Vivemos tempos em que o absurdo deixou de ser exceção e passou a ser regra. O que antes causava espanto — a inversão de valores, a distorção da justiça, a manipulação da linguagem — agora é tratado com naturalidade, como se fosse parte inevitável do progresso. Mas será mesmo progresso? Ou estamos diante de uma regressão moral disfarçada de "democracia"?
A normalização do absurdo é o sintoma de uma sociedade que perdeu o senso da verdade. E essa perda não é acidental: ela é fruto de um projeto ideológico que mina os fundamentos da civilização cristã.
Certas ideologias modernas operam por meio de uma lógica perversa: a dialética do “nós contra eles”. Essa visão de mundo transforma o outro em inimigo, alimenta o ressentimento e promove a vingança como forma de justiça. O sofrimento é instrumentalizado, e a inveja é travestida de virtude revolucionária.
A fé cristã, ao contrário, propõe a reconciliação. Todos são irmãos, filhos do mesmo Pai. A justiça não é vingança, é ordem moral. A caridade não é sentimentalismo, é ação transformadora. A Doutrina Social da Igreja oferece princípios sólidos — dignidade da pessoa humana, solidariedade, subsidiariedade — que apontam para uma sociedade justa sem recorrer ao ódio.
O avanço do Direito principialista, que privilegia princípios vagos em detrimento da lei positiva, abriu espaço para interpretações subjetivas que distorcem até mesmo a Constituição. Juízes se tornam intérpretes da própria moral, não da justiça objetiva, atuando como agentes políticos em vez de guardar a lei; violam o devido processo legal e normalizam a censura e a perseguição "em defesa da democracia". A segurança jurídica é corroída, e a verdade legal se torna fluida, moldada por interesses ideológicos.
A tradição cristã ensina que há uma lei natural, inscrita na razão humana, que deve orientar o Direito. Quando essa lei é ignorada, o Direito se torna ferramenta de poder, não de justiça.
A mídia, que deveria informar, muitas vezes deforma. Narrativas são construídas com recortes seletivos, omissões estratégicas e linguagem emocional. A verdade é instrumentalizada para favorecer agendas políticas, econômicas ou ideológicas. As mentiras descaradas diuturnas de poderosos são tratadas com complacência pela imprensa. Também são coniventes e alimentam o mal quando fazem vista grossa a crimes cometidos por aliados ideológicos, ao passo que meras opiniões da oposição são noticiados como "discurso de ódio". O resultado? Uma sociedade desorientada, onde o falso se torna plausível e o verdadeiro, inconveniente.
Como disse São João Paulo II, e sempre repetido por seus sucessores: não há paz sem justiça, não há justiça sem perdão, sem verdade. A manipulação midiática é uma forma sutil e eficaz de normalizar o absurdo.
Diante desse cenário, a resposta não pode ser o silêncio. O cristão é chamado a ser sal da terra e luz do mundo, mesmo que isso implique perseguição. A verdade não é construída, é revelada. A justiça não é vingança, é restauração. A caridade não é passividade, é resistência ativa ao mal.
A normalização do absurdo só será vencida quando recuperarmos o senso da verdade — não a verdade conveniente, mas a verdade que liberta. E essa verdade tem um nome: Jesus Cristo.