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Curso Bíblico para leigos

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

Os pecados da Igreja

Por Alice von Hildebrand
Afinal, como a Igreja pode ser santa se a história está manchado pelos muitos pecados dos católicos? Ora, essa dúvida só aparece quando não se sabe exatamente o que Cristo quis dizer com as palavras As portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16, 18). Este artigo é uma adaptação de The Church Ask for Forgiveness, publicado pela autora em 2000.
Conta-se que Napoleão, o vencedor de tantas batalhas, após ter mantido o Papa Pio VII prisioneiro em Fontainebleau por longo tempo, queria tomar a Igreja Católica sob a sua tutela para assim alcançar a hegemonia total na Europa. Com isso em mente, redigiu uma Concordata que entregou ao Secretário de Estado, o cardeal Consalvi. O imperador disse ao cardeal que voltaria no dia seguinte e que queria o documento assinado.
Depois de ler a Concordata, Consalvi informou Sua Santidade de que assinar o documento equivaleria a vender a Igreja ao Imperador da França e, por conseguinte, implorou-lhe que não o assinasse. Quando Napoleão voltou, o cardeal informou-o de que o documento não havia sido assinado. O imperador começou então a usar um dos seus conhecidos estratagemas: a intimidação. Teve uma explosão de raiva e gritou: “Se este documento não for assinado, eu destruirei a Igreja Católica Romana”. Ao que Consalvi calmamente replicou: “Majestade, se os papas, cardeais, bispos e padres não conseguiram destruir a Igreja em dezenove séculos, como Vossa Alteza espera consegui-lo durante os anos da sua vida?”
Tenho um motivo concreto para relatar esse episódio. Consalvi deixa claro que embora existam inumeráveis pecadores no seu seio, também em posições de governo, a Igreja conseguiu subsistir por ser a Esposa Imaculada de Cristo, santa e protegida pelo Espírito Santo. Como disse certa vez Hilaire Belloc, se a Igreja fosse uma instituição puramente humana, não teria sobrevivido aos muitos prelados idiotas e incompetentes que já a lideraram. Por que a Igreja sobrevive e continuará a sobreviver? A resposta é simples. Cristo nunca disse que daria líderes perfeitos à Igreja. Nunca disse que todos os membros da Igreja seriam santos. Judas era um dos Apóstolos, e todos aqueles que traem o Magistério da Esposa de Cristo tornam-se Judas. O que Nosso Senhor disse foi: As portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16, 18).
A palavra “Igreja” tem dois sentidos: um sobrenatural e outro sociológico. Para todos os não-católicos e, infelizmente, também para muitos católicos de hoje, a Igreja é uma instituição meramente humana, constituída por pecadores, uma instituição cuja história está carregada de crimes. É preocupante o fato de que o significado sobrenatural da palavra “Igreja” – a saber, a santa e imaculada Esposa de Cristo – seja totalmente desconhecido da esmagadora maioria das pessoas, e até de um alto percentual de católicos cuja formação religiosa foi negligenciada desde o Vaticano II. Por isso, quando o Papa ou algum membro da hierarquia pede perdão pelos pecados dos cristãos no passado, muitas pessoas acabam pensando que a Igreja – a instituição religiosa mais poderosa da terra – está finalmente a admitir as suas culpas e que a sua própria existência foi prejudicial à humanidade.
Na realidade, a Esposa de Cristo é a maior vítima dos pecados dos seus filhos; no entanto, é ela que implora a Deus que perdoe os pecados daqueles que pertencem ao seu corpo. É a Santa Igreja que implora a Deus que cure as feridas que esses filhos pecadores infligiram a outros, muitas vezes em nome da mesma Igreja que traíram.
Somente Deus pode perdoar os pecados; é por isso que a liturgia católica é rica em orações que invocam o perdão de Deus. As vítimas dos pecados podem (e devem) perdoar o mal que sofreram, mas não podem de forma alguma perdoar o mal moral em si, e, caso se recusem a perdoar, movidas pelo rancor e pelo ódio, Deus, que é infinitamente misericordioso, nunca nega o seu perdão àqueles que o procuram de coração contrito.
A Santa Igreja Católica não pode pecar; mas muitas vezes é a mãe dolorosa de filhos díscolos e desobedientes. Ela dá-lhes os meios de salvação, dá-lhes o pão puro da Verdade. Mas não pode forçá-los a viver os seus santos ensinamentos. Isto aplica-se tanto a papas e bispos como aos demais membros da Igreja. Cristo foi traído por um dos seus Apóstolos e negado por outro. O primeiro enforcou-se; o segundo arrependeu-se e chorou amargamente.
A distinção entre os sentidos sobrenatural e sociológico da Igreja deve ser continuamente enfatizada, pois fatalmente causa confusão quando não é explicitada com clareza.
Assim como os judeus que aderem ao ateísmo traem tragicamente o seu título de honra – serem parte do povo escolhido de Deus –, assim os católicos romanos que pisoteiam o ponto central da moralidade – amar a Deus e, por Ele, o próximo –, traem um princípio sagrado da sua fé.
Por outro lado, em nome da justiça e da verdade, é imperioso mencionar que os católicos verdadeiros (aqueles que vivem a fé e enxergam a Santa Igreja com os olhos da fé) sempre ergueram a voz contra os pecados cometidos pelos membros da Igreja. São Bernardo de Claraval condenou em termos duríssimos as perseguições que os judeus sofreram na Alemanha do século XII (cf. Ratisbonne, Vida de São Bernardo). Os missionários católicos no México e no Peru protestavam constantemente contra a brutalidade dos conquistadores, geralmente movidos pela ganância. A Igreja deve ser julgada com base naqueles que vivem os seus ensinamentos, não naqueles que os traem. Recordo-me das palavras com que um amigo meu, judeu muito ortodoxo, lamentava o fato de muitos judeus se tornarem ateus: “Se somente um judeu permanecer fiel, esse judeu é Israel”. O mesmo pode ser dito com relação à Igreja Católica; apenas as pessoas fiéis ao ensinamento de Cristo podem falar em seu nome. Ela deve ser julgada de acordo com a santidade que alguns dos seus membros alcançam, não de acordo com os pecados e crimes de inúmeros cristãos que julgam os seus ensinamentos difíceis de praticar e que por isso traem a Deus na sua vida cotidiana.
Os pecadores, aliás, estão igualmente distribuídos pelo mundo e não são uma triste prerrogativa da religião católica. Se fosse assim, estaria justificada a afirmação de um dos meus alunos judeus em Hunter, feita diante de uma sala lotada: “Teria sido melhor para o mundo que o cristianismo nunca tivesse existido”. A história julgará se o conflito atual entre judeus e muçulmanos é moralmente justificável.
Este modesto comentário foi motivado pelo que disse um rabino à televisão, um dia após o pronunciamento histórico de João Paulo II na Basílica de São Pedro, a 12 de março de 2000, quando o Santo Padre pediu perdão pelos pecados dos cristãos no passado 1. O rabino não apenas achou o pedido de desculpas de Sua Santidade “incompleto” por não mencionar explicitamente o Holocausto (esquecendo-se de mencionar que os católicos eram e são minoria na Alemanha, país basicamente protestante), como também disse que os pecados cometidos pela Igreja foram freqüentemente endossados pelos seus líderes, dando a entender que o anti-semitismo faria parte da própria natureza da Igreja.
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(1) É digno de nota que somente o Papa tenha pedido desculpas pelos pecados cometidos pelos membros da Igreja. Não deveriam fazer o mesmo os hindus, por terem praticamente erradicado o budismo da Índia e forçado os seus membros a fugir para o Tibet, a China e o Japão? Não deveriam os anglicanos pedir desculpas por terem assassinado São Thomas More, São John Fisher e São Edmund Campion, para mencionar apenas três nomes? E quanto ao extermínio de um milhão de armênios pelos turcos em 1914? Ninguém fala a respeito desse “holocausto”; ninguém parece saber dele. E o extermínio de cristãos que acontece agora no Sudão?
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Tal afirmação deixa claro que o rabino não fazia a menor idéia daquilo que os católicos entendem por Esposa Imaculada de Cristo – uma realidade que não pode ser percebida ou compreendida por aqueles que usam os óculos do secularismo. Pergunto-me quando o “mundo” considerará que a Igreja já pediu desculpas suficientes. Por séculos a Igreja tem sido o bode expiatório ideal. O que os seus acusadores fariam se ela deixasse de existir?
Aqueles que a acusam de “silêncio” não estão apenas mal informados, mas pressupõem que eles próprios seriam heróicos se estivessem na mesma situação. Como o Papa Pio XII disse a meu marido numa entrevista privada, quando ainda era Secretário de Estado: “Não se obriga ninguém a ser mártir”. Quantas pessoas se julgam heróicas sem nunca terem sido realmente testadas! Quantos judeus arriscariam a vida para salvar católicos perseguidos? Por que esquecem que milhões de católicos também pereceram nos campos de concentração? Se a Gestapo tivesse apanhado o meu marido, considerado o inimigo número um de Hitler em Viena, tê-lo-ia feito em pedaços. Ele lutava contra o nazismo em nome da Igreja e perdeu tudo porque odiava a iniqüidade. Quantas pessoas fariam o mesmo – não na sua imaginação, mas na realidade?
Também não devemos esquecer que inúmeros católicos foram (e são) perseguidos por causa da sua fé. Mas um verdadeiro católico não espera desculpas dos seus perseguidores. Perdoa os seus perseguidores, quer eles lhe peçam desculpas, quer não. Reza por eles, ama-os em nome dAquele que padeceu e morreu pelos pecados de todos. É sempre lamentável ouvir um católico dizer: “Fulano e beltrano devem-me desculpas”.
Somente a pessoa que enxerga a Santa Igreja Católica (chamada santa cada vez que o Credo é recitado) com os olhos da fé, só essa pessoa compreende com imensa gratidão que a Igreja é a Santa Esposa de Cristo, sem ruga nem mácula, por causa da santidade do seu ensinamento, porque aponta o caminho para a Vida Eterna e porque dispensa os meios da graça, ou seja, os sacramentos.
O pecado é uma realidade medonha e que os pecados cometidos por aqueles que se dizem servos de Deus são especialmente repulsivos. Nunca serão excessivamente lamentados, mas devemos ter presente que, apesar de muitos membros da Igreja serem – infelizmente – cidadãos da Cidade dos Homens e não da Cidade de Deus, a Igreja permanece santa.
Tradução: Quadrante

