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quinta-feira, 5 de março de 2026

 Nos últimos meses, voltou ao debate público a proposta de substituir a escala de trabalho 6x1 pela 5x2. A discussão reaparece frequentemente em períodos de tensão social ou de disputa eleitoral, geralmente apresentada como solução direta para o suposto “esgotamento do trabalhador”.

imagem de carteira de trabalho
Embora a preocupação com a dignidade do trabalho seja legítima, o debate tem sido conduzido de forma superficial, ignorando questões estruturais da economia brasileira e o papel adequado do Estado na organização da vida econômica.

A Doutrina Social da Igreja (DSI) oferece critérios úteis para analisar o problema de forma mais ampla.



A falsa dicotomia do debate

A discussão atual costuma apresentar apenas duas alternativas:

  1. manter a escala 6x1, considerada exaustiva;

  2. impor por lei a escala 5x2.

Entretanto, essa oposição ignora um elemento central: o custo estrutural do trabalho no Brasil. A carga tributária e burocrática sobre a folha de pagamento é tão elevada que, para cada salário pago ao trabalhador, o empregador frequentemente desembolsa um valor semelhante em encargos.

Nesse contexto, alterar apenas a jornada sem enfrentar o “custo Brasil” pode produzir efeitos indesejados: redução de contratações, informalidade ou substituição de empregos por automação.

Exemplo: salário bruto 3.000Custo total do empregador (R$)Valor recebido pelo trabalhador (líquido aproximado)Valor destinado ao governoObservação
CLT (emprego formal)4.650~2.550~2.100Inclui INSS patronal, FGTS, contribuições e encargos indiretos; há também descontos no salário do trabalhador
MEI / PJ simplificado3.000~2.930~70Tributo mensal fixo do MEI (INSS + impostos simplificados)

O fenômeno da pejotização

Um indício claro das distorções do sistema é o crescimento da chamada pejotização e do regime de MEI.

Esses mecanismos surgiram, em grande medida, como formas de contornar os custos e rigidez da legislação trabalhista. Não se trata necessariamente de uma preferência ideológica por modelos empresariais individuais, mas de uma adaptação prática a um sistema que se tornou pesado e ineficiente.

Se a estrutura tradicional da CLT fosse plenamente funcional para empresas e trabalhadores, não haveria tamanha busca por alternativas contratuais.

Em muitos casos, a relação como pessoa jurídica permite remuneração líquida maior, maior flexibilidade de horários e possibilidade de múltiplos contratos. Naturalmente, esse modelo não é adequado para todas as atividades, mas seu crescimento revela uma transformação no próprio mundo do trabalho.

A folha de pagamento no Brasil é onerada principalmente por três mecanismos. O INSS, baseado no sistema de repartição, faz com que trabalhadores atuais financiem aposentadorias presentes, tornando o sistema dependente da demografia e frequentemente deficitário; como alternativa, discute-se a capitalização individual, na qual cada trabalhador acumula sua própria poupança previdenciária. O FGTS, embora funcione como poupança compulsória, apresenta a menor rentabilidade, não cobrindo sequer a inflação; uma alternativa seria permitir contas individuais com maior liberdade de investimento, preservando a proteção ao trabalhador com melhor retorno financeiro. Já o 13º salário, muitas vezes percebido como benefício adicional, corresponde basicamente à distribuição anual da remuneração; em modelos mais flexíveis, poderia ser substituído por pagamento direto por horas ou diárias, com a remuneração integral diluída ao longo do ano.

A transformação do trabalho no mundo contemporâneo

A própria Doutrina Social da Igreja reconhece que o mundo do trabalho está em transformação. O Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nos números 313–314, observa que as mudanças tecnológicas e econômicas estão criando novas formas de atividade profissional, superando modelos rígidos herdados da era industrial.

Isso significa que modelos uniformes de organização do trabalho tendem a se tornar insuficientes diante da diversidade de profissões e formas de produção contemporâneas.

Portanto, a discussão sobre jornadas não pode ignorar essa mudança estrutural.

O papel do Estado segundo a Doutrina Social da Igreja

Outro ponto frequentemente esquecido no debate é o papel adequado do Estado na economia.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nos números 351–355, afirma que o Estado possui responsabilidade de criar condições favoráveis à atividade econômica, mas não deve substituir a iniciativa da sociedade nem sufocar a liberdade econômica por meio de intervenção excessiva.

