fraqueza da vontade, exposta às ocasiões e não sustentada pelos meios da Graça.
Se consideradas todas as circunstâncias se torna necessária, em tempo oportuno, alguma instrução individual, acerca deste delicadíssimo assunto, deve, quem recebeu de Deus a missão educadora e a graça própria desse estado, tomar todas as precauções, conhecidíssimas da educação cristã tradicional, e suficientemente descritas pelo já citado Antoniano, quando diz: « Tal e tão grande é a nossa miséria e a inclinação para o mal, que muitas vezes até as coisas que se dizem para remédio dos pecados são ocasião e incitamento para o mesmo pecado. Por isso importa sumamente que um bom pai quando discorre com o filho em matéria tão lúbrica, esteja bem atento, e não desça a particularidades e aos vários modos pelos quais esta hidra infernal envenena uma tão grande parte do mundo; não seja o caso que, em vez de extinguir este fogo, o sopre ou acenda imprudentemente no coração simples e tenro da criança. Geralmente falando, enquanto perdura a infância, bastará usar daqueles remédios que juntamente com o próprio efeito, inoculam a virtude da castidade e fecham a entrada ao vício »" (PAPA PIO XI, DIVINI ILLIUS MAGISTRI)
O CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A FAMÍLIA dedicou um documento inteiro sobre o tema: SEXUALIDADE HUMANA:VERDADE E SIGNIFICADO - Orientações educativas em família.

O Papa João Paulo II dá uma abertura para a escola, mas fica claro que não é qualquer escola:
"A educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve actuar-se sempre sob a sua solícita guia, quer em casa quer nos centros educativos escolhidos e controlados por eles. Neste sentido a Igreja reafirma a lei da subsidiariedade, que a escola deve observar quando coopera na educação sexual, ao imbuir-se do mesmo espírito que anima os pais." (Familiaris consortio 37)
Na sua Carta às famílias lamentou esses conteúdos:
"O utilitarismo é uma civilização da produção e do desfrutamento, uma civilização das «coisas» e não das «pessoas» ; uma civilização onde as pessoas se usam como se usam as coisas. No contexto da civilização do desfrutamento, a mulher pode tornar-se para o homem um objecto, os filhos um obstáculo para os pais, a família uma instituição embaraçante para a liberdade dos membros que a compõem. Para convencer-se disto, basta examinar certos programas de educação sexual introduzidos nas escolas, não obstante o frequente parecer contrário e até os protestos de muitos pais".

Portanto, os pais de família não se esquivem de formar seus filhos e se formar nesses temas por vezes difíceis, mas que são de sua responsabilidade; bem como não deixem de vigiar e se impor sobre o que os outros querem ensinar aos seus filhos, na escola e nos meios de comunicação.

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Lexicon - termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas

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sábado, 12 de janeiro de 2019

  por Pe. Oscar G. Quevedo S.J. (*15/12/1930 - +09/01/2019)
    



O Papa Bento XIV, Próspero Lambertini, tinha plena consciência dos problemas que envolvem a verificação da natureza milagrosa das curas súbitas e, por isso estabeleceu critérios, hoje seguidos pela Igreja: 

