segunda-feira, 1 de julho de 2013


A origem dos escapulários

Originariamente, escapulário era uma espécie de avental que caía na frente e atrás pelos ombros (Scapulae), usado sobre a roupa comum, sobretudo por criados ou funcionários de palácios, instituições etc. A cor, ou certos desenhos nele bordados, indicavam a quem serviam. Na regra de São Bento, datada do século VI, esta já fala de um «escapulário» para o uso durante o trabalho dos monges.
A imposição nas formas de profissão monástica, se deu gradualmente sendo hoje parte integrante de quase todos os hábitos religiosos. Tornou-se usual também para as Ordens Terceiras (leigos consagrados) portar sobre as vestes um escapulário de tamanho considerável, do mesmo tecido que o das ordens primeiras. Para muitos leigos que por motivos diversos não poderiam ingressar nas Ordens Terceiras foram fundadas as confrarias. Os confrades participavam dos bens espirituais das Ordens a que estavam ligados, mas não tinham votos. A confraria de Nossa Senhora do Carmo é a mais antiga (1280).
      Para essas confrarias, surgiu então uma miniatura do escapulário dos religiosos, seus confrades deveriam portá-lo continuamente.
     Finalmente, várias Ordens religiosas receberam da Igreja a faculdade de benzer pequenos escapulários e impô-los aos fiéis, independente de estarem os fiéis ligados ou não a confrarias.

O escapulário do Carmo

A Ordem do Carmo remonta, segundo antiga tradição, aos Profetas Elias, Eliseu e seus discípulos, estabelecidos no Monte Carmelo, na Palestina. De acordo com essa tradição, eles já veneravam Aquela que viria a ser Mãe do Redentor, simbolizada pela nuvenzinha que apareceu quando Elias pedia o fim da seca que assolava a Palestina (cfr. 1Reis 18, 41-45), e da qual caiu a chuva bendita que revivesceu a terra.
Esses eremitas, que viviam em pequenos eremitérios, ter-se-iam sucedido através das gerações até que, na Idade Média, quando os muçulmanos conquistaram a Terra Santa, tiveram que fugir para a Europa. Lá não foram muito bem recebidos pelas outras ordens mendicantes que já existiam. Por isso encontraram grandes dificuldades, passando até pelo risco de extinção.
Foi nessa ocasião que o carmelita inglês Simão Stock, homem penitente e de muita santidade, foi eleito Superior Geral. Angustiado com a situação em que se encontravam os carmelitas, começou a suplicar incessantemente a Nossa Senhora que protegesse sua Ordem.
Exatamente no dia 16 de Julho de 1251, quando o Santo rezava mais fervorosamente em seu convento de Cambridge (Inglaterra), apareceu-lhe a Mãe de Deus revestida do hábito carmelitano, portando o Menino Jesus e apresentando-lhe um escapulário.
"Recebe, caríssimo filho," disse Ela, "este Escapulário da tua Ordem, sinal de minha confraternidade, privilégio para ti e para todos os carmelitas. Todo aquele que morrer com ele revestido, não arderá nas chamas do Inferno. Ele é, pois, um sinal de salvação, uma segurança de paz e de eterna aliança". É a primeira Promessa, chamada "Grande Promessa".*
Quando se tornou pública essa prova de predileção da Santíssima Virgem em relação à Ordem Carmelita, esta começou a florescer.
No século seguinte, em 1314, a Mãe de Deus apareceu novamente, desta vez ao Papa João XXII, confirmando sua especial proteção aos que usassem o escapulário, e prometendo ainda que os livraria do purgatório no primeiro sábado após a morte. É a segunda Promessa, chamada "Privilégio Sabatino".
Isso levou Pontífices, Monarcas, religiosos de outras Ordens e pessoas de todas as condições a querer participar desse privilégio, recebendo o escapulário como um símbolo de devoção a Maria e de Sua salvaguarda contra os inimigos da alma e do corpo. Pio XII chegou a afirmar, em carta aos carmelitas em preparação para o sétimo centenário da entrega do Escapulário a São Simão Stock que, dentre as devoções exteriores à Mãe de Deus, "devemos colocar em primeiro lugar a devoção ao Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, e pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os féis cristãos".
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* Como todas as aparições, não são de fé obrigatória para o católico. Há quem tenha colocado em dúvida o teor das mensagens das aparições, como sendo textos posteriores. Isso é possível. Mesmo as aparições não precisam ser cridas. Porém, a devoção e seus efeitos foram aprovados pela Igreja por diversos papas, pois não há erro de doutrina e é muito útil para a salvação das almas.

