quinta-feira, 14 de maio de 2020

O conhecido episódio de Jo 21,15-18 que narra a tríplice pergunta de Jesus a Simão Pedro esconde, no original grego, algumas particularidades de difícil tradução.

Todos se lembram do diálogo assim resumido: 
– Pedro, tu me amas?
– Amo.
– Apascenta minhas ovelhas.
(Três vezes.)

Mas não é assim. 
Vejamos o texto na tradução da CNBB, que neste trecho é bastante próximo do original que veremos adiante.


15O PASTOREIO DE PEDRO
Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Cuida dos meus cordeiros”.
16E disse-lhe, pela segunda vez: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta minhas ovelhas”.
17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque lhe perguntou pela terceira vez se o amava. E respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. Jesus disse-lhe: “Cuida das minhas ovelhas.

Perceba que a pergunta de Jesus repete, nas três vezes, o verbo amar. Pedro também responde igualmente com o mesmo verbo.
Já na réplica de Jesus aparecem diferenças: cuida, apascenta, cuida / cordeiros, ovelhas, ovelhas.

Algumas traduções nem isso trazem.
Vejamos, na imagem, o original grego com as diferentes palavras utilizadas e uma tentativa de tradução:
Texto grego de Jo 21,15-18 com tradução dos termos

A questão é: Por que palavras diferentes nas três repetições? O que Jesus ou o evangelista quiseram dizer?

Na parte da pergunta de Jesus e da resposta de Pedro o sentido é bastante claro: Jesus pergunta se Simão Pedro O ama com amor agape, a forma mais desinteressada de amor. Pedro responde que ama com amor philia, amizade. Na terceira vez, Jesus muda a pergunta, fazendo soar algo como: "Simão, tens realmente amizade para comigo?". Então, Pedro se entristece, não porque Jesus perguntou três vezes (como parece, à primeira vista), mas porque se deu conta de que ainda não amava o Senhor suficientemente.  

Quanto à ordem ou missão que Jesus dá a Pedro, na réplica, o sentido de se usar palavras diferentes não é muito claro, tanto que muitos biblistas afirmam que é mais uma questão de estilo do que teológica. Vale lembrar também que todo esse capítulo 21 de São João é tratado como epílogo, obra de um editor posterior (mas muito antigo, pois consta em todos os manuscritos).

Contudo nos parece possível fazer a seguinte reflexão.
Na primeira pergunta Jesus dá uma missão muito próxima, íntima, específica: alimentar cordeiros. Seria cuidar dos mais próximos.
Na segunda, já que Pedro não afirma ter uma grande amor, Jesus generaliza a missão: cuidar (menos específico que alimentar) de um rebanho (maior).
Na terceira, com Pedro consciente da sua limitação, agora plenamente reabilitado da sua tríplice negação (na prisão de Jesus), Jesus manda cuidar de um modo especial (alimentar) de todo o rebanho, não só os mais próximos.

Este episódio parece reforçar a missão especial de São Pedro de ser pastor universal, num nível diferente dos demais apóstolos. O amor a Jesus será medido pelo amor ao seu rebanho.

Apascentar as ovelhas é confirmar os crentes em Cristo para que não se apartem da fé, socorrer suas necessidades, resistir aos contrários e corrigir aos súditos desgarrados. (comentário de Alcuíno na Catena Aurea de S. Tomás de Aquino)

quarta-feira, 18 de março de 2020




Recomendações (normas) do Diretório para celebrações dominicais na ausência do presbítero, (DCDAP) da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Os grifos e o que está entre colchetes são nossos; entre chaves são orientações do Diretório de Évora, Portugal, um dos melhores que encontramos.


 Curso liturgia[A celebração da Palavra é para casos extraordinários]

18. Quando em alguns lugares não for possível celebrar a Missa no domingo, veja-se primeiro se os fiéis não podem deslocar-se à igreja dum lugar mais próximo e participar aí na celebração do mistério eucarístico.
21. É necessário que os fiéis percebam com clareza que tais celebrações têm caráter supletivo, e não venham a considerá-las como a melhor solução das novas dificuldades ou concessão feita à comodidade.

[A celebração da Palavra não se iguala à Missa]

22. Evite-se com cuidado qualquer confusão entre as reuniões deste gênero e a celebração eucarística. Tais reuniões não devem diminuir mas aumentar nos fiéis o desejo de participar na celebração eucarística [Missa] e devem torná-los mais diligentes em frequentá-la.

23. Compreendam os fiéis que não é possível a celebração do sacrifício eucarístico sem o sacerdote e que a comunhão eucarística, que eles podem receber em tais reuniões, está intimamente unida ao sacrifício da Missa. Partindo daqui pode mostrar-se aos fiéis quão necessário é orar "para que se multipliquem os dispensadores dos mistérios de Deus, e sejam perseverantes no seu amor".

[A direção ("presidência") dessas celebrações cabe, em ordem de preferência:
  1. Diácono;
  2. Acólitos e Leitores instituídos (pelo bispo; geralmente seminaristas pouco antes da ordenação);
  3. Outros leigos devidamente preparados e delegados pelo bispo ou pároco.
cf. 29-30 do DCDAP]

31. Os leigos designados devem considerar o múnus que lhes foi confiado não tanto como uma honra, mas principalmente como um encargo, e em primeiro lugar como um serviço em favor dos irmãos, sob a autoridade do pároco.

Como fazer

41. A Conferência Episcopal, ou o próprio bispo, tendo em conta as circunstâncias de lugar e de pessoas, pode determinar melhor a própria celebração, com subsídios preparados pela comissão nacional ou diocesana de Liturgia. Todavia este esquema de celebração [do DCDAP] não se deve modificar sem necessidade. [Por isso, verifique em sua diocese se há um Diretório próprio ou subsídio que deve ser seguido. As orientações a seguir, do DCDAP, servem para todos. A CNBB fez em 1994 um subsídio com orientações - não são determinações ou normas - que dão uma liberdade de adaptação absurda: motivo este que não vamos segui-lo. Queremos orientar, não desorientar!]