Essa orientação está intimamente ligada ao princípio da subsidiariedade, apresentado no número 187, segundo o qual instâncias superiores não devem absorver funções que podem ser desempenhadas adequadamente por níveis menores da sociedade.

Quando esse princípio é violado, surgem efeitos conhecidos:

  • burocratização,

  • centralização excessiva,

  • assistencialismo,

  • expansão injustificada do aparato estatal.

Além de limitar a liberdade econômica, esse processo tende a transferir responsabilidades da sociedade para o Estado, reduzindo a iniciativa e a criatividade social.

O equívoco do diagnóstico do “esgotamento”

Outro argumento recorrente no debate é o de que o trabalhador brasileiro estaria generalizadamente esgotado pelo regime de trabalho.

Embora existam situações reais de sobrecarga, que devem ser tratadas com seriedade, a realidade econômica mostra um fenômeno frequentemente oposto: muitos trabalhadores buscam atividades adicionais em seus dias livres para complementar renda.

Isso indica que o problema central nem sempre é a jornada em si, mas o nível de renda e produtividade da economia.

Sem crescimento econômico e aumento de produtividade, mudanças legais na jornada tendem a redistribuir dificuldades em vez de resolvê-las.

O caminho de uma reforma realista

Uma abordagem mais consistente para melhorar as condições de trabalho no Brasil deveria considerar fatores estruturais, como:

  • simplificação e desoneração da folha de pagamento,

  • maior flexibilidade contratual, respeitando diferentes setores econômicos,

  • incentivo à produtividade e inovação,

  • redução da burocracia estatal.

Essas medidas permitiriam aumentar salários reais, ampliar contratações e oferecer maior qualidade de vida aos trabalhadores — objetivos que dificilmente serão alcançados apenas com decretos sobre a jornada semanal.

Conclusão

A dignidade do trabalho é um princípio central da Doutrina Social da Igreja. Contudo, essa dignidade não se realiza por meio de soluções simplistas ou de crescente intervenção estatal.

O desafio contemporâneo consiste em equilibrar proteção ao trabalhador, liberdade econômica e responsabilidade social, respeitando o princípio da subsidiariedade e reconhecendo as transformações do mundo do trabalho.

Sem enfrentar os custos estruturais da economia brasileira e o peso da burocracia estatal, a discussão sobre a escala de trabalho corre o risco de se tornar apenas mais um capítulo de debates eleitorais — com pouca capacidade de melhorar, de fato, a vida dos trabalhadores.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Texto extraído de Os Santos Padres – ECCLESIA (Brasil)

 Chamamos de “Padres da Igreja” (Patrística) aqueles grandes homens da Igreja, aproximadamente do século II ao século VII, que foram no oriente e no ocidente como que “Pais” da Igreja, no sentido de que foram eles que firmaram os conceitos da nossa fé, enfrentaram muitas heresias e, de certa forma foram responsáveis pelo que chamamos hoje de Tradição da Igreja; sem dúvida, são a sua fonte mais rica. Certa vez disse o Cardeal Henri de Lubac:

“Todas as vezes que, no Ocidente tem florescido alguma renovação, tanto na ordem do pensamento como na ordem da vida – ambas estão sempre ligadas uma à outra – tal renovação tem surgido sob o signo dos Padres”.

Gostaria de apresentar aqui ao menos uma relação, ainda que incompleta, desses gigantes da fé e da Igreja, que souberam fixar para sempre o que Jesus nos deixou através dos Apóstolos. Em seguida, vamos estudar um pouco daquilo que eles disseram e escreveram, a fim de que possamos melhor conhecer a Tradição. Alguns foram Papas, nem todos; a maioria foi bispo, mas há diáconos, presbíteros e até leigos. Entre eles muitos foram titulados de Doutor da Igreja, sempre por algum Papa, por terem ensinado de maneira extraordinária os dogmas e verdades da nossa fé. Ao todo os Doutores da Igreja até hoje são 33; 30 homens e 3 mulheres, mas nem todos da época da Patrística.