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos. (Indulgentiarum doctrina)
É possível lucrar uma indulgência para si próprio ou para uma alma do purgatório. (No dia de Finados, 2 de novembro, as indulgências são aplicadas somente ao fiéis do purgatório)

Para oferecer a indulgência para um defunto basta ter essa intenção e cumprir as exigências. Pode-se fazer uma oração espontânea, mental, para esse oferecimento.

A Igreja oferece alguns dias especiais para indulgência plenária, mas podemos lucrar indulgência plenária todos os dias do ano (uma por dia). Para isso deve-se cumprir os três requisitos básicos:

  1. Confissão sacramental* com verdadeira rejeição do pecado, mesmo os veniais;
  2. Comunhão 
  3. Oração pelo papa**

E uma destas obras indulgenciadas:

  • meia hora de adoração ao Santíssimo Sacramento, 
  • meia hora de leitura orante da bíblia
  • a via-sacra na Igreja
  • ou rezar um terço em família ou na comunidade diante de um oratório de Nossa Senhora.

(cf. Manual de Indulgências)

* Com uma só confissão sacramental podem adquirir-se várias indulgências plenárias, mas para cada indulgência plenária é necessária uma Comunhão e as orações nas intenções do Sumo Pontífice.
**A condição da oração nas intenções do Sumo Pontífice pode ser plenamente cumprida recitando em suas intenções um Pai-nosso e Ave-Maria; mas é facultado a todos os fiéis recitarem qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Pontífice Romano.

Minicurso gratuito Leitura orante da Bíblia

quinta-feira, 14 de maio de 2020

O conhecido episódio de Jo 21,15-18 que narra a tríplice pergunta de Jesus a Simão Pedro esconde, no original grego, algumas particularidades de difícil tradução.

Todos se lembram do diálogo assim resumido: 
– Pedro, tu me amas?
– Amo.
– Apascenta minhas ovelhas.
(Três vezes.)

Mas não é assim. 
Vejamos o texto na tradução da CNBB, que neste trecho é bastante próximo do original que veremos adiante.