39. O leigo que orienta a reunião comporta-se como um entre iguais, como sucede na Liturgia das Horas, quando o ministro é leigo ("O Senhor nos abençoe... ", "Bendigamos ao Senhor... "). Não deve usar as palavras que pertencem ao presbítero ou ao diácono, e deve omitir aqueles ritos, que de modo mais direto lembram a Missa, por exemplo: as saudações [TODOS OS DIÁLOGOS], sobretudo "O Senhor esteja convosco" [NÃO É SÓ TROCAR POR "CONOSCO", É PARA OMITIR] e a forma de despedida ["IDE EM PAZ": faça como na Liturgia das horas: "Bendigamos ao Senhor" ou outra fórmula de louvor ou súplica; pode dizer “O Senhor nos abençoe” e fará o sinal da cruz sobre si próprio e não sobre a assembleia], que fariam parecer o moderador leigo como um ministro sagrado.

40. Deve usar uma veste que não desdiga do ofício que desempenha [ROUPA COMUM, MAS DIGNA], ou vestir aquela que o bispo eventualmente tenha estabelecido.
Não deve utilizar a cadeira presidencial, mas prepare-se antes uma outra cadeira fora do presbitério. [TODA CELEBRAÇÃO É FORA DO PRESBITÉRIO (lugar de presbíteros!) - o leigo moderador e os leitores são um entre iguais - E SÓ SOBEM AO AMBÃO PARA AS LEITURAS]
O altar, que é a mesa do sacrifício e do convívio pascal, deve servir apenas para sobre ele colocar o pão consagrado antes da distribuição da Eucaristia.

{A cadeira presidencial da igreja ou capela permanecerá no seu lugar habitual, como símbolo da ausência do pároco.}

[Ritos iniciais]

33. Tenha-se sobretudo presente a possibilidade de celebrar alguma parte da Liturgia das Horas, por exemplo Laudes matutinas ou Vésperas, nas quais podem inserir-se as leituras do domingo.
[ou:]

{A celebração abre com um cântico, que deve ser escolhido de harmonia com o dia, o tempo litúrgico e o momento a que se destina.}
[Inicia-se com o sinal da cruz]. {Para a saudação, pela qual se estabelece o primeiro contacto entre o orientador e a assembleia, propõem-se duas formas: um convite a bendizer o Senhor, ou uma aclamação em honra de Cristo.} [p. ex.: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!]
42. Em aviso inicial, ou noutro momento da celebração, o moderador recorde a comunidade com a qual, naquele domingo, o pároco celebra a Eucaristia e exorte os fiéis a unirem-se a ela em espírito.

{Com o Acto Penitencial, a assembleia predispõe-se e purifica-se para ser acolhida pelo Senhor que lhe vai fazer ouvir a sua Palavra e oferecer-lhe a graça de participar na Comunhão eucarística.} [Pode-se utilizar uma das fórmulas do Missal SEM ABSOLVIÇÃO ou um salmo ou cântico]
[Pode-se fazer a Oração coleta do Missal, desde que não se refira ao sacrifício da Missa. O leigo não deve fazer gestos de sacerdote como abrir ou elevar os braços. Mãos postas ou ao peito.]

[Liturgia da Palavra]

{Na Liturgia da Palavra Deus fala ao seu povo, manifestando-lhe o mistério da salvação, e o povo responde a Deus mediante as aclamações, a Profissão de Fé e a Oração Universal ou dos Fiéis.}
[O leitor sobe ao ambão e inicia a primeira leitura. Como na missa, não precisa dizer "primeira leitura" nem ler comentários; basta iniciar a proclamação: "Leitura do livro..."
O mesmo com o Salmo e segunda leitura, se houver. Convém fazer silêncio entre as leituras, breve, o tempo de sair um leitor e entrar o outro.
O Evangelho pode ser proclamado por qualquer leitor, não necessariamente o dirigente. O LEIGO NÃO FAZ O DIÁLOGO inicial, somente "Proclamação do Evangelho..." e faz o sinal da cruz SOMENTE SOBRE SI, não no livro].

43. Como a homilia é reservada ao sacerdote ou ao diácono, é para desejar que o pároco entregue a homilia por ele antecipadamente preparada ao moderador do grupo, para que a leia. [O bispo ou pároco pode permitir que o leigo faça qualquer reflexão, mas deve-se evitar, para não confundir com o papel da homilia ou fazer com que, às vezes, o povo prefira a "homilia" de tal o tal leigo que a do padre!]

[No domingo reza-se o Credo]

44. A oração universal [oração dos fiéis ou da comunidade] faça-se de acordo com a série das intenções estabelecidas. [Há preces próprias para o dia na Liturgia das horas]. Não se omitam as intenções por toda a diocese, eventualmente propostas pelo bispo. De igual modo, proponha-se com freqüência a intenção pelas vocações às Ordens sacras, pelo bispo e pelo pároco.
 Cursos Católicos

[Ação de graças]

[Esta parte da celebração pode ser feita antes da Comunhão, logo após as preces, ou depois da Comunhão. Ou pode-se adaptar parte antes e parte depois. Há aqui certa liberdade.]

[Modo 1, antes da comunhão]: 45. Antes da oração do Pai-Nosso [logo após as preces], o moderador [ou ministro extraordinário designado] aproxima-se do sacrário ou do lugar onde se encontra a Eucaristia e, feita a genuflexão, depõe a píxide com a sagrada Eucaristia sobre o altar; depois, ajoelhado diante do altar, juntamente com os fiéis, canta o hino, o salmo ou a prece litânica [ladainha], que, neste caso, é dirigida a Cristo presente na santíssima Eucaristia.