  • A deficiência ou moléstia deve ser grave. Isto é, a condição deve ser tal que a cura pelo tratamento convencional se revele difícil ou impossível. Casos diagnosticados como fatais, especialmente, entram nessa categoria.
  • O paciente não deve ter melhorado ao tempo da cura, nem sofrer de uma condição cuja remissão se possa esperar. Não se sabe ao certo que papel o sistema imunológico do corpo desempenha na "cura" de uma condição que ocasionalmente regride.
  • O paciente não deve estar em tratamento ortodoxo na ocasião. Bento XIV sabia que os medicamentos às vezes provocam efeitos latentes ou a longo prazo no corpo humano. Chegou a sugerir que o investigador obtenha uma declaração jurada do médico e do farmacêutico sobre o tratamento administrado ao paciente e o momento em que ele foi suspenso, antes de avaliar a natureza miraculosa da cura. Também estipulou que, se o paciente está sob tratamento da cura, cumpre demonstrar positivamente que ele não funcionou.
  • A cura deve ser súbita e instantânea. O sistema imunológico do corpo precisa de tempo para combater uma infecção ou um ferimento. Um dos indícios de cura milagrosa é a instantaneidade, isto é, o processo se revela rápido demais para ser resultado de uma atividade biológica qualquer do tempo.
  • A cura deve ser perfeita e completa. Mesmo doentes em estado grave tem períodos de melhora e as vezes a moléstia sofre remissão temporária. A cura não pode ser considerada milagrosa se o paciente apenas melhora. A afecção tem de desaparecer totalmente para que a cura seja considerada sobrenatural.
  • A cura não deve ocorrer nas ocasiões em que uma crise provocada por causas naturais haja afetado o paciente ou o curso da doença. Já no século XVIII Bento XIV constatou o nexo que existe entre a mente e o corpo, notando que um choque súbito sofrido por um afeta o outro. Procurou persistentemente determinar o efeito do trauma sobre a doença humana. Também não ignorava que certas medicações podem produzir poderoso efeito na condição de um paciente, fazendo-o parecer pior quando na verdade lhe estão sendo benéficas.
  • A cura deve ser permanente. O paciente precisa ver-se livre de todos os sintomas de sua doença por anos seguidos de acompanhamento médico, antes que o milagre seja declarado, e no caso de revitalização, 10 anos. 
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

 Pe. Oscar G. Quevedo S.J. (*15/12/1930 - +09/01/2019)
O curandeiro se vale do poder da sugestão e da vontade, mas também de truques.