15O PASTOREIO DE PEDRO
Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Cuida dos meus cordeiros”.
16E disse-lhe, pela segunda vez: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta minhas ovelhas”.
17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque lhe perguntou pela terceira vez se o amava. E respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. Jesus disse-lhe: “Cuida das minhas ovelhas.

Perceba que a pergunta de Jesus repete, nas três vezes, o verbo amar. Pedro também responde igualmente com o mesmo verbo.
Já na réplica de Jesus aparecem diferenças: cuida, apascenta, cuida / cordeiros, ovelhas, ovelhas.

Algumas traduções nem isso trazem.
Vejamos, na imagem, o original grego com as diferentes palavras utilizadas e uma tentativa de tradução:
Texto grego de Jo 21,15-18 com tradução dos termos

A questão é: Por que palavras diferentes nas três repetições? O que Jesus ou o evangelista quiseram dizer?

Na parte da pergunta de Jesus e da resposta de Pedro o sentido é bastante claro: Jesus pergunta se Simão Pedro O ama com amor agape, a forma mais desinteressada de amor. Pedro responde que ama com amor philia, amizade. Na terceira vez, Jesus muda a pergunta, fazendo soar algo como: "Simão, tens realmente amizade para comigo?". Então, Pedro se entristece, não porque Jesus perguntou três vezes (como parece, à primeira vista), mas porque se deu conta de que ainda não amava o Senhor suficientemente.  

Quanto à ordem ou missão que Jesus dá a Pedro, na réplica, o sentido de se usar palavras diferentes não é muito claro, tanto que muitos biblistas afirmam que é mais uma questão de estilo do que teológica. Vale lembrar também que todo esse capítulo 21 de São João é tratado como epílogo, obra de um editor posterior (mas muito antigo, pois consta em todos os manuscritos).

Contudo nos parece possível fazer a seguinte reflexão.
Na primeira pergunta Jesus dá uma missão muito próxima, íntima, específica: alimentar cordeiros. Seria cuidar dos mais próximos.
Na segunda, já que Pedro não afirma ter uma grande amor, Jesus generaliza a missão: cuidar (menos específico que alimentar) de um rebanho (maior).
Na terceira, com Pedro consciente da sua limitação, agora plenamente reabilitado da sua tríplice negação (na prisão de Jesus), Jesus manda cuidar de um modo especial (alimentar) de todo o rebanho, não só os mais próximos.

Este episódio parece reforçar a missão especial de São Pedro de ser pastor universal, num nível diferente dos demais apóstolos. O amor a Jesus será medido pelo amor ao seu rebanho.

Apascentar as ovelhas é confirmar os crentes em Cristo para que não se apartem da fé, socorrer suas necessidades, resistir aos contrários e corrigir aos súditos desgarrados. (comentário de Alcuíno na Catena Aurea de S. Tomás de Aquino)

quarta-feira, 18 de março de 2020




Recomendações (normas) do Diretório para celebrações dominicais na ausência do presbítero, (DCDAP) da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Os grifos e o que está entre colchetes são nossos; entre chaves são orientações do Diretório de Évora, Portugal, um dos melhores que encontramos.


 Curso liturgia[A celebração da Palavra é para casos extraordinários]

18. Quando em alguns lugares não for possível celebrar a Missa no domingo, veja-se primeiro se os fiéis não podem deslocar-se à igreja dum lugar mais próximo e participar aí na celebração do mistério eucarístico.
21. É necessário que os fiéis percebam com clareza que tais celebrações têm caráter supletivo, e não venham a considerá-las como a melhor solução das novas dificuldades ou concessão feita à comodidade.

[A celebração da Palavra não se iguala à Missa]

22. Evite-se com cuidado qualquer confusão entre as reuniões deste gênero e a celebração eucarística. Tais reuniões não devem diminuir mas aumentar nos fiéis o desejo de participar na celebração eucarística [Missa] e devem torná-los mais diligentes em frequentá-la.

23. Compreendam os fiéis que não é possível a celebração do sacrifício eucarístico sem o sacerdote e que a comunhão eucarística, que eles podem receber em tais reuniões, está intimamente unida ao sacrifício da Missa. Partindo daqui pode mostrar-se aos fiéis quão necessário é orar "para que se multipliquem os dispensadores dos mistérios de Deus, e sejam perseverantes no seu amor".

[A direção ("presidência") dessas celebrações cabe, em ordem de preferência:
  1. Diácono;
  2. Acólitos e Leitores instituídos (pelo bispo; geralmente seminaristas pouco antes da ordenação);
  3. Outros leigos devidamente preparados e delegados pelo bispo ou pároco.
cf. 29-30 do DCDAP]

31. Os leigos designados devem considerar o múnus que lhes foi confiado não tanto como uma honra, mas principalmente como um encargo, e em primeiro lugar como um serviço em favor dos irmãos, sob a autoridade do pároco.

Como fazer

41. A Conferência Episcopal, ou o próprio bispo, tendo em conta as circunstâncias de lugar e de pessoas, pode determinar melhor a própria celebração, com subsídios preparados pela comissão nacional ou diocesana de Liturgia. Todavia este esquema de celebração [do DCDAP] não se deve modificar sem necessidade. [Por isso, verifique em sua diocese se há um Diretório próprio ou subsídio que deve ser seguido. As orientações a seguir, do DCDAP, servem para todos. A CNBB fez em 1994 um subsídio com orientações - não são determinações ou normas - que dão uma liberdade de adaptação absurda: motivo este que não vamos segui-lo. Queremos orientar, não desorientar!]

39. O leigo que orienta a reunião comporta-se como um entre iguais, como sucede na Liturgia das Horas, quando o ministro é leigo ("O Senhor nos abençoe... ", "Bendigamos ao Senhor... "). Não deve usar as palavras que pertencem ao presbítero ou ao diácono, e deve omitir aqueles ritos, que de modo mais direto lembram a Missa, por exemplo: as saudações [TODOS OS DIÁLOGOS], sobretudo "O Senhor esteja convosco" [NÃO É SÓ TROCAR POR "CONOSCO", É PARA OMITIR] e a forma de despedida ["IDE EM PAZ": faça como na Liturgia das horas: "Bendigamos ao Senhor" ou outra fórmula de louvor ou súplica; pode dizer “O Senhor nos abençoe” e fará o sinal da cruz sobre si próprio e não sobre a assembleia], que fariam parecer o moderador leigo como um ministro sagrado.