No entanto, esta ação de graças não deve ter, de modo nenhum, a forma duma oração eucarística. Não se utilizem os textos do prefácio e da oração eucarística propostos no Missal Romano, e evite-se todo o perigo de confusão.

[Reza-se o Pai nosso, sem o embolismo (livrai de todos os males, ó Pai... Senhor Jesus Cristo que dissestes...). Pode-se fazer o rito da paz, sem a saudação. Não há fração do Pão (Cordeiro de Deus...).

[Modo 2]: Se não há Comunhão, logo após as preces reza-se o Pai nosso e pode-se cantar um hino de louvor (mesmo o Glória a Deus nas alturas), salmo ou hino da Liturgia das horas (Magnificat, etc) ou outro canto que não seja eucarístico.]

[Comunhão]

[Prossegue-se a distribuição da Comunhão, acompanhado de canto, se houver. Não se faz apresentação da Hóstia ("Eis o Cordeiro"). Após a Comunhão, faz-se alguns momentos de silêncio e pode-se fazer a ação de graças conforme o modo 2 acima.]

[Ritos de conclusão]

[Após o avisos, se houver, ]{A celebração encerra-se com  invocação da bênção de Deus e despedida}[NÃO DIZER, se for leigo, "IDE EM PAZ": faça como na Liturgia das horas: "Bendigamos ao Senhor" ou outra fórmula de louvor ou súplica; pode dizer “O Senhor nos abençoe” e fazer o sinal da cruz sobre si próprio e nunca sobre a assembleia]


Baixe aqui o pdf contendo todas as orações e meditações do Rosário em latim/português.

Conteúdo do pdf:

ROSARIUM BEATAE MARIAE VIRGINIS CORONA (Coroa de rosas da Santíssima Virgem Maria)
Signum Crucis - Sinal da Cruz
 Ad Crucem: Credo
Ad grana maiora: Pater noster
Ad grana minora: Ave Maria
Ad finem decadum (No fim de cada dezena): Doxologia Minor: Gloria
Oratio Fatimae: O mi Iesu
 MEDITATIONES ROSARII
Mysteria Gaudiosa, Luminosa, Dolorosa, Gloriosa (Com duas formas de dizer o mistério)
 Orationes ad Finem Rosarii Dicendæ (Orações ditas no fim do Rosário): Salve Regina e oração final.

Como rezar? Basta seguir a estrutura do texto acima. Para aprender a pronúncia do latim eclesiástico, acompanhe com o áudio mp3 abaixo ou o vídeo (que contém legenda). A pronúncia está bem clara para os iniciantes. Quando adquirir fluência e decorar as orações, poderá acelerar ou acompanhar com o áudio do Papa (no modo romano de se recitar, não se reza o Credo nem as ave-marias no início; nós, porém, devemos rezar o Credo no início).

Áudios (MP3) e vídeos:

Credo - Pater noster - 3 Ave Marias - Glória (áudio MP3 / vídeo com legendas)

Mistérios Gozosos (áudio MP3 / vídeo com legendas / áudio youtube com o Papa Bento XVI)

Mistérios Luminosos (áudio MP3 / vídeo com legendas / áudio youtube com o Papa Bento XVI)

Mistérios Dolorosos (áudio MP3 / vídeo com legendas / áudio youtube com o Papa Bento XVI)

Mistérios Gloriosos (áudio MP3 / vídeo com legendas / áudio youtube com o Papa Bento XVI)


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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Todo o texto a seguir é cópia de trechos da Exortação pós-sinodal 
Querida Amazônia
do Papa Francisco, datada de 2 de fevereiro de 2020, publicada em 12 de fevereiro.


