quinta-feira, 29 de agosto de 2019

1. A Assunção de Nossa Senhora foi definida dogmaticamente em 1950, na CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA PIO XII MUNIFICENTISSIMUS DEUS. O documento é curto e suficiente para entender. Sugiro a leitura. Em resumo: Se Maria foi preservada do pecado original (dogma da imaculada conceição), não poderia estar sujeita à consequência do pecado, a degradação da morte.
2. O corpo físico de Maria foi elevado não só no sentido do movimento físico, mas tal como Jesus ressuscitado teve seu corpo "glorificado", na expressão de São Paulo, assim o foi o de Maria. Na ressurreição da carne a matéria é transformada, de modo que não fica mais restrita ao espaço: Jesus aparecia e desaparecia, atravessada paredes e portas, no entanto comia e se deixava ser tocado. Era um corpo material porém transfigurado. Assim também é o corpo de Maria.
Portanto, não há como dizer "onde" estão esses corpos, já que não mais se prendem às mesmas leis da matéria atual. Estão em algum lugar que um dia saberemos onde é.
Assunção ou Dormição de Nossa Senhora
3. Enoque e Elias não tiveram seus corpos ressuscitados ou assuntos, como o de Jesus e Maria. A tradição judaica diz que foram arrebatados porque ninguém sabe seu paradeiro. Inclusive de Elias há dois relatos: um diz que subiu em uma carruagem de fogo, outro diz que foi em um redemoinho. Isso prova que é apenas uma tradição oral, significando a importância especial daquele profeta. Não há motivo ou base teológica para sustentar que seus corpos estão no céu. Somente Jesus e Maria. E no fim dos tempos, todos nós.
4. A questão do "arrebatamento" não é doutrina católica. Alguns protestantes interpretam literalmente (mal) alguns trechos bíblicos e julgam que haverá um arrebatamento de algumas pessoas. Essa teoria só surgiu no século XIX.
Veja os seguintes trechos de São Paulo e como nós católicos interpretamos:

"Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram. Eis o que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.". I Tes 4,13-18

 "Assim como todos morreram em Adão, assim todos serão vivificados em Cristo". (I Cor. 15,22).
Para ir com Cristo, é preciso morrer primeiro.

Os que serão "arrebatados" morrerão neste arrebatamento, para que possam então renascer e ter a vida eterna. Assim sempre entendeu a Igreja, cuja doutrina se encontra bem expressa nas palavras de S. Ambrósio:
"Nesse arrebatamento sobrevirá a morte. À semelhança de um sono, a alma se desprenderá do corpo, (mas) para voltar ao corpo no mesmo instante. Ao serem arrebatados, morrerão. Chegando, porém, diante do Senhor, novamente receberão suas almas, em virtude da (própria) presença do Senhor; porquanto não pode haver mortos na companhia do Senhor". (Catecismo Romano, I XII 6)".
É semelhante ao que ocorreu com Nossa Senhora. Não se diz que ela não morreu: "a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial" (Munificentissimus Deus, 44). Os orientais chamavam essa morte de Maria de "dormição".
Portanto, somente Nossa Senhora foi "arrebatada". Todos nós outros ressuscitaremos no último dia. Quem estiver vivo nesse dia, passará por uma espécie de morte para ter seu corpo glorificado, ressuscitado.
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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Ainda é do desconhecimento de muitos católicos a doutrina da Igreja sobre a sexualidade humana.
Há quem ignore por completo a existência de exigências morais sobre a sexualidade e a fecundidade, além do "não adulterar".
Outros pensam num extremo oposto, que a doutrina moral da Igreja reconhece o sexo apenas para a procriação, algo que tornaria dificílimo o exercício da sexualidade de um casal.
Em resumo, o ato sexual tem uma dupla finalidade, unitiva e procriativa:
O prazer sexual é moralmente desordenado quando procurado por si mesmo, isolado das finalidades da procriação e da união. (Catecismo, 2351)
Nem toda relação sexual resulta em fecundação, pois a mulher tem um amplo período infértil em cada ciclo ovulatório. Por isso é lícito, bom e desejável que os esposos tenham relações nesses períodos, porque aumentam o afeto entre si e não estão rejeitando o aspecto procriativo, pois este está limitado por um fator natural.
A fecundidade é um dom, uma finalidade do matrimónio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio coração deste dom mútuo, do qual é fruto e complemento. Por isso, a Igreja, que «toma partido pela vida» (112), ensina que «todo o acto matrimonial deve, por si estar aberto à transmissão da vida» (113). «Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, funda-se sobre o nexo indissolúvel estabelecido por Deus e que o homem não pode quebrar por sua iniciativa, entre os dois significados inerentes ao acto conjugal: união e procriação». (Catecismo, 2366)
Para saber mais, leia: Planejamento familiar, controle de natalidade ou paternidade responsável?