Neste capítulo vamos apresentar um pouco daquilo que esses grandes Padres da Igreja escreveram; isto nos ajudará a compreender melhor o que é a Sagrada Tradição da Igreja. Veremos de onde vem a fonte de tudo aquilo que cremos e vivemos na Igreja Católica. É interessante notar que hoje muitos pastores protestantes estão se convertendo ao Catolicismo. A Revista americana “Sursum Corda!” Special Edition 1996 informa que nos últimos dez anos cerca de cincoenta pastores americanos se converteram, sendo que muitos outros estão a caminho da Igreja Católica. As três causas mais frequentes apontadas por eles são:

  • O subjetivismo doutrinário que reina entre as várias denominações protestantes, em consequência do princípio “a Bíblia como única fonte da fé”, e do seu “livre exame” por cada crente, o que dá margem a muitas interpretações diferentes para uma mesma questão de fé e de moral.
  • O re-estudo dos escritos dos Santos Padres, aqueles que contribuíram decididamente para a formulação correta da doutrina católica: a Santíssima Trindade, Jesus Cristo, a Igreja, os Sacramentos, a graça, etc…, e que vão desde os apóstolos até S. Gregório Magno (†604) no Ocidente, e até S. João Damasceno (†749) no Oriente.

  • A definição do Cânon da Bíblia, isto é dos seus livros, que não é deduzida da própria Bíblia, mas da Tradição oral da Igreja. É a Igreja que abona a Bíblia e não o contrário. A análise profunda desses pontos têm mostrado a muitos pastores os enganos do protestantismo (PR, n.419, abril de 97, pp.146 a 160).

Vamos apresentar a seguir uma síntese dos principais Padres da Igreja:

Fonte: http://www.psleo.com.br

O Consenso Unânime dos Pais da Igreja

A igreja vê os Pais da Igreja como os sucessores dos apóstolos, a fonte mais próxima do ensino apostólico e da tradição, e conseqüentemente com autoridade. Por que, então, devemos confiar na interpretação de um protestante X, ou de seu pastor, quando nós podemos aprender daqueles que aprenderam dos apóstolos?

Nós devemos entender bem o que a Igreja quer dizer quando ela é limitada pelo consentimento unânime dos pais (unanimem consensum Patrum). A igreja não pode, não pôde, e não se contradiz. Pode desenvolver doutrinas, mas não pode negar sua herança e a base de sua existência nas Escrituras, na Tradição e no Magistério. A igreja não alega que toda sua autoridade “repousa” no consentimento dos Pais. Repousa em diversas fontes, incluindo as Escrituras; os pais são um elemento desta fundação.

Em segundo lugar, a Igreja nunca entendeu ou ensinou que o consentimento unânime significa que os pais são individualmente infalíveis ou que os vários pais nunca ensinaram uma opinião alternativa. Qualquer passagem dada da Escritura pode ter diversas aplicações válidas e todas foram apropriadas pelos pais dependendo da matéria em estudo. Assim, um padre pode se referir a Jesus como a rocha, ou à confissão de Pedro como a rocha, ou ao próprio Pedro como a rocha . Isto em não é incomum ou inesperado. Certamente não nega a intenção literal de Mateus, nem invalida o consentimento unânime dos pais.

A Igreja Católica cresceu organicamente a partir dos apóstolos e dos pais. Dizer que ela não concorda com eles é absurdo. Mas agora, o que é o consentimento unânime dos pais? O Maryknoll Catholic Dictionary dá uma definição muito simples:

Quando os pais da igreja forem moralmente unânimes em seu ensino de que uma determinada doutrina é uma parte da revelação, ou é aceita pela igreja universal, ou que o seu oposto é uma heresia, então seu testemunho conjunto é um determinado critério de revelação divina. Não sendo os pais pessoalmente infalíveis, o testemunho contrário de um ou de dois não seria destrutivo ao valor do testemunho coletivo; basta uma simples unanimidade moral.

(Maryknoll Catholic Dictionary, pg. 154)

A palavra “unânime” vem de duas palavras latin: únus, um + animus, mente. “consentimento”, “ser da mesma mente ou opinião”. Onde os pais falarem universalmente com uma só mente, não necessariamente cada um, nem numericamente todos, mas pelo consenso e pelo acordo geral, nós temos “o consentimento unânime”.

A frase “consenso unânime dos pais” teve uma aplicação específica no Concílio de Trento (sessão 4) e reiterada no Concílio Vaticano I (Decretos Dogmáticos, cap. 2). Os padres conciliares a usaram especificamente para a interpretação das Escrituras. A confusão exegética e doutrinária era a ordem na época da reforma protestante. Matinho Lutero escreveu: “existem tantas seitas quanto cabeças; um não admite o batismo; outro rejeita o sacramento do altar; outro acrescenta um mundo entre o atual e o dia do julgamento; outros dizem que Jesus não é Deus. Não há um só indivíduo que não clame ser inspirado pelo Espírito Santo que não esteja ensinando as profecias derivadas de seus sonhos”.