40. Deve usar uma veste que não desdiga do ofício que desempenha [ROUPA COMUM, MAS DIGNA], ou vestir aquela que o bispo eventualmente tenha estabelecido.
Não deve utilizar a cadeira presidencial, mas prepare-se antes uma outra cadeira fora do presbitério. [TODA CELEBRAÇÃO É FORA DO PRESBITÉRIO (lugar de presbíteros!) - o leigo moderador e os leitores são um entre iguais - E SÓ SOBEM AO AMBÃO PARA AS LEITURAS]
O altar, que é a mesa do sacrifício e do convívio pascal, deve servir apenas para sobre ele colocar o pão consagrado antes da distribuição da Eucaristia.

{A cadeira presidencial da igreja ou capela permanecerá no seu lugar habitual, como símbolo da ausência do pároco.}

[Ritos iniciais]

33. Tenha-se sobretudo presente a possibilidade de celebrar alguma parte da Liturgia das Horas, por exemplo Laudes matutinas ou Vésperas, nas quais podem inserir-se as leituras do domingo.
[ou:]

{A celebração abre com um cântico, que deve ser escolhido de harmonia com o dia, o tempo litúrgico e o momento a que se destina.}
[Inicia-se com o sinal da cruz]. {Para a saudação, pela qual se estabelece o primeiro contacto entre o orientador e a assembleia, propõem-se duas formas: um convite a bendizer o Senhor, ou uma aclamação em honra de Cristo.} [p. ex.: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!]
42. Em aviso inicial, ou noutro momento da celebração, o moderador recorde a comunidade com a qual, naquele domingo, o pároco celebra a Eucaristia e exorte os fiéis a unirem-se a ela em espírito.

{Com o Acto Penitencial, a assembleia predispõe-se e purifica-se para ser acolhida pelo Senhor que lhe vai fazer ouvir a sua Palavra e oferecer-lhe a graça de participar na Comunhão eucarística.} [Pode-se utilizar uma das fórmulas do Missal SEM ABSOLVIÇÃO ou um salmo ou cântico]
[Pode-se fazer a Oração coleta do Missal, desde que não se refira ao sacrifício da Missa. O leigo não deve fazer gestos de sacerdote como abrir ou elevar os braços. Mãos postas ou ao peito.]

[Liturgia da Palavra]

{Na Liturgia da Palavra Deus fala ao seu povo, manifestando-lhe o mistério da salvação, e o povo responde a Deus mediante as aclamações, a Profissão de Fé e a Oração Universal ou dos Fiéis.}
[O leitor sobe ao ambão e inicia a primeira leitura. Como na missa, não precisa dizer "primeira leitura" nem ler comentários; basta iniciar a proclamação: "Leitura do livro..."
O mesmo com o Salmo e segunda leitura, se houver. Convém fazer silêncio entre as leituras, breve, o tempo de sair um leitor e entrar o outro.
O Evangelho pode ser proclamado por qualquer leitor, não necessariamente o dirigente. O LEIGO NÃO FAZ O DIÁLOGO inicial, somente "Proclamação do Evangelho..." e faz o sinal da cruz SOMENTE SOBRE SI, não no livro].

43. Como a homilia é reservada ao sacerdote ou ao diácono, é para desejar que o pároco entregue a homilia por ele antecipadamente preparada ao moderador do grupo, para que a leia. [O bispo ou pároco pode permitir que o leigo faça qualquer reflexão, mas deve-se evitar, para não confundir com o papel da homilia ou fazer com que, às vezes, o povo prefira a "homilia" de tal o tal leigo que a do padre!]

[No domingo reza-se o Credo]

44. A oração universal [oração dos fiéis ou da comunidade] faça-se de acordo com a série das intenções estabelecidas. [Há preces próprias para o dia na Liturgia das horas]. Não se omitam as intenções por toda a diocese, eventualmente propostas pelo bispo. De igual modo, proponha-se com freqüência a intenção pelas vocações às Ordens sacras, pelo bispo e pelo pároco.
 Cursos Católicos

[Ação de graças]

[Esta parte da celebração pode ser feita antes da Comunhão, logo após as preces, ou depois da Comunhão. Ou pode-se adaptar parte antes e parte depois. Há aqui certa liberdade.]

[Modo 1, antes da comunhão]: 45. Antes da oração do Pai-Nosso [logo após as preces], o moderador [ou ministro extraordinário designado] aproxima-se do sacrário ou do lugar onde se encontra a Eucaristia e, feita a genuflexão, depõe a píxide com a sagrada Eucaristia sobre o altar; depois, ajoelhado diante do altar, juntamente com os fiéis, canta o hino, o salmo ou a prece litânica [ladainha], que, neste caso, é dirigida a Cristo presente na santíssima Eucaristia.

No entanto, esta ação de graças não deve ter, de modo nenhum, a forma duma oração eucarística. Não se utilizem os textos do prefácio e da oração eucarística propostos no Missal Romano, e evite-se todo o perigo de confusão.

[Reza-se o Pai nosso, sem o embolismo (livrai de todos os males, ó Pai... Senhor Jesus Cristo que dissestes...). Pode-se fazer o rito da paz, sem a saudação. Não há fração do Pão (Cordeiro de Deus...).

[Modo 2]: Se não há Comunhão, logo após as preces reza-se o Pai nosso e pode-se cantar um hino de louvor (mesmo o Glória a Deus nas alturas), salmo ou hino da Liturgia das horas (Magnificat, etc) ou outro canto que não seja eucarístico.]

[Comunhão]

[Prossegue-se a distribuição da Comunhão, acompanhado de canto, se houver. Não se faz apresentação da Hóstia ("Eis o Cordeiro"). Após a Comunhão, faz-se alguns momentos de silêncio e pode-se fazer a ação de graças conforme o modo 2 acima.]

[Ritos de conclusão]

[Após o avisos, se houver, ]{A celebração encerra-se com  invocação da bênção de Deus e despedida}[NÃO DIZER, se for leigo, "IDE EM PAZ": faça como na Liturgia das horas: "Bendigamos ao Senhor" ou outra fórmula de louvor ou súplica; pode dizer “O Senhor nos abençoe” e fazer o sinal da cruz sobre si próprio e nunca sobre a assembleia]


Baixe aqui o pdf contendo todas as orações e meditações do Rosário em latim/português.