 Privilégios concedidos

Podemos dividir os privilégios ligados ao escapulário do Carmo em duas partes:
1 - morte em estado de graça para aqueles que o tiverem trazido piedosamente durante a vida e com ele morrido (promessa a São Simão Stock);
2 - o chamado "Privilégio Sabatino". Nossa Senhora tiraria do Purgatório no primeiro sábado após a morte (promessa ao Papa João XXII):
a - os que tiverem trazido piedosamente o escapulário e com ele morrido;
b - tivessem guardado com esmero a castidade segundo seu estado;
c - tivessem rezado diariamente o Ofício Menor de Nossa Senhora ou as orações prescritas pelo sacerdote que impôs o escapulário; a prática que geralmente era imposta, era a recitação dos Sete Pai-Nossos, Ave-Marias e Glória em louvor das Sete Alegrias de Nossa Senhora, mais jejuns prescritos. Note-se que o uso do Escapulário exige no mínimo a oração de três Ave-Marias em honra a Nossa Senhora do Carmo.

Indulgências:

Eis aqui as indulgências plenárias e parciais para os que vestirem o escapulário.
A).- Indulgências plenárias.-
1. O dia que se impõe o escapulário e o que é inscrito na terceira Ordem ou Confraria.
2. Nestas festas:
a) Virgem do Carmo (16 de Julho ou quando se celebre);
b) São Simão Stock (16 de maio);
c) Santo Elias Profeta (20 de Julho);
d) Santa Teresa de Jesus (15 de Outubro),
e) Santa Teresa do Menino Jesus (1 de outubro);
f) São João da Cruz (14 de Dezembro);
g) Todos os Santos Carmelitas (14 de Novembro).
B).- Indulgências Plenária no dia do Carmo.- O dia do Carmo, 16 de Julho, ou na data em que exatamente se celebre, tem concebida uma indulgência plenária.
C).- Indulgência parcial.- ganha-se a indulgência parcial por usar piedosamente o santo escapulário. Pode-se ganhar não só por beijá-lo, mas também por qualquer outro ato de efeito e devoção. E não só ao escapulário, mas também à medalha-escapulário.

Quais são as condições para se merecer esses privilégios?

É preciso receber o escapulário de um sacerdote que tenha autoridade para impô-lo e portá-lo piedosamente até a hora da morte. Até mesmo aos pecadores pode ser imposto! Ser-lhes-á um grande penhor de conversão.

Algumas observações práticas

O escapulário deve ser de tecido de pura lã, marrom. Não pode assim ser de feltro, algodão ou de tecidos sintéticos. O cordão, entretanto, pode ser de outro tecido e cor.
Somente o primeiro escapulário que se recebe deve ser bento por um sacerdote com poder para isso. Os outros, não. A pessoa mesmo pode fazê-lo e colocá-lo ao pescoço sem necessidade de mandar benzê-lo. Porém, ao contrário do que se dá com o escapulário de lã, no qual basta só o primeiro ser bento, cada medalha-escapulário que se troca precisa ser benta.
Ele deve ser usado ao pescoço de maneira que parte caia sobre o peito, e parte sobre as costas. "O Escapulário no bolso nada vale e não protege" afirmava Pio XII. Aqueles que tenham alergia a lã ou outro inconveniente para usar o escapulário, poderão usar uma medalha benta correspondente, mas após ter-lhe sido imposto o escapulário de lã (privilégio concedido pelo Papa São Pio X em dezembro de 1910). Mas, o mesmo Santo Pontífice recomendava a todos os fiéis a continuar usando o Escapulário de lã, como foi revelado por Nossa Senhora.