Com esta Exortação, quero expressar as ressonâncias que provocou em mim este percurso de diálogo e discernimento. Aqui, não vou desenvolver todas as questões amplamente tratadas no Documento conclusivo; não pretendo substitui-lo nem repeti-lo.
Nesta Exortação, preferi não citar o Documento, convidando a lê-lo integralmente.
7. Sonho com uma Amazónia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida.
Sonho com uma Amazónia que preserve a riqueza cultural que a carateriza e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana.
Sonho com uma Amazónia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche os seus rios e as suas florestas.
Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazónia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazónicos.
Capítulo I
UM SONHO SOCIAL
8. O nosso é o sonho duma Amazónia que integre e promova todos os seus habitantes, para poderem consolidar o «bem viver». Mas impõe-se um grito profético e um árduo empenho em prol dos mais pobres. Pois, apesar do desastre ecológico que a Amazónia está a enfrentar, deve-se notar que «uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres»[1]. Não serve um conservacionismo «que se preocupa com o bioma, porém ignora os povos amazónicos»[2].
14. Às operações económicas, nacionais ou internacionais, que danificam a Amazónia e não respeitam o direito dos povos nativos ao território e sua demarcação, à autodeterminação e ao consentimento prévio, há que rotulá-las com o nome devido: injustiça e crime
Capítulo II
UM SONHO CULTURAL
28. O objetivo é promover a Amazónia; isto, porém, não implica colonizá-la culturalmente, mas fazer de modo que ela própria tire fora o melhor de si mesma. Tal é o sentido da melhor obra educativa: cultivar sem desenraizar, fazer crescer sem enfraquecer a identidade, promover sem invadir. 
37. Por isso, não é minha intenção propor um indigenismo completamente fechado, a-histórico, estático, que se negue a toda e qualquer forma de mestiçagem. Uma cultura pode tornar-se estéril, quando «se fecha em si própria e procura perpetuar formas antiquadas de vida, recusando qualquer mudança e confronto com a verdade do homem»
Capítulo III
UM SONHO ECOLÓGICO
Na Amazónia, compreendem-se melhor as palavras de Bento XVI, quando dizia que, «ao lado da ecologia da natureza, existe uma ecologia que podemos designar “humana”, a qual, por sua vez, requer uma “ecologia social”. E isto requer que a humanidade (…) tome consciência cada vez mais das ligações existentes entre a ecologia natural, ou seja, o respeito pela natureza, e a ecologia humana»[47]. Esta insistência em que «tudo está interligado»[48] vale especialmente para um território como a Amazónia.
51. Para cuidar da Amazónia, é bom conjugar a sabedoria ancestral com os conhecimentos técnicos contemporâneos, mas procurando sempre intervir no território de forma sustentável, preservando ao mesmo tempo o estilo de vida e os sistemas de valores dos habitantes[66]. A estes, especialmente aos povos nativos, cabe receber, para além da formação básica, a informação completa e transparente dos projetos, com a sua amplitude, os seus efeitos e riscos, para poderem confrontar esta informação com os seus interesses e com o próprio conhecimento do local e, assim, dar ou negar o seu consentimento ou então propor alternativas[67].
58. Assim, podemos dar mais um passo e lembrar que uma ecologia integral não se dá por satisfeita com ajustar questões técnicas ou com decisões políticas, jurídicas e sociais. A grande ecologia sempre inclui um aspeto educativo, que provoca o desenvolvimento de novos hábitos nas pessoas e nos grupos humanos. Infelizmente, muitos habitantes da Amazónia adquiriram costumes próprios das grandes cidades, onde já estão muito enraizados o consumismo e a cultura do descarte. Não haverá uma ecologia sã e sustentável, capaz de transformar seja o que for, se não mudarem as pessoas, se não forem incentivadas a adotar outro estilo de vida, menos voraz, mais sereno, mais respeitador, menos ansioso, mais fraterno.
59. De facto, «quanto mais vazio está o coração da pessoa, tanto mais necessita de objetos para comprar, possuir e consumir. Em tal contexto, parece não ser possível, para uma pessoa, aceitar que a realidade lhe assinale limites; (…)
Capítulo IV
UM SONHO ECLESIAL
62. Perante tantas necessidades e angústias que clamam do coração da Amazónia, é possível responder a partir de organizações sociais, recursos técnicos, espaços de debate, programas políticos… e tudo isso pode fazer parte da solução. Mas, como cristãos, não renunciamos à proposta de fé que recebemos do Evangelho. Embora queiramos empenhar-nos lado a lado com todos, não nos envergonhamos de Jesus Cristo. Para quantos O encontraram, vivem na sua amizade e se identificam com a sua mensagem, é inevitável falar d’Ele e levar aos outros a sua proposta de vida nova: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9, 16).
63. A autêntica opção pelos mais pobres e abandonados, ao mesmo tempo que nos impele a libertá-los da miséria material e defender os seus direitos, implica propor-lhes a amizade com o Senhor que os promove e dignifica. Seria triste se recebessem de nós um código de doutrinas ou um imperativo moral, mas não o grande anúncio salvífico, aquele grito missionário que visa o coração e dá sentido a todo o resto. Nem podemos contentar-nos com uma mensagem social. Se dermos a vida por eles, pela justiça e a dignidade que merecem, não podemos ocultar-lhes que o fazemos porque reconhecemos Cristo neles e porque descobrimos a imensa dignidade a eles concedida por Deus Pai que os ama infinitamente.
64. Eles têm direito ao anúncio do Evangelho, sobretudo àquele primeiro anúncio que se chama querigma e «é o anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar duma forma ou doutra»
75. Esta inculturação, atendendo à situação de pobreza e abandono de tantos habitantes da Amazónia, deverá necessariamente ter um timbre marcadamente social e caraterizar-se por uma defesa firme dos direitos humanos, fazendo resplandecer o rosto de Cristo que «quis, com ternura especial, identificar-Se com os mais frágeis e pobres». Para isso, é sumamente importante uma adequada formação dos agentes pastorais na doutrina social da Igreja.
76. Ao mesmo tempo, a inculturação do Evangelho na Amazónia deve integrar melhor a dimensão social com a espiritual, para que os mais pobres não tenham necessidade de ir buscar fora da Igreja uma espiritualidade que dê resposta aos anseios da sua dimensão transcendente. Naturalmente, não se trata duma religiosidade alienante ou individualista que faça calar as exigências sociais duma vida mais digna, mas também não se trata de mutilar a dimensão transcendente e espiritual como se bastasse ao ser humano o desenvolvimento material. Isto convida-nos não só a combinar as duas coisas, mas também a ligá-las intimamente. Deste modo resplandecerá a verdadeira beleza do Evangelho, que é plenamente humanizadora, dá plena dignidade às pessoas e aos povos, cumula o coração e a vida inteira.
79. Um verdadeiro missionário procura descobrir as aspirações legítimas que passam através das manifestações religiosas, às vezes imperfeitas, parciais ou equivocadas, e tenta dar-lhes resposta a partir duma espiritualidade inculturada.
Assim, «não fugimos do mundo, nem negamos a natureza, quando queremos encontrar-nos com Deus».[118] Isto permite-nos receber na liturgia muitos elementos próprios da experiência dos indígenas no seu contacto íntimo com a natureza e estimular expressões autóctones em cantos, danças, ritos, gestos e símbolos.
86. É necessário conseguir que o ministério se configure de tal maneira que esteja ao serviço duma maior frequência da celebração da Eucaristia, mesmo nas comunidades mais remotas e escondidas. 
87. O modo de configurar a vida e o exercício do ministério dos sacerdotes não é monolítico, adquirindo matizes diferentes nos vários lugares da terra. Por isso, é importante determinar o que é mais específico do sacerdote, aquilo que não se pode delegar. A resposta está no sacramento da Ordem sacra, que o configura a Cristo sacerdote. E a primeira conclusão é que este caráter exclusivo recebido na Ordem deixa só ele habilitado para presidir à Eucaristia[125] .Esta é a sua função específica, principal e não delegável.
88. O sacerdote é sinal desta Cabeça que derrama a graça, antes de tudo, quando celebra a Eucaristia, fonte e cume de toda a vida cristã[128]. Este é o seu grande poder, que só pode ser recebido no sacramento da Ordem. Por isso, apenas ele pode dizer: «Isto é o meu corpo». Há outras palavras que só ele pode pronunciar: «Eu te absolvo dos teus pecados»; pois o perdão sacramental está ao serviço duma celebração eucarística digna. Nestes dois sacramentos, está o coração da sua identidade exclusiva.
89. Os leigos poderão anunciar a Palavra, ensinar, organizar as suas comunidades, celebrar alguns Sacramentos, buscar várias expressões para a piedade popular e desenvolver os múltiplos dons que o Espírito derrama neles.
90. Esta premente necessidade leva-me a exortar todos os bispos, especialmente os da América Latina, a promover a oração pelas vocações sacerdotais e também a ser mais generosos, levando aqueles que demonstram vocação missionária a optarem pela Amazónia[132]
92. Ora a Eucaristia, como fonte e cume, exige que se desenvolva esta riqueza multiforme. São necessários sacerdotes, mas isto não exclui que ordinariamente os diáconos permanentes – deveriam ser muitos mais na Amazónia –, as religiosas e os próprios leigos assumam responsabilidades importantes em ordem ao crescimento das comunidades e maturem no exercício de tais funções, graças a um adequado acompanhamento.
99. Na Amazónia, há comunidades que se mantiveram e transmitiram a fé durante longo tempo, mesmo decénios, sem que algum sacerdote passasse por lá. Isto foi possível graças à presença de mulheres fortes e generosas, que batizaram, catequizaram, ensinaram a rezar, foram missionárias, certamente chamadas e impelidas pelo Espírito Santo. Durante séculos, as mulheres mantiveram a Igreja de pé nesses lugares com admirável dedicação e fé ardente. No Sínodo, elas mesmas nos comoveram a todos com o seu testemunho.
100. Isto convida-nos a alargar o horizonte para evitar reduzir a nossa compreensão da Igreja a meras estruturas funcionais. Este reducionismo levar-nos-ia a pensar que só se daria às mulheres um status e uma participação maior na Igreja se lhes fosse concedido acesso à Ordem sacra. Mas, na realidade, este horizonte limitaria as perspetivas, levar-nos-ia a clericalizar as mulheres, diminuiria o grande valor do que elas já deram e subtilmente causaria um empobrecimento da sua contribuição indispensável.
103. Numa Igreja sinodal, as mulheres, que de facto realizam um papel central nas comunidades amazónicas, deveriam poder ter acesso a funções e inclusive serviços eclesiais que não requeiram a Ordem sacra e permitam expressar melhor o seu lugar próprio. Convém recordar que tais serviços implicam uma estabilidade, um reconhecimento público e um envio por parte do bispo. Daqui resulta também que as mulheres tenham uma incidência real e efetiva na organização, nas decisões mais importantes e na guia das comunidades, mas sem deixar de o fazer no estilo próprio do seu perfil feminino.
Num verdadeiro espírito de diálogo, nutre-se a capacidade de entender o sentido daquilo que o outro diz e faz, embora não se possa assumi-lo como uma convicção própria. Deste modo torna-se possível ser sincero, sem dissimular o que acreditamos, nem deixar de dialogar, procurar pontos de contacto e sobretudo trabalhar e lutar juntos pelo bem da Amazónia. A força do que une a todos os cristãos tem um valor imenso. Prestamos tanta atenção ao que nos divide que, às vezes, já não apreciamos nem valorizamos o que nos une. E isto que nos une é o que nos permite estar no mundo sem sermos devorados pela imanência terrena, o vazio espiritual, o cómodo egocentrismo, o individualismo consumista e autodestrutivo.
Conclusão
A MÃE DA AMAZÓNIA
111. Depois de partilhar alguns sonhos, exorto todos a avançar por caminhos concretos que permitam transformar a realidade da Amazónia e libertá-la dos males que a afligem. Agora levantemos o olhar para Maria, a Mãe que Cristo nos deixou. E, embora seja a única Mãe de todos, manifesta-Se de distintas maneiras na Amazónia. Sabemos que «os indígenas se encontram vitalmente com Jesus Cristo por muitos caminhos; mas o caminho mariano contribuiu mais que tudo para este encontro»[145]