Conteúdo do pdf:

ROSARIUM BEATAE MARIAE VIRGINIS CORONA (Coroa de rosas da Santíssima Virgem Maria)
Signum Crucis - Sinal da Cruz
 Ad Crucem: Credo
Ad grana maiora: Pater noster
Ad grana minora: Ave Maria
Ad finem decadum (No fim de cada dezena): Doxologia Minor: Gloria
Oratio Fatimae: O mi Iesu
 MEDITATIONES ROSARII
Mysteria Gaudiosa, Luminosa, Dolorosa, Gloriosa (Com duas formas de dizer o mistério)
 Orationes ad Finem Rosarii Dicendæ (Orações ditas no fim do Rosário): Salve Regina e oração final.

Como rezar? Basta seguir a estrutura do texto acima. Para aprender a pronúncia do latim eclesiástico, acompanhe com o áudio mp3 abaixo ou o vídeo (que contém legenda). A pronúncia está bem clara para os iniciantes. Quando adquirir fluência e decorar as orações, poderá acelerar ou acompanhar com o áudio do Papa (no modo romano de se recitar, não se reza o Credo nem as ave-marias no início; nós, porém, devemos rezar o Credo no início).

Áudios (MP3) e vídeos:

Credo - Pater noster - 3 Ave Marias - Glória (áudio MP3 / vídeo com legendas)

Mistérios Gozosos (áudio MP3 / vídeo com legendas / áudio youtube com o Papa Bento XVI)

Mistérios Luminosos (áudio MP3 / vídeo com legendas / áudio youtube com o Papa Bento XVI)

Mistérios Dolorosos (áudio MP3 / vídeo com legendas / áudio youtube com o Papa Bento XVI)

Mistérios Gloriosos (áudio MP3 / vídeo com legendas / áudio youtube com o Papa Bento XVI)


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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Todo o texto a seguir é cópia de trechos da Exortação pós-sinodal 
Querida Amazônia
do Papa Francisco, datada de 2 de fevereiro de 2020, publicada em 12 de fevereiro.