Entre os atos moralmente contrários à dignidade da sexualidade humana e ao dom da fecundidade estão os atos que dissociam a procriação do ato sexual (inseminação e fecundação artificial), os métodos contraceptivos (químicos, de barreira, naturais) e a esterilização direta (laqueadura e vasectomia).
É sobre estes últimos que nos deteremos sobre a culpabilidade e a reparação; a sua inadmissibilidade é facilmente verificável, por exemplo:
A regulação dos nascimentos representa um dos aspectos da paternidade e da maternidade responsáveis. A legitimidade das intenções dos esposos não justifica o recurso a meios moralmente inadmissíveis (por exemplo, a esterilização directa ou a contracepção). (Catecismo, 2399)

 Culpabilidade e reparação de uma vasectomia ou laqueadura

Para formar um juízo justo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos, e para orientar a acção pastoral, deverá ter-se em conta a imaturidade afectiva, a força de hábitos contraídos, o estado de angústia e outros factores psíquicos ou sociais que podem atenuar, ou até reduzir ao mínimo, a culpabilidade moral. (Catecismo, 2352, grifos nossos)
Quando a pessoa ou o casal diz que "não sabia" que era pecado a esterilização, se está sendo sincera, fica claro que não tem culpa grave. Às vezes pode haver um outro pecado, que é o de não ter procurado aconselhamento e informação suficiente sobre decisões tão importantes.
Em todo caso, é recomendável que o fato seja confessado sacramentalmente (confissão com um sacerdote), para que se inicie a devida reparação.
Todo pecado exige reparação, nesta vida ou na próxima (purgatório). No caso específico da esterilização, há algumas coisas que poderiam ser feitas, de acordo com cada caso, e de preferência sob orientação de um confessor.

1. Se o casal está em idade fértil e ainda pode ter filhos:
- É desejável fazer a reversão do procedimento.
- Se não há condição financeira para isso, busque outra forma de penitência, talvez uma obra ou atividade em favor das famílias e das crianças.

2. Se o casal já não tem idade fértil ou tenha impedimento grave de saúde:
-  busque uma forma de reparação, talvez uma obra ou atividade em favor das famílias e das crianças.

- Em ambos os casos, busque o casal conhecer a doutrina da Igreja que ignoravam, conheça também conhecimento sobre sexualidade e fecundidade, e busquem a castidade (NÃO É abstinência sexual, mas boa vivência da sexualidade dentro do matrimônio). O casal infértil pode manter a vida sexual para garantir o significado unitivo do ato para o casamento e oferecer seus sacrifícios a Deus e ao próximo.

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Curso Matrimônio, Família e Fecundidade / Curso Moral Fundamental e das Virtudes
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segunda-feira, 22 de julho de 2019

1. O sofrimento não é causado pelo pecado pessoal, mas pelo pecado em geral, isto é, o pecado original, do qual carregamos a marca, não a culpa. Todos sofrem, independente de sua qualidade moral, por causa da solidariedade humana tanto no bem quanto no mal. Cristo, sem pecado, sofreu como ninguém para resgatar a humanidade do próprio pecado, que por si não pode se salvar. Somente Deus pode salvar, embora necessite da colaboração humana por causa da liberdade.



2. O sacramento tem em vista em primeiro lugar à cura espiritual e a salvação da alma. Os desígnios de Deus, insondáveis, podem tirar um bem maior de uma doença melhor do que se a pessoa fosse curada.
Ainda assim, a decadência do corpo humano é natural e inevitável. Só Deus sabe o que é melhor para cada pessoa, embora não possamos dizer que tudo acontece porque Ele quer, mas porque Ele permite ou porque a liberdade humana promoveu.

3. A unção dos enfermos perdoa os pecados do doente oferecendo a salvação (eterna) e, se for a vontade de Deus, também o alívio físico.

O sofrimento humano não é necessário, mas é inevitável. O que cada um pode fazer é unir seu sofrimento ao de Cristo, único capaz de dar a salvação.
Sobre isso, ler a carta Salvifici doloris, do papa João Paulo II, sobre o sofrimento humano.