O Concílio de Trento afirmou que o conhecimento apropriado das Escrituras era aquele praticado pelos pais da Igreja para trazer ordem ao caos. William Webster se opõe a esta definição (cf. The Church of Rome at the Bar of History [Carlisle, PA: Banner of Truth Trust, 1995]). Ele mal-interpreta os pais da Igreja a partir de um conceito errôneo do que seja “consenso unânime”. Primeiro, ele diz que para que haja consentimento unânime os pais da Igreja precisam ensinar as mesmas doutrinas, nos mesmos termos, de forma clara, como usadas nos Concílios da Igreja. Este é um conceito errado e mesmo na lei americana temos que consentimento unânime “não significa que todos os presentes votaram uma dada proposta, mas quer dizer, e geralmente diz, que quando um voto [verbal] é dado,não houve voto em negativo” (Black’s Law Dictionary). Segundo, ele aplica o termo não em direção às Escrituras, mas à Tradição da Igreja. Suas asserções não são verdadeiras, e utilizando uma definição e aplicação errada do consenso unânime dos pais, faz uso de passagens de textos patrísticos para dar razão às suas alegações.

Falando sobre as variações nas interpretações nos pais da Igreja, o Papa Leão XIII (Estudo sobre as Sagradas Escrituras, Providentissimus Deus, nov. 1893) escreve: “Pelo fato de a defesa das Escrituras dever ser conduzida com vigor, todas as opiniões de um certo padre ou de um intérprete recente lançaram para explicações não necessitam ser idênticas. Pois eles, interpretando passagens onde assuntos foram julgados de acordo com o conhecimento de suas épocas, e nem sempre de acordo com a verdade, podem ter produzido opiniões que não são atualmente aprovadas.Portanto, devemos estar atentos e cuidadosamente aprender a discernir o que neles realmente pertence à fé e o que apenas está conectado a ela, e o que estabeleceram como consentimento unânime, pois ‘nos assuntos que não estão sob a obrigação da fé, os santos são livres para expressar opiniões diversas, assim como nós’, de acordo com a opinião de Santo Tomás”.

Os Padres Apostólicos

A Patrologia inicia sua exposição normalmente com os escritos dos chamados “Padres Apostólicos”. A literatura pós-apostólica que se estende de 90 a 160 dC deu surgimento a quatro gêneros literários que são uma continuidade das formas do NT. Inicia-se com cartas autênticas que eram endereçadas a comunidades inteiras e tinham o objetivo de serem divulgadas a outras comunidades. A liturgia, a vida em comunidade produziram novas formas de ensino, homilias e as primeiras produções poéticas cristãs. Estas obras respiravam plenamente o espírito do cristianismo primitivo, na medida em que foram compostas por discípulos dos apóstolos ou por autores mais próximos do tempo apostólico, invocando a Tradição Apostólica direta. “Os autores procuram mostrar aos fiéis com palavras simples o sentido da salvação revelada em Cristo, e fortalecê-los na esperança da volta do Senhor. Exortam a obedecer os pastores das comunidades e advertem contra as heresias e cismas. Não lhes interessa muito uma justificação científica do cristianismo ou de determinadas doutrinas teológicas, como acontecerá no séc. II com os apologetas” (Altaner/Stuiber 1978,43).

Normalmente se incluiu entre os “Padres Apostólicos” sete autores ou escritos. Jean-Baptiste Cotelier em 1672 publicou uma coletânea dos Padres da Igreja “que floreceram nos tempos apostólicos”. Continha a Carta de Barnabé (normalmente considerada como apócrifo e não como escrito patrístico), as cartas de Clemente Romano, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna e o Pastor de Hermas. Depois foram acrescentados os fragmentos de Pápias de Hierápolis e a Carta a Diogneto (normalmente classificada entre os “Padres Apologistas”), a Didaqué ou Doutrina dos Doze Apóstolos e o fragmento de Quadrato (também normalmente encontrada entre os “Padres Apologistas”).

Merecem crédito os escritos patrísticos?