Com esta Exortação, quero expressar as ressonâncias que provocou em mim este percurso de diálogo e discernimento. Aqui, não vou desenvolver todas as questões amplamente tratadas no Documento conclusivo; não pretendo substitui-lo nem repeti-lo.
Nesta Exortação, preferi não citar o Documento, convidando a lê-lo integralmente.
7. Sonho com uma Amazónia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida.
Sonho com uma Amazónia que preserve a riqueza cultural que a carateriza e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana.
Sonho com uma Amazónia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche os seus rios e as suas florestas.
Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazónia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazónicos.
Capítulo I
UM SONHO SOCIAL
8. O nosso é o sonho duma Amazónia que integre e promova todos os seus habitantes, para poderem consolidar o «bem viver». Mas impõe-se um grito profético e um árduo empenho em prol dos mais pobres. Pois, apesar do desastre ecológico que a Amazónia está a enfrentar, deve-se notar que «uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres»[1]. Não serve um conservacionismo «que se preocupa com o bioma, porém ignora os povos amazónicos»[2].
14. Às operações económicas, nacionais ou internacionais, que danificam a Amazónia e não respeitam o direito dos povos nativos ao território e sua demarcação, à autodeterminação e ao consentimento prévio, há que rotulá-las com o nome devido: injustiça e crime
Capítulo II
UM SONHO CULTURAL
28. O objetivo é promover a Amazónia; isto, porém, não implica colonizá-la culturalmente, mas fazer de modo que ela própria tire fora o melhor de si mesma. Tal é o sentido da melhor obra educativa: cultivar sem desenraizar, fazer crescer sem enfraquecer a identidade, promover sem invadir. 
37. Por isso, não é minha intenção propor um indigenismo completamente fechado, a-histórico, estático, que se negue a toda e qualquer forma de mestiçagem. Uma cultura pode tornar-se estéril, quando «se fecha em si própria e procura perpetuar formas antiquadas de vida, recusando qualquer mudança e confronto com a verdade do homem»
Capítulo III
UM SONHO ECOLÓGICO
Na Amazónia, compreendem-se melhor as palavras de Bento XVI, quando dizia que, «ao lado da ecologia da natureza, existe uma ecologia que podemos designar “humana”, a qual, por sua vez, requer uma “ecologia social”. E isto requer que a humanidade (…) tome consciência cada vez mais das ligações existentes entre a ecologia natural, ou seja, o respeito pela natureza, e a ecologia humana»[47]. Esta insistência em que «tudo está interligado»[48] vale especialmente para um território como a Amazónia.
51. Para cuidar da Amazónia, é bom conjugar a sabedoria ancestral com os conhecimentos técnicos contemporâneos, mas procurando sempre intervir no território de forma sustentável, preservando ao mesmo tempo o estilo de vida e os sistemas de valores dos habitantes[66]. A estes, especialmente aos povos nativos, cabe receber, para além da formação básica, a informação completa e transparente dos projetos, com a sua amplitude, os seus efeitos e riscos, para poderem confrontar esta informação com os seus interesses e com o próprio conhecimento do local e, assim, dar ou negar o seu consentimento ou então propor alternativas[67].
58. Assim, podemos dar mais um passo e lembrar que uma ecologia integral não se dá por satisfeita com ajustar questões técnicas ou com decisões políticas, jurídicas e sociais. A grande ecologia sempre inclui um aspeto educativo, que provoca o desenvolvimento de novos hábitos nas pessoas e nos grupos humanos. Infelizmente, muitos habitantes da Amazónia adquiriram costumes próprios das grandes cidades, onde já estão muito enraizados o consumismo e a cultura do descarte. Não haverá uma ecologia sã e sustentável, capaz de transformar seja o que for, se não mudarem as pessoas, se não forem incentivadas a adotar outro estilo de vida, menos voraz, mais sereno, mais respeitador, menos ansioso, mais fraterno.
59. De facto, «quanto mais vazio está o coração da pessoa, tanto mais necessita de objetos para comprar, possuir e consumir. Em tal contexto, parece não ser possível, para uma pessoa, aceitar que a realidade lhe assinale limites; (…)
Capítulo IV
UM SONHO ECLESIAL
62. Perante tantas necessidades e angústias que clamam do coração da Amazónia, é possível responder a partir de organizações sociais, recursos técnicos, espaços de debate, programas políticos… e tudo isso pode fazer parte da solução. Mas, como cristãos, não renunciamos à proposta de fé que recebemos do Evangelho. Embora queiramos empenhar-nos lado a lado com todos, não nos envergonhamos de Jesus Cristo. Para quantos O encontraram, vivem na sua amizade e se identificam com a sua mensagem, é inevitável falar d’Ele e levar aos outros a sua proposta de vida nova: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9, 16).
63. A autêntica opção pelos mais pobres e abandonados, ao mesmo tempo que nos impele a libertá-los da miséria material e defender os seus direitos, implica propor-lhes a amizade com o Senhor que os promove e dignifica. Seria triste se recebessem de nós um código de doutrinas ou um imperativo moral, mas não o grande anúncio salvífico, aquele grito missionário que visa o coração e dá sentido a todo o resto. Nem podemos contentar-nos com uma mensagem social. Se dermos a vida por eles, pela justiça e a dignidade que merecem, não podemos ocultar-lhes que o fazemos porque reconhecemos Cristo neles e porque descobrimos a imensa dignidade a eles concedida por Deus Pai que os ama infinitamente.
64. Eles têm direito ao anúncio do Evangelho, sobretudo àquele primeiro anúncio que se chama querigma e «é o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar duma forma ou doutra»
75. Esta inculturação, atendendo à situação de pobreza e abandono de tantos habitantes da Amazónia, deverá necessariamente ter um timbre marcadamente social e caraterizar-se por uma defesa firme dos direitos humanos, fazendo resplandecer o rosto de Cristo que «quis, com ternura especial, identificar-Se com os mais frágeis e pobres». Para isso, é sumamente importante uma adequada formação dos agentes pastorais na doutrina social da Igreja.
76. Ao mesmo tempo, a inculturação do Evangelho na Amazónia deve integrar melhor a dimensão social com a espiritual, para que os mais pobres não tenham necessidade de ir buscar fora da Igreja uma espiritualidade que dê resposta aos anseios da sua dimensão transcendente. Naturalmente, não se trata duma religiosidade alienante ou individualista que faça calar as exigências sociais duma vida mais digna, mas também não se trata de mutilar a dimensão transcendente e espiritual como se bastasse ao ser humano o desenvolvimento material. Isto convida-nos não só a combinar as duas coisas, mas também a ligá-las intimamente. Deste modo resplandecerá a verdadeira beleza do Evangelho, que é plenamente humanizadora, dá plena dignidade às pessoas e aos povos, cumula o coração e a vida inteira.
79. Um verdadeiro missionário procura descobrir as aspirações legítimas que passam através das manifestações religiosas, às vezes imperfeitas, parciais ou equivocadas, e tenta dar-lhes resposta a partir duma espiritualidade inculturada.
Assim, «não fugimos do mundo, nem negamos a natureza, quando queremos encontrar-nos com Deus».[118] Isto permite-nos receber na liturgia muitos elementos próprios da experiência dos indígenas no seu contacto íntimo com a natureza e estimular expressões autóctones em cantos, danças, ritos, gestos e símbolos.
86. É necessário conseguir que o ministério se configure de tal maneira que esteja ao serviço duma maior frequência da celebração da Eucaristia, mesmo nas comunidades mais remotas e escondidas. 
87. O modo de configurar a vida e o exercício do ministério dos sacerdotes não é monolítico, adquirindo matizes diferentes nos vários lugares da terra. Por isso, é importante determinar o que é mais específico do sacerdote, aquilo que não se pode delegar. A resposta está no sacramento da Ordem sacra, que o configura a Cristo sacerdote. E a primeira conclusão é que este caráter exclusivo recebido na Ordem deixa só ele habilitado para presidir à Eucaristia[125] .Esta é a sua função específica, principal e não delegável.
88. O sacerdote é sinal desta Cabeça que derrama a graça, antes de tudo, quando celebra a Eucaristia, fonte e cume de toda a vida cristã[128]. Este é o seu grande poder, que só pode ser recebido no sacramento da Ordem. Por isso, apenas ele pode dizer: «Isto é o meu corpo». Há outras palavras que só ele pode pronunciar: «Eu te absolvo dos teus pecados»; pois o perdão sacramental está ao serviço duma celebração eucarística digna. Nestes dois sacramentos, está o coração da sua identidade exclusiva.
89. Os leigos poderão anunciar a Palavra, ensinar, organizar as suas comunidades, celebrar alguns Sacramentos, buscar várias expressões para a piedade popular e desenvolver os múltiplos dons que o Espírito derrama neles.
90. Esta premente necessidade leva-me a exortar todos os bispos, especialmente os da América Latina, a promover a oração pelas vocações sacerdotais e também a ser mais generosos, levando aqueles que demonstram vocação missionária a optarem pela Amazónia[132]
92. Ora a Eucaristia, como fonte e cume, exige que se desenvolva esta riqueza multiforme. São necessários sacerdotes, mas isto não exclui que ordinariamente os diáconos permanentes – deveriam ser muitos mais na Amazónia –, as religiosas e os próprios leigos assumam responsabilidades importantes em ordem ao crescimento das comunidades e maturem no exercício de tais funções, graças a um adequado acompanhamento.
99. Na Amazónia, há comunidades que se mantiveram e transmitiram a fé durante longo tempo, mesmo decénios, sem que algum sacerdote passasse por lá. Isto foi possível graças à presença de mulheres fortes e generosas, que batizaram, catequizaram, ensinaram a rezar, foram missionárias, certamente chamadas e impelidas pelo Espírito Santo. Durante séculos, as mulheres mantiveram a Igreja de pé nesses lugares com admirável dedicação e fé ardente. No Sínodo, elas mesmas nos comoveram a todos com o seu testemunho.
100. Isto convida-nos a alargar o horizonte para evitar reduzir a nossa compreensão da Igreja a meras estruturas funcionais. Este reducionismo levar-nos-ia a pensar que só se daria às mulheres um status e uma participação maior na Igreja se lhes fosse concedido acesso à Ordem sacra. Mas, na realidade, este horizonte limitaria as perspetivas, levar-nos-ia a clericalizar as mulheres, diminuiria o grande valor do que elas já deram e subtilmente causaria um empobrecimento da sua contribuição indispensável.
103. Numa Igreja sinodal, as mulheres, que de facto realizam um papel central nas comunidades amazónicas, deveriam poder ter acesso a funções e inclusive serviços eclesiais que não requeiram a Ordem sacra e permitam expressar melhor o seu lugar próprio. Convém recordar que tais serviços implicam uma estabilidade, um reconhecimento público e um envio por parte do bispo. Daqui resulta também que as mulheres tenham uma incidência real e efetiva na organização, nas decisões mais importantes e na guia das comunidades, mas sem deixar de o fazer no estilo próprio do seu perfil feminino.
Num verdadeiro espírito de diálogo, nutre-se a capacidade de entender o sentido daquilo que o outro diz e faz, embora não se possa assumi-lo como uma convicção própria. Deste modo torna-se possível ser sincero, sem dissimular o que acreditamos, nem deixar de dialogar, procurar pontos de contacto e sobretudo trabalhar e lutar juntos pelo bem da Amazónia. A força do que une a todos os cristãos tem um valor imenso. Prestamos tanta atenção ao que nos divide que, às vezes, já não apreciamos nem valorizamos o que nos une. E isto que nos une é o que nos permite estar no mundo sem sermos devorados pela imanência terrena, o vazio espiritual, o cómodo egocentrismo, o individualismo consumista e autodestrutivo.
Conclusão
A MÃE DA AMAZÓNIA
111. Depois de partilhar alguns sonhos, exorto todos a avançar por caminhos concretos que permitam transformar a realidade da Amazónia e libertá-la dos males que a afligem. Agora levantemos o olhar para Maria, a Mãe que Cristo nos deixou. E, embora seja a única Mãe de todos, manifesta-Se de distintas maneiras na Amazónia. Sabemos que «os indígenas se encontram vitalmente com Jesus Cristo por muitos caminhos; mas o caminho mariano contribuiu mais que tudo para este encontro»[145]