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Baixe aqui a versão em PDF para imprimir em formato folheto duas dobras.


1. O que é o sacramento da Confissão?
O sacramento da Penitência, ou Reconciliação, ou Confissão, é o sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para apagar os pecados cometidos depois do Batismo.
2. É possível obter o perdão dos pecados mortais sem a confissão?
Depois do Batismo não é possível obter o perdão dos pecados mortais sem a Confissão, embora seja possível antecipar o perdão com a contrição perfeita acompanhada do propósito de confessar-se.
3. O que é a contrição?
É o arrependimento por ter pecado. A contrição é perfeita quando movida pelo amor a Deus, no caso, pela consciência de ter ofendido a Deus com o pecado, quando sinceramente não resta nenhum gosto por aquilo que se fez. É, por exemplo, o arrependimento do filho pródigo, que logo que percebe seu erro exclama: "Pequei contra o céu...". Ele não se arrependeu apenas para voltar a ter os benefícios do antigo lar, mas foi com amor, não se importando em ser recebido como escravo.
Quando a contrição é perfeita, essa espécie de dor na alma faz com que a pessoa deteste o pecado, e faça de tudo para evitar cometê-lo novamente.
Qualquer outro tipo de arrependimento, por exemplo, movido apenas por vergonha, por medo das consequências, é chamado de contrição imperfeita. A contrição imperfeita é movida pelo temor do castigo eterno, pela vergonha pessoal, ou qualquer outro motivo.
4. É necessária a contrição perfeita para se confessar?
Não se exige contrição perfeita para o perdão dos pecados na confissão. Basta a contrição imperfeita.