Desde que se começou no mundo todo o trabalho pela disseminação dos escritos dos Santos Padres, cresceu muito o público católico e protestante que procurou conhecer este tipo de obra. O resultado disto têm sido a volta de muitos católicos à Igreja Católica, muitos protestantes têm visto a Igreja Católica por uma nova ótica, e alguns deles têm até se convertido ao catolicismo, segundo constatamos nas mensagens eletrônicas e notícias que recebemos. Eu mesmo sou um ex-protestantes convertido ao catolicismo neste processo.

É claro que este fato tem preocupado as lideranças protestantes, que depois de ver que seu subjetivismo bíblico não têm mais podido segurar as pessoas mais bem informadas em suas fileiras, agora vêm colocar em dúvida a credibilidade dos escritos dos Santos Padres, alegando que são contraditórios e que não havia consenso entre os Santos Padres. Ora, é até engraçado um protestante alegar isso para desmerecer os escritos patrísticos, já que no protestantismo o que menos há é consenso.

Como é sabido, não se pode definir o todo pela parte. A maioria dos escritos patrísticos é claríssima, outros necessitam de um pano de fundo histórico para que sejam compreendidos melhor.

Os escritos dos Santos Padres da Igreja divide-se basicamente em dois tipos:

Escritos que relembram a Tradição recebida dos apóstolos e a defendem contra as heresias. Nesta primeira categoria encontram-se escritos eclesiológicos, sobre o batismo, sobre o ministério dos pastores, sobre o matrimônio etc.

Tratados teológicos. Quando os cristãos necessitavam em desenvolver um entendimento melhor da fé, muitos tratados teológicos foram propostos, até que se chegasse a uma solução definitiva. Nesta segunda categoria encontram-se escritos que ajudaram os sucessores dos apóstolos a traçarem os rumos teológicos do Cristianismo. Por exemplo, nem a Sagrada Escritura e nem a Sagrada Tradição, definem a natureza e a vontade de Cristo.
Aqui o leitor poderá encontrar algumas poucas contradições no pensamento patrístico. Ora, antes que a Igreja manifestasse o que deveria ser crido (seja través dos Concílios ou através dos decretos Papais), o debate teológico era legítimo. Assim, a respeito dos temas que não eram tratados nem pela Sagrada Escritura, e nem pela Sagrada Tradição e que até o momento não tivesse uma posição oficial da Igreja, era comum o surgimento de tratados teológicos – que pretendiam dar solução ao problema – que nem sempre eram concordantes. Mas, após a resolução da Igreja, aquele tema estava encerrado, e o artigo de fé que dele resultou permaneceu como ensinamento legítimo nos séculos posteriores.

Artigos de fé cridos tanto por católicos quanto por protestantes, que simplesmente não são tratados nem pela Sagrada Escritura e nem pela Sagrada Tradição, resultaram deste processo, como por exemplo, o artigo que fé que define que Cristo é uma só pessoa, mas com duas naturezas e vontades (humana e divina). Outro exemplo é dogma da Santíssima Trindade, e a relação entre as pessoas divinas.

Conhecer os escritos patrísticos é conhecer a fé recebida dos Apóstolos e como a pedagogia divina agiu na Igreja, possibilitando que os cristãos saíssem do leite materno e pudessem usufruir os manjares e banquetes espirituais.

Por: Steve Ray,
trad. de Rondinelly Ribeiro

O Estudo da doutrina dos Santos Padres da Igreja

O conceito de Patrologia foi utilizado pela primeira vez pelo teólogo protestante João Gerhard (1637) como título de sua obra póstuma publicada com o título Patrologia sive de primitivae Ecclesiae Christianae Doctorum vita ac lucubrationibus (Patrologia ou vida e obras dos Doutores da Igreja cristã primitiva), no sentido de estudos dos Padres do ponto de vista histórico e literário.

Patrologia trata necessariamente de um ramo da teologia, cujo núcleo essencial são dos Padres da Igreja e seus escritos no sentido eclesial, assim é a ciência que trata a literatura cristã antiga em todos os seus aspectos e com todos os métodos apropriados.

Desta forma, esta seção visa promover o estudo da doutrina dos Pais da Igreja ou Santos Padres da Igreja. Não devemos confundir esta seção com a seção Patrística. O termo técnico Patrística aplica-se à era dos Padres da Igreja, sua época e suas obras. Na seção Patrística continuaremos promovendo a publicação das obras dos Santos Padres; em Patrologia estaremos fazendo um estudo destas obras, a fim de identificar e meditar sobre a doutrina pregada e cria na Igreja Primitiva.