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

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1. O que é o sacramento da Confissão?
O sacramento da Penitência, ou Reconciliação, ou Confissão, é o sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para apagar os pecados cometidos depois do Batismo.
2. É possível obter o perdão dos pecados mortais sem a confissão?
Depois do Batismo não é possível obter o perdão dos pecados mortais sem a Confissão, embora seja possível antecipar o perdão com a contrição perfeita acompanhada do propósito de confessar-se.
3. O que é a contrição?
É o arrependimento por ter pecado. A contrição é perfeita quando movida pelo amor a Deus, no caso, pela consciência de ter ofendido a Deus com o pecado, quando sinceramente não resta nenhum gosto por aquilo que se fez. É, por exemplo, o arrependimento do filho pródigo, que logo que percebe seu erro exclama: "Pequei contra o céu...". Ele não se arrependeu apenas para voltar a ter os benefícios do antigo lar, mas foi com amor, não se importando em ser recebido como escravo.
Quando a contrição é perfeita, essa espécie de dor na alma faz com que a pessoa deteste o pecado, e faça de tudo para evitar cometê-lo novamente.
Qualquer outro tipo de arrependimento, por exemplo, movido apenas por vergonha, por medo das consequências, é chamado de contrição imperfeita. A contrição imperfeita é movida pelo temor do castigo eterno, pela vergonha pessoal, ou qualquer outro motivo.
4. É necessária a contrição perfeita para se confessar?
Não se exige contrição perfeita para o perdão dos pecados na confissão. Basta a contrição imperfeita.


5. O que se requer para fazer uma boa confissão?
Para fazer uma boa confissão são necessárias quatro etapas: 
a) fazer um cuidadoso exame de consciência (identificar as más obras praticadas: ações, pensamentos ou palavras que me tenham afastado de Deus, com que ofendi ou causei dano aos outros ou a mim mesmo).
b) Arrepender-se dos pecados cometidos e fazer o firme propósito de não voltar a cometê-los (contrição)
c) Dizer os pecados ao sacerdote (confissão), escutar as suas palavras de conselho e receber a absolvição.
d) Cumprir a penitência (satisfação).
6. No exame de consciência e na confissão é necessário dizer todos os pecados?
Dos pecados graves ou mortais é preciso acusar a espécie de pecado e  também o número, ainda que aproximado, porque cada pecado mortal deve ser dito na confissão.
O sacramento da Penitência perdoa todos os pecados, mortais e veniais. Mas os pecados veniais não extinguem a graça, de modo que outras obras penitenciais ou o arrependimento sincero bastam para apagá-los. O pecado mortal, diferentemente, só pode ser apagado na Confissão. Por isso, só é estritamente necessário confessar pecados mortais, embora se recomende confessar também os veniais mais frequentes.
7. O que são pecados mortais e veniais?
Essa divisão é uma valoração dos pecados quanto à gravidade: é mortal quando cometido em matéria grave, advertência plena, consentimento perfeito. É venial quando em matéria leve, com certa advertência e algum consentimento. Explicando melhor: o pecado é venial quando não foi cometido com inteira liberdade ou vontade, em matéria leve. Por exemplo, num acesso de raiva, ou bastante forçado por outras pessoas, de modo difícil de resistir.
8. O que é matéria grave ou leve?
Quando se trata de uma coisa notavelmente contrária à Lei de Deus e da Igreja, a matéria é grave. Não é simplesmente dizer que são as matérias dos Dez Mandamentos: por exemplo, uma distração durante a Missa é uma falta contra o primeiro mandamento, uma desobediência a uma tarefa doméstica dada pelos pais é contra o quarto mandamento, mas são matérias leves.
Mais importante que listar pecados graves e leves é distinguir que o pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Faltando qualquer desses elementos, o pecado é venial. Se há dúvida se é pecado ou quanto à gravidade, provavelmente não é grave.
9. É preciso descrever minuciosamente os pecados ou apenas de modo geral?
Devemos nos acusar de nossos pecados de acordo com a espécie e o número: não basta dizer “pequei contra a castidade”, pois isso seria o gênero do pecado. É preciso dizer a espécie ou tipo do pecado, sem precisar contar detalhes ou contextos, a não ser que seja essencial para valorar o pecado.
Quanto ao número, dizer quantas vezes cometeu aquela espécie de pecado.
10. Se a pessoa esquece um pecado mortal, obtém igualmente o perdão na confissão?
Se a pessoa esquecer um pecado mortal, pode obter igualmente o perdão, mas na confissão seguinte deve confessar o pecado esquecido.
11. Se a pessoa omitir voluntariamente um pecado mortal obtém o perdão dos outros pecados?
Se uma pessoa, por vergonha ou por outros motivos, omite um pecado mortal, não só não obtém nenhum perdão, mas também comete um novo pecado de sacrilégio, o de profanação de uma coisa sagrada.
12. Só tenho consciência de pecados veniais. Então, não preciso confessar?
A Igreja pede que se confesse ao menos uma vez ao ano.
Os pecados veniais abrem caminho para os mortais. É necessário esforçar-se para eliminá-los constantemente, sob o risco de tornar-se cada vez mais insensível à graça. O acúmulo de pecados "leves" pode tornar-se um peso na vida espiritual.
Além disso, a consciência dos pecados não é sempre certa. Não reconhecer pecados graves pode ser sintoma de uma consciência laxa: aquela que com facilidade julga não ser pecado o que realmente o é, ou ser leve o que é grave. Essa consciência já é insensível do remorso dos pecados, ou é farisaica, desprezando os grandes preceitos enquanto dá valor ao que não é tão importante. É preciso remediar esse tipo de consciência com meditação e mais frequente exame de consciência.