5. O que se requer para fazer uma boa confissão?
Para fazer uma boa confissão são necessárias quatro etapas: 
a) fazer um cuidadoso exame de consciência (identificar as más obras praticadas: ações, pensamentos ou palavras que me tenham afastado de Deus, com que ofendi ou causei dano aos outros ou a mim mesmo).
b) Arrepender-se dos pecados cometidos e fazer o firme propósito de não voltar a cometê-los (contrição)
c) Dizer os pecados ao sacerdote (confissão), escutar as suas palavras de conselho e receber a absolvição.
d) Cumprir a penitência (satisfação).
6. No exame de consciência e na confissão é necessário dizer todos os pecados?
Dos pecados graves ou mortais é preciso acusar a espécie de pecado e  também o número, ainda que aproximado, porque cada pecado mortal deve ser dito na confissão.
O sacramento da Penitência perdoa todos os pecados, mortais e veniais. Mas os pecados veniais não extinguem a graça, de modo que outras obras penitenciais ou o arrependimento sincero bastam para apagá-los. O pecado mortal, diferentemente, só pode ser apagado na Confissão. Por isso, só é estritamente necessário confessar pecados mortais, embora se recomende confessar também os veniais mais frequentes.
7. O que são pecados mortais e veniais?
Essa divisão é uma valoração dos pecados quanto à gravidade: é mortal quando cometido em matéria grave, advertência plena, consentimento perfeito. É venial quando em matéria leve, com certa advertência e algum consentimento. Explicando melhor: o pecado é venial quando não foi cometido com inteira liberdade ou vontade, em matéria leve. Por exemplo, num acesso de raiva, ou bastante forçado por outras pessoas, de modo difícil de resistir.
8. O que é matéria grave ou leve?
Quando se trata de uma coisa notavelmente contrária à Lei de Deus e da Igreja, a matéria é grave. Não é simplesmente dizer que são as matérias dos Dez Mandamentos: por exemplo, uma distração durante a Missa é uma falta contra o primeiro mandamento, uma desobediência a uma tarefa doméstica dada pelos pais é contra o quarto mandamento, mas são matérias leves.
Mais importante que listar pecados graves e leves é distinguir que o pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Faltando qualquer desses elementos, o pecado é venial. Se há dúvida se é pecado ou quanto à gravidade, provavelmente não é grave.
9. É preciso descrever minuciosamente os pecados ou apenas de modo geral?
Devemos nos acusar de nossos pecados de acordo com a espécie e o número: não basta dizer “pequei contra a castidade”, pois isso seria o gênero do pecado. É preciso dizer a espécie ou tipo do pecado, sem precisar contar detalhes ou contextos, a não ser que seja essencial para valorar o pecado.
Quanto ao número, dizer quantas vezes cometeu aquela espécie de pecado.
10. Se a pessoa esquece um pecado mortal, obtém igualmente o perdão na confissão?
Se a pessoa esquecer um pecado mortal, pode obter igualmente o perdão, mas na confissão seguinte deve confessar o pecado esquecido.
11. Se a pessoa omitir voluntariamente um pecado mortal obtém o perdão dos outros pecados?
Se uma pessoa, por vergonha ou por outros motivos, omite um pecado mortal, não só não obtém nenhum perdão, mas também comete um novo pecado de sacrilégio, o de profanação de uma coisa sagrada.
12. Só tenho consciência de pecados veniais. Então, não preciso confessar?
A Igreja pede que se confesse ao menos uma vez ao ano.
Os pecados veniais abrem caminho para os mortais. É necessário esforçar-se para eliminá-los constantemente, sob o risco de tornar-se cada vez mais insensível à graça. O acúmulo de pecados "leves" pode tornar-se um peso na vida espiritual.
Além disso, a consciência dos pecados não é sempre certa. Não reconhecer pecados graves pode ser sintoma de uma consciência laxa: aquela que com facilidade julga não ser pecado o que realmente o é, ou ser leve o que é grave. Essa consciência já é insensível do remorso dos pecados, ou é farisaica, desprezando os grandes preceitos enquanto dá valor ao que não é tão importante. É preciso remediar esse tipo de consciência com meditação e mais frequente exame de consciência.