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domingo, 21 de julho de 2019

Uma indulgência é a extinção da pena temporal dos pecados já perdoados.
A pena dos pecados são suas consequências. Mesmo um pecado já perdoado pode continuar gerando consequências más, que necessitam ser reparadas. A indulgência remove essa pena, de modo que não é preciso mais reparar.

As indulgências são aplicadas/distribuídas pela Igreja, que é a administradora do tesouro dos méritos de Cristo.

Enquanto um tribunal humano poderia indulgenciar um condenado absolvendo-o de cumprir pena, restando apenas acertar as contas com Deus, o tribunal da Igreja absolve das penas eternas pela confissão e das penas temporais pelas indulgências.As indulgências só podem ser obtidas em vida, através de boas obras, para si mesmas ou para os defuntos, que não podem mais fazer qualquer obra. Por isso os vivos podem obter indulgências para os mortos.

A pena é proporcional à gravidade dos pecados.

As indulgências não são um processo interior, são graças, é a misericórdia de Deus, os méritos do sacrifício de Cristo, que são infinitos. Somente Cristo, Deus e homem inocente, poderia pagar as ofensas feitas a Deus, que são infinitas, pois Deus é infinita bondade. Os poucos méritos pessoais que nós temos só tem valor pois foram assumidos por Cristo que se fez homem.

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sábado, 20 de julho de 2019

O arrependimento ou contrição é perfeito quando movido pelo amor a Deus, no caso, pela consciência de ter ofendido a Deus com o pecado, quando sinceramente não resta nenhum gosto por aquilo que se fez. É, por exemplo, o arrependimento do filho pródigo, que logo que percebe seu erro exclama: "Pequei contra o céu...". Ele não se arrependeu apenas para voltar a ter os benefícios do antigo lar, mas foi com amor, não se importando em ser recebido como escravo.

Quando a contrição é perfeita, essa espécie de dor na alma faz com que a pessoa deteste o pecado, e faça de tudo para evitar cometê-lo novamente.

Esse tipo de arrependimento, por si, já alcança o perdão de Deus.

Qualquer outro tipo de arrependimento, por exemplo, movido apenas por vergonha, por medo das consequências, é chamado de contrição imperfeita.

A contrição imperfeita é movida pelo temor do castigo eterno, pela vergonha pessoal, ou qualquer outro motivo.

Não se exige contrição perfeita para o perdão dos pecados na confissão.  

A contrição perfeita é derivada de um amor puríssimo a Deus, um arrependimento profundo que brota do amor a Deus sobre todas as coisas, do desejo de reparar a ofensa feita à sua Bondade. Dizem os santos que esta contrição é raríssima.


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sexta-feira, 19 de julho de 2019

O pecado é venial quando não foi cometido com inteira liberdade ou vontade, em matéria leve. Por exemplo, num acesso de raiva, ou bastante forçado por outras pessoas, de modo difícil de resistir.

O sacramento da Penitência perdoa todos os pecados, mortais e veniais. Mas os pecados veniais não extinguem a graça, de modo que outras obras penitenciais ou o arrependimento sincero bastam para apagá-los. O pecado mortal, diferentemente, só pode ser apagado na Confissão. Por isso, só é estritamente necessário confessar pecados mortais, embora se recomende confessar também os
veniais.

Os pecados veniais abrem caminho para os mortais. É necessário esforçar-se para eliminá-los constantemente, sob o risco de tornar-se cada vez mais insensível à graça. O acúmulo de pecados "leves" pode tornar-se um peso na vida espiritual.

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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Os dons preternaturais ampliavam ou prolongavam as perfeições da natureza. Tais eram:

a) a imortalidade ou o poder não morrer, pois em Gn 2,7; 3,3s.19; Sb 2,14; Rm 5,12, a morte é apresentada como consequência do pecado. Isto significa que, antes do pecado, o homem não morreria dolorosa e violentamente como hoje morre;

b) a integridade ou a imunidade de concupiscência desregrada, visto que os primeiros pais antes do pecado não se envergonhavam da sua nudez (cf. Gn 2,25; 3,7-11); os seus instintos e afetos estavam em consonância com a razão e a fé; não havia neles tendências contraditórias;

c) a impassibilidade ou a ausência de sofrimentos, pois estes decorrem da sentença condenatória de Gn 3,16; além do quê, são precursores naturais da morte violenta que, de algum modo, afeta todo homem;

d) a ciência moral infusa, que tornava os primeiros homens aptos a assumir suas responsabilidades diante de Deus.


O batismo não devolve estes dons, pois os efeitos do pecado permanecem. Só teremos novamente este dons após esta vida, e definitivamente na ressurreição final.

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