** Curso de Moral Fundamental e das Virtudes **

13. Com que frequência devo me confessar?
Sempre que cometer um pecado grave ou quando desejar progredir na graça livrando-se também dos pecados veniais mais persistentes. Como dito acima, no mínimo uma vez ao ano, se não tem consciência de pecados graves.
Muitos santos e diretores espirituais recomendam a confissão mais frequente, às vezes mensal ou semanal, mas é preciso levar em conta o contexto dessa recomendação, pois não pode ser regra para todos. Quem muito busca a confissão sem ter pecados graves pode ter uma consciência escrupulosa: um estado de espírito no qual, com facilidade e por motivos fúteis, se julga má uma ação que não é tal, ou grave uma que é leve; perdeu a capacidade de julgar, sobrecarregando-se de obrigações que não existem. O escrupuloso deve remediar-se confiando mais em Deus e buscando direção espiritual de pessoa douta e prudente.
14. Para a Comunhão frequente não seria necessária a Confissão frequente?
As disposições requeridas para a Comunhão frequente, mesmo cotidiana, são as seguintes:
1°. Não ter pecado mortal consciente.
2°. Ter reta intenção de honrar a Deus e buscar o bem da própria alma.
3°. Muito bom é também que se esteja ausente de pecado venial voluntário e que se busque o desapego dele. Esta última disposição, no entanto, não é estritamente exigida.
É preciso atenção para não cair num jansenismo. Esta heresia sutil ensinava que a Comunhão só convinha aos perfeitos; era um como prêmio da união com Deus, por isso seria necessário confessar o mínimo pecado para comungar. Contra isso, “Ainda que seja de suma conveniência que as pessoas, que comungam frequente e cotidianamente, estejam isentas dos pecados veniais, ao menos plenamente deliberados, e do afeto a eles, é contudo suficiente que estejam livres de pecado mortal, com o propósito de não mais pecar para o futuro; com esse sincero propósito, torna-se impossível que os que comungam diariamente não se livrem pouco a pouco dos pecados veniais e do afeto aos mesmos” (São Pio X, Sacra Tridentina Synodus).
A Eucaristia é o memorial da Paixão. Ora, a Paixão de Cristo tem como fruto a nossa reconciliação com Deus. Aplaca-lhe a justa ira causada pelos nossos pecados. Assim, cada vez que comungamos, (se o fazemos bem dispostos), reconcilia-se Deus conosco e se dispõe a nos conceder maiores favores.
Ora, reconciliar-nos é perdoar-nos. A Eucaristia perdoa, portanto, nossos pecados cotidianos. Não perdoa, ordinariamente, os pecados mortais, pois para perdoar estes foi instituído o Sacramento da Penitência. Mas a Eucaristia perdoa os pecados veniais. E, anormalmente, se o homem em pecado mortal recebesse o Sacramento da Eucaristia estando de boa fé, a união com Cristo importaria na remissão da culpa mortal. (D. Antônio Affonso de Miranda, SDN, Doutrina Eucarística, pelo Congresso Eucarístico internacional, 1955).

15. Existe “confissão comunitária”?
Não. Atualmente, há três ritos do sacramento da penitência:
a)        Rito para a reconciliação de um só penitente: modo habitual de receber o Sacramento.
b)       Rito para a reconciliação de diversos penitentes, com confissão e absolvição individual: junto com o anterior, constitui o único meio ordinário de reconciliação com Deus e com a Igreja.
c)        Rito para a reconciliação de muitos penitentes, com confissão e absolvição geral (impõe-se uma penitência com caráter geral). Está reservado para casos muito excepcionais. Os fiéis que tenham recebido uma absolvição geral estão obrigados a confessar individualmente, quanto antes, os pecados que lhes foram absolvidos. Não se cumpre, deste modo, o preceito de confessar os pecados graves ao menos uma vez por ano.
Note, portanto, que só existe confissão individual.
16. Na prática, como se confessar?
Deve-se fazer o exame de consciência previamente. Pedir em oração a consciência reta dos pecados cometidos desde a última confissão. Sentir dor e arrependimento pelos pecados. Procure um modelo de exame de consciência (existem muitos) e medite sobre ele.
Ao chegar ao confessionário, seguir as orientações do sacerdote. Normalmente ele iniciará o rito com o sinal da cruz, que você faz sobre si. Ele pode te fazer perguntas ou você inicia contando quanto tempo desde a última confissão e enumerando os pecados, segundo a espécie e o número, dos mais graves aos menos graves.
O sacerdote dirá algumas palavras e pedirá que você faça um ato de contrição, que pode ser lido ou espontâneo, como este:
“Meu Deus, porque sois infinitamente bom, pesa-me de vos ter ofendido. Com o auxílio da Vossa graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Amém”.
Segue-se a absolvição do sacerdote, que conterá obrigatoriamente estas palavras: “Eu te absolvo de teus pecados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.”
Lembre-se de cumprir a penitência imposta pelo sacerdote e recolher-se em oração de agradecimento.





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