O título cristão de “Pai/Padre” aplica-se aos homens que foram considerados Pais espirituais dos Cristãos. Foram homens que ouviram a pregação dos Apóstolos, foram seus discípulos, por eles instituídos Bispos da Igreja e guardavam de cabeça a doutrina apostólica. Após a morte dos Santos Apóstolos, eram considerados a única referência segura quanto à Sã Doutrina, tornando-se os novos Pais espirituais dos cristãos, não só pela pregação mas também porque através do batismo inseriam as pessoas na Igreja.

A Igreja Antiga apartir do séc. IV restringiu o título de “Pai” somente aos Bispos. No séc. V foi estendido também aos presbíteros (ex: São Jerônimo) e aos diáconos (ex: São Efrém, o Sírio). Até hoje em algumas línguas ainda se conserva o título de “pai/padre” para designar o sacerdote.

O Título de “Pai da Igreja” apresenta toda a rica figura paterna: o Bispo como autêntico transmissor da sã doutrina, aquele que vela pela sucessão ininterrupta da fé desde os apóstolos bem como pela continuidade e unidade da fé na comunhão da Santa Igreja. A autoridade do Pai da Igreja não torna individualmente inerrante em todos os pormenores – devendo ser fiel à Sagrada Escritura e à Regra da Fé de toda a Igreja (Sagrada Tradição e Sagrado Magistério) – mas, em sintonia com elas, ele é testemunha autêntica da fé e da doutrina universal da Igreja.

A partir do séc. IV, os Bispos que se destacaram particularmente na transmissão, na exposição e defesa da sã doutrina (ex.: os Padres do Concílio de Nicéia, 325 DC) receberam o título de “Padres da Igreja” ou “Santos Padres”. A fé transmitida pelos Santos Padres gozava de imensa credibilidade e foi base para a teologia da Igreja.

Devido à importância que os Santos Padres tinham como testemunhas privilegiadas do Depositum Fidei (Depósito da Fé) da Santa Igreja, esta desenvolveu o conceito da “prova patrística”. A prova patrística foi utilizada pela primeira vez por São Basílio Magno, que acrescentou em sua obra “O Espírito Santo” (374/75 DC) uma lista de Padres da Igreja para apoiar sua opinião doutrinária sobre o Espírito Santo. Esta obra de São Basílio serviu de base para o Concílio de Constantinopla declarar o dogma da Divindade do Espírito Santo. Vemos que foi a fé dos Santos Padres que foi usada para o fundamento da fé que hoje temos na Divindade do Espírito Santo, pilar fundamental da doutrina da Santíssima Trindade.

Santo Agostinho, serve-se também da prova patrística a partir de 412, especialmente na controvérsia contra o pelagianismo.

São Cirilo de Alexandria também se utilizou dela durante o Concílio de Éfeso, lendo as obras dos Santos Padres, fazendo com que o Sínodo aceitasse oficialmente o título Theotókos (Mãe de Deus) para Santa Maria.

A uso constante da prova patrística como verificação da autenticidade da fé, fez com que São Vicente de Lérins criasse o clássico conceito de “magistri probabiles” em seu Communitorium (434), desenvolvendo a teoria da prova Patrística.

O estudo da fé dos Santos Padres é de fundamental importância para todo cristão que deseja estar posse de fé comum da Igreja Primitiva. Nosso Senhor Jesus Cristo orou ao Pai pela união dos Cristãos (cf. Jo 17, 6-24 ). Assim, todo cristão tem a obrigação de buscar a unidade da fé; e o primeiro passo para isto é conhecendo a antiga fé dos cristãos, deixada pelos Santos Apóstolos e assegurada pelos Pais da Igreja. Passo seguro para a unidade dos cristãos é estar de posse do que nos era comum, ter conhecimento e professar a fé da Igreja indivisa.

Comete grave erro todo aquele que se nega a professar a antiga fé, depósito precioso deixado pelos Santos Apóstolos e tão bem defendido pelos Santos Padres.

Pretendemos então, que esta seção venha enriquecer ainda mais a nossa fé, e que nos ajude no caminho da unidade tão deseja por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por Alessandro Ricardo Lima.

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