** Curso de Moral Fundamental e das Virtudes **

13. Com que frequência devo me confessar?
Sempre que cometer um pecado grave ou quando desejar progredir na graça livrando-se também dos pecados veniais mais persistentes. Como dito acima, no mínimo uma vez ao ano, se não tem consciência de pecados graves.
Muitos santos e diretores espirituais recomendam a confissão mais frequente, às vezes mensal ou semanal, mas é preciso levar em conta o contexto dessa recomendação, pois não pode ser regra para todos. Quem muito busca a confissão sem ter pecados graves pode ter uma consciência escrupulosa: um estado de espírito no qual, com facilidade e por motivos fúteis, se julga má uma ação que não é tal, ou grave uma que é leve; perdeu a capacidade de julgar, sobrecarregando-se de obrigações que não existem. O escrupuloso deve remediar-se confiando mais em Deus e buscando direção espiritual de pessoa douta e prudente.
14. Para a Comunhão frequente não seria necessária a Confissão frequente?
As disposições requeridas para a Comunhão frequente, mesmo cotidiana, são as seguintes:
1°. Não ter pecado mortal consciente.
2°. Ter reta intenção de honrar a Deus e buscar o bem da própria alma.
3°. Muito bom é também que se esteja ausente de pecado venial voluntário e que se busque o desapego dele. Esta última disposição, no entanto, não é estritamente exigida.
É preciso atenção para não cair num jansenismo. Esta heresia sutil ensinava que a Comunhão só convinha aos perfeitos; era um como prêmio da união com Deus, por isso seria necessário confessar o mínimo pecado para comungar. Contra isso, “Ainda que seja de suma conveniência que as pessoas, que comungam frequente e cotidianamente, estejam isentas dos pecados veniais, ao menos plenamente deliberados, e do afeto a eles, é contudo suficiente que estejam livres de pecado mortal, com o propósito de não mais pecar para o futuro; com esse sincero propósito, torna-se impossível que os que comungam diariamente não se livrem pouco a pouco dos pecados veniais e do afeto aos mesmos” (São Pio X, Sacra Tridentina Synodus).
A Eucaristia é o memorial da Paixão. Ora, a Paixão de Cristo tem como fruto a nossa reconciliação com Deus. Aplaca-lhe a justa ira causada pelos nossos pecados. Assim, cada vez que comungamos, (se o fazemos bem dispostos), reconcilia-se Deus conosco e se dispõe a nos conceder maiores favores.
Ora, reconciliar-nos é perdoar-nos. A Eucaristia perdoa, portanto, nossos pecados cotidianos. Não perdoa, ordinariamente, os pecados mortais, pois para perdoar estes foi instituído o Sacramento da Penitência. Mas a Eucaristia perdoa os pecados veniais. E, anormalmente, se o homem em pecado mortal recebesse o Sacramento da Eucaristia estando de boa fé, a união com Cristo importaria na remissão da culpa mortal. (D. Antônio Affonso de Miranda, SDN, Doutrina Eucarística, pelo Congresso Eucarístico internacional, 1955).

15. Existe “confissão comunitária”?
Não. Atualmente, há três ritos do sacramento da penitência:
a)        Rito para a reconciliação de um só penitente: modo habitual de receber o Sacramento.
b)       Rito para a reconciliação de diversos penitentes, com confissão e absolvição individual: junto com o anterior, constitui o único meio ordinário de reconciliação com Deus e com a Igreja.
c)        Rito para a reconciliação de muitos penitentes, com confissão e absolvição geral (impõe-se uma penitência com caráter geral). Está reservado para casos muito excepcionais. Os fiéis que tenham recebido uma absolvição geral estão obrigados a confessar individualmente, quanto antes, os pecados que lhes foram absolvidos. Não se cumpre, deste modo, o preceito de confessar os pecados graves ao menos uma vez por ano.
Note, portanto, que só existe confissão individual.
16. Na prática, como se confessar?
Deve-se fazer o exame de consciência previamente. Pedir em oração a consciência reta dos pecados cometidos desde a última confissão. Sentir dor e arrependimento pelos pecados. Procure um modelo de exame de consciência (existem muitos) e medite sobre ele.
Ao chegar ao confessionário, seguir as orientações do sacerdote. Normalmente ele iniciará o rito com o sinal da cruz, que você faz sobre si. Ele pode te fazer perguntas ou você inicia contando quanto tempo desde a última confissão e enumerando os pecados, segundo a espécie e o número, dos mais graves aos menos graves.
O sacerdote dirá algumas palavras e pedirá que você faça um ato de contrição, que pode ser lido ou espontâneo, como este:
“Meu Deus, porque sois infinitamente bom, pesa-me de vos ter ofendido. Com o auxílio da Vossa graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Amém”.
Segue-se a absolvição do sacerdote, que conterá obrigatoriamente estas palavras: “Eu te absolvo de teus pecados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.”
Lembre-se de cumprir a penitência imposta pelo sacerdote e recolher-se em oração de agradecimento.





terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Respondendo a uma dúvida de um aluno nosso do Curso de Iniciação Teológica (www.cursoscatolicos.com.br) de como lidar com seus parentes "Testemunhas de Jeová":
Para nós católicos, o nome "próprio" de Deus não é tão importante. Chamamo-lo de Pai, como Jesus ensinou, ou simplesmente de Deus, que é o termo que traduz o que Ele é segundo nossa limitação humana. Deus não é birrento nem petulante de exigir tratamento por tal ou tal nome: isso seria justamente usar de seu nome em vão.
Conforme nosso artigo, o nome revelado a Moisés não era nem é pronunciado pelos judeus tal qual era escrito, mas inseriam as vogais de Adonay (Senhor) no meio das consoantes de YHWH, ficando YeHoWaH, não para ler Jeová, mas para lembrar de pronunciar Adonay naquele lugar. Por que nós pronunciaríamos assim? Jeová é um nome artificial, sem significado nenhum em hebraico.
As Testemunhas de Jeová não são sequer cristãos. Utilizam uma bíblia própria, adulterada segundo os interesses dos fundadores e "anciãos". Como os protestantes em geral, ignoram a unidade de toda a Sagrada Escritura e baseiam suas crenças em versículos isolados. Quando um outro versículo contradiz, o adulteram ou ignoram.
Sobre as adulterações da bíblia TJ ("Tradução do Novo Mundo"), veja estes artigos:
Sobre sua história e principais erros:
Eles têm treinamento prático e intensivo para suas visitas, ensaiam cada palavra, pergunta e cada folheto que pretendem te dar. São treinados também para responder as principais objeções, e quando são surpreendidos por alguém com algum conhecimento das Escrituras vão querer voltar com um "ancião" ou oferecer um "curso bíblico". Por esses motivos, não é muito frutífero querer debater com eles, mas algumas verdades podem ser jogadas no ar, tenho a devida astúcia de não cair nas armadilhas que têm nas mangas.
Eles não leem nada do que você queira dar-lhes, mas não custa tentar. Encontrei estes folhetos com uma síntese dos seus erros, mas a linguagem é direcionada para a formação do público em geral, não exatamente para entregar aos TJs:

Não custa tentar falar um pouco sobre nossa fé, ao invés de tentar atacar a deles. Aqui temos alguns folhetos nesse sentido (veja a seção de folhetos do nosso blog):
  1. Jesus Cristo mentiu? - fatos sobre a existência de Jesus, dos Evangelhos e da Igreja.
  2. "A Minha Igreja" - sobre a única e verdadeira Igreja de Cristo.
  3. A Bíblia Católica -  sobre as diferenças entre as bíblias católicas e protestantes, a importância da Tradição, os erros de tradução.
  4. Por que não sou protestante? - são sete razões principais. [áudio mp3]
  5. Por que creio na Igreja Católica? - porque temos certezas. 
  6. Só a bíblia basta? - cinco razões porque a bíblia não é autossuficiente.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Revistas, livros, sites e intrometidos em geral gostam de afirmar que a data do Natal é arbitrária ou que foi escolhida para substituir a festa pagã romana do "Sol invictus". Esta parece uma bela coincidência, mas a verdade é que essa festa é posterior (criação do "deus" em 222 d.C., criação do culto em 270 d.C., oficialização do culto no dia 25/12 em 274 d.C.) ao conhecimento da data do Natal. É mais certo que o imperador tenha colocado essa festa justamente para confrontar os cristãos.

Como descobrimos o 25 de dezembro

Temos informações bíblicas e históricas suficientes para intuir que esta data esteja bastante correta.
Partimos da informação da concepção de João Batista:
"Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de ABIAS; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, NA ORDEM DA SUA CLASSE, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume" (Lc 1,5.8-9).
No Primeiro Livro de Crônicas (1Cr 24,1-7.19), está estabelecida a ordem das 24 classes sacerdotais. Junto com outros textos e informações, pesquisadores como Annie Jaubert, Shemarjahu Talmon, Josef Heinrich Friedlieb e outros conseguiram calcular a data desse turno sacerdotal como tendo ocorrido na semana do Dia da Expiação; em nosso calendário, o Dia da Expiação cai em qualquer dia entre 22 de Setembro e 8 de outubro.

Daí se concluiu que o segundo turno de Abias em que serviu Zacarias ocorreu na semana de 24 a 30 de setembro. Somando-se nove meses da gestação, João Batista teria nascido em 24 de junho, conforme tradição antiga da Igreja. Alguns tradições orientais celebram também o anúncio do nascimento de João Batista em 24 de setembro.


Ora, quando o anjo Gabriel apareceu a Maria, em Lucas 1,36, disse que Isabel já estava no sexto mês de gravidez. Logo, se João Batista foi concebido em setembro, seis meses depois, em Março, Maria ficou grávida de Jesus. Precisamente em 25 de março a Igreja desde muito antigamente celebrou a Anunciação. De março a nove meses: 25 de dezembro!



Testemunhos patrísticos

Alguns Padres da Igreja já alegavam que 25 de Dezembro era o nascimento de Cristo antes das datas pagãs. 
Teófilo (115-181 d.C), bispo católico de Cesareia na Palestina:
Devemos comemorar o aniversário de Nosso Senhor; a cada 25 de dezembro isso deve acontecer.” 
Santo Hipólito (170-240) escreveu que o nascimento de Cristo ocorreu em 25 de dezembro:
O Primeiro Advento de nosso Senhor na carne ocorreu quando Ele nasceu em Belém, era 25 de dezembro, uma quarta-feira, enquanto Augustus estava em seu quadragésimo segundo ano, que é de cinco mil e quinhentos anos desde Adão. Ele morreu no trigésimo terceiro ano, 25 de março, sexta-feira, no décimo oitavo ano de Tibério César, enquanto Rufus e Roubellion eram cônsules.” (Comentário sobre Daniel 4, 23)
Santo Agostinho confirma esta tradição de 25 março como a concepção messiânica e 25 de dezembro como o Seu nascimento:
É crido que ele foi concebido no dia 25 de março, dia em que também ele sofreu; de modo que o seio da Virgem, no qual ele foi concebido, onde ninguém dos mortais foi gerado, corresponde à nova sepultura na qual ele foi enterrado, na qual ninguém havia sido posto (Jo 19,41), nem antes nem depois dele. Mas ele nasceu, segundo a tradição, em 25 de dezembro.” (Sobre a Trindade Livro 4,  Capítulo 5)

Objeções

Já indicamos que a festa do Sol Invictus é posterior à data do Natal. Passamos então a outras objeções:

O solstício e as saturnálias

Saturnália era uma festa popular do inverno dos romanos. No entanto, o solstício de inverno cai em 22 de dezembro, e as saturnálias ocorriam de 17 a 23 de dezembro. As datas, portanto, não coincidem com o Natal em 25 de dezembro.
Pastor e ovelhas no inverno em Belém

O inverno e os pastores

Alguns dizem que não poderiam haver pastores nos campos em 25 de dezembro pois era inverno rigoroso. Ora, estão pensando em inverno de Papai Noel. A temperatura em Belém no inverno chega em torno de 10º, perfeitamente suportável, e basta pesquisar (ou ir lá) para ver os pastores e as ovelhas no inverno. 


Conclusão

Fica claro, portanto, que a data de 25 de dezembro não é nada arbitrária, pois é apoiada por dados históricos, bíblicos e pela tradição litúrgica mais antiga da Igreja. 
Percebe-se também que não é uma data absolutamente precisa, pois calculou-se o período de gestação de nove meses exatos, e sabemos que isso não é tão exato assim. A diferença de poucos dias que possa haver não diminui a comemoração, cuja data mais provável e consagrada é o 25 de dezembro.



Referências

Wikipedia. Sol Invicto
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