O curandeiro, precisamente por ser curandeiro e charlatão, a todos diagnostica, a todos receita e a todos diz que "cura". Os que vão embora sem ação "terapêutica", constituem exceção.
      Nos santuários Cristãos, porém, a ninguém se diagnostica, a ninguém se receita. E o que constitui exceção é a cura milagrosa. O Milagre não é regra, não é comum, é rara exceção. A finalidade do milagre não é substituir ou colaborar com a medicina. Trata-se unicamente de alentar a Fé e confirmar a doutrina revelada.
      Os que fazem a propaganda dos curandeiros dizem, sem verificação científica nenhuma, que ocorrem milhares e milhares de curas de cada curandeiro.
      Em contrapartida, após intermináveis verificações, a Igreja aprovou, em 100 anos de história de Lourdes, apenas 60 milagres. Sessenta curas entre milhões de pessoas que se dirigem a Lourdes primordialmente para rezar e honrar a Ssma. Virgem.
      Entre catolicismo e curandeirismo, há notáveis diferenças nos métodos empregados, por mais que o curandeiro queira, frequentemente, se disfarçar com aparências de ritos católicos.
      Não há dúvida de que uma grande parte do "êxito" dos curandeiros se deve a que eles influenciam seus "clientes" rodeando de mistério (sugestionando) as mais singelas práticas e os remédios mais inoperantes. Ritos emprestados do catolicismo tem sido associados frequentemente a processos "terapêuticos" postos em prática por adivinhos-curandeiros... Inclusive certas superstições difundidas entre os cristãos, como uma paródia dos sacramentais, tem sido também usadas pelos curandeiros ou por eles recomendadas, segundo os casos, com maiores ou menores modificações: unções (bênçãos) em forma de cruz, beber ou lavar-se com água benta, colocar sobre a parte doente do corpo uma relíquia ou qualquer outro substitutivo ou amuleto, orações mágicas ou "fortes" receitando-as aliás, durante um tríduo ou novena, etc.
      Desta imitação, por curandeirismos, dos sacramentais católicos, alguns pretendem identificar o milagre com a "cura" mágica. Mas, na realidade, essas caricaturas empregadas pelos curandeiros são muito diferentes do verdadeiro sentido dos sacramentos e sacramentais.
      Os sacramentos são infalíveis pela promessa divina, mas promessa unicamente da graça espiritual, nada tendo a ver com a saúde do corpo.
      Alguns autores citam o sacramento da extrema-unção (chamado também de Unção dos enfermos) como incurso em certo modo no curandeirismo, e citam o texto de São Tiago. Isto é um erro. O texto de São Tiago refere-se a algo bem diferente. O Texto visa principalmente o âmbito espiritual, sobrenatural, religioso, e só em um bem definido segundo plano, à saúde. "Está doente algum entre vós? Chame aos presbíteros da Igreja que orem sobre ele e o unjam com óleo no nome do Senhor. E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará e lhe serão perdoados os pecados que tiver cometido". É principalmente no terreno da salvação religiosa, do perdão dos pecados e do crescimento espiritual.
      Assim o tem entendido teórica e praticamente a Igreja, a intérprete autorizada, nos seus 20 séculos de história.
      Há quem, sectária e inconsideradamente, tenha acusado ao próprio Cristo de curandeirismo. Cristo respeitou todas as leis do seu tempo, mesmo o injusto tributo aos romanos. Não sabemos que houvesse então na Judéia, legislação contra o curandeirismo, mas em todo o caso a atitude de cristo é bem diferente da dos curandeiros.
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      Cristo não levou as massas à histeria emocional esperando a "cura". Ele não excitava a sugestionabilidade, não precisava da presença do doente, como demonstrou com a cura do filho de um oficial ou com a filha da Cananéia (Mc VII, 24-30) Curava mesmo quem não sabia quem Ele era, como no caso do cego de nascença (Jo IX, 35-38) ou do paralítico da piscina de Betesda (Jo V, 12-13). E os mortos que Cristo ressuscitou dificilmente poderiam ser sugestionados!
      Não houve nenhuma Campanha publicitária de "curas" e nenhum anúncio de tais demonstrações. Cristo até proibia que os agraciados publicassem sua cura, porque advertia o perigo de que os interesses egoístas do povo quisessem desviar sua Missão para o lado utilitarista da cura e outras vantagens meramente humanas.
      Assim, por exemplo, após ressuscitar a menina de doze anos, filha de Jairo, "ordenou-lhes severamente que ninguém o soubesse"; (Mc V, 43) após curar um surdo-mudo, "proibiu-lhes que o dissessem a alguém"; (Mc VII, 36) após curar dois cegos, recomendou-lhes Jesus em tom severo: Vede que ninguém o saiba", etc. (Mt IX, 30)
      Os Milagres que Cristo fazia eram exclusivamente para confirmar sua Doutrina, para que os homens, "por causa das obras", cressem Nela como revelada por Deus. Cristo não fez milagres para substituir ou completar a medicina, como é a pretensão de todos os curandeiros. É bem esclarecedora sua frase: "Não são os que estão bem que precisam do médico, mas sim os doentes".
      Há em Jerusalém, perto do pórtico das abelhas, um tanque, chamado em hebraico "Betesda" e que tem cinco pórticos. Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, de cegos, de coxos e de paralíticos, que esperavam o movimento da água. Pois, segundo se dizia, em tempos, um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento, e o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficaria curado de qualquer doença que tivesse. Estava ali um homem, enfermo havia 38 anos. Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus: "Queres ficar curado? O enfermo respondeu-lhe: "Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque quando a água é agitada. Enquanto vem, já alguém desceu antes de mim". Ordenou-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda". No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando".(Jo V, 2-9)
      Nenhuma semelhança com o curandeirismo. Como nos Santuários Cristãos, uma pessoa curada basta para confirmar a Doutrina Revelada e manter a Fé. Cristo não se dirigiu a todos: dentre aquele "grande número", curou a um único doente. E nada de diagnósticos, nem de explicações pormenorizadas da doença e nem excitações de emotividade histérica. Era manifesta a Fé sobrenatural daquele homem que há 38 anos esperava lá a intervenção divina e por isso cristo nem sequer lhe perguntou algo sobre sua fé em Deus; simplesmente deu-lhe a ordem de caminhar...
      Concluindo: Nos tempos antigos como nos tempos modernos, a "cura" dos curandeiros (sugestão) responde fundamentalmente aos mesmos truques e às mesmas técnicas: além de ser anticientífico, é desaconselhável e perigosíssima. A "cura" sugestionada dos curandeiros é responsável pela multiplicação de doenças psíquicas e o ambiente doentio da superstição.
      Pretender identificar tal curandeirismo com as curas (Milagres) para confirmar a Fé realizadas por Cristo, pela intercessão dos santos e nos Santuários Católicos é manifesta miopia e cegueira.
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