"Penhor e sinal de salvação"

O escapulário representa um grande tesouro, como afirmou o Papa Pio XII: "Não é coisa de pequena importância procurar-se a aquisição da vida eterna, segundo a tradicional promessa da Virgem Santíssima; trata-se, com efeito, da empresa mais importante e do modo mais seguro de a levar a cabo".
Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, não só o trazia consigo, como o louva em seus livros e o recomendava a todos como sinal de santidade e fortaleza. Dizia que, quando somos tentados, devemos apertar o santo escapulário com as mãos para que o demônio deixe de nos atormentar.
E o Beato Cláudio de la Colombière, confessor de Santa Margarida Maria Alacquoque, confidente do Sagrado Coração de Jesus, afirmava:
"Creio que às vantagens que se atribuem aos devotos de Maria, se podem acrescentar outras mais notáveis em favor dos confrades do Carmo, que são todos os que usam o escapulário. E prosseguia: "Não; não basta dizer que o Escapulário é um sinal de salvação. Eu estou certo de que não há outro que faça nossa predestinação tão certa como este do Escapulário, e sob o qual nos devemos acolher com o maior zelo e "constância".
Este "sinal certo de salvação", passaporte seguro para o Céu, não pode prestar-se a abusos? Infelizmente sim, como todas as coisas neste nosso vale de lágrimas. Por isso o mesmo Papa Pio XII alertava:
"Não julgue quem o usar que pode conseguir a vida eterna abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual".
Quantos casos houve de pessoas que, abusando dessa promessa, levavam uma vida depravada, gabando-se de que se salvariam porque usavam o escapulário, e que, no momento da morte o tiveram arrancado do pescoço por algum acidente ou por si próprios nos estertores da agonia!
Entretanto, se ele não é passaporte infalível para quem o usa indignamente e com presunção, pode servir de grande meio de conversão, movendo almas empedernidas ao arrependimento e ao amor de Deus. Conta-se de conversões obtidas na hora da morte unicamente ao impor-se ao moribundo o escapulário do Carmo.
Tenha-se sempre presente o tradicional ensinamento da Santa Igreja: o Escapulário não é um sinal de proteção mágica ou amuleto da sorte; não é garantia automática de salvação; nem dispensa de cumprir as exigências da vida cristã, evitar o pecado e observar os Mandamentos.

IMPOSIÇÃO DO ESCAPULÁRIO POR UM SACERDOTE

- Senhor Jesus Cristo, Salvador dos homens, † abençoai este hábito de Nossa Senhora de Carmo, que, como sinal de Consagração a Maria, vai ser imposto ao vosso servo, para que pela intercessão de Maria Santíssima, possa alcançar maior plenitude de graça.

(Asperge o Escapulário com água benta)

[IMPOSIÇÃO:] - Recebe este santo hábito para que, trazendo-o com devoção, te defenda do mal, e te conduza à vida eterna. - Amém.

(Coloca-o ao pescoço de cada pessoa)

- Participas desde este momento de todos os bens espirituais, de que gozam os religiosos do Carmo, em Nome do Pai † e do Filho e do Espírito Santo.

- Amém.
- O Senhor que se dignou admitir-te entre os confrades do Carmo, † te abençoe; e mediante este sinal de Consagração, te faça forte na luta desta vida, e te conduza à felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

- Amém.

(Asperge o Confrade com água benta)


Referências:

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2 comentários :

  1. Mrtyria, e quanto a outras congregações que vestem hábitos e escapulários de cores diferentes do marrom, descumprem os pré-requisitos e estão exclusos das graças prometidas por Nsa Sra?

    Grata,
    Cibeli S.N.
    Vila Velha/ES.

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    1. Esta é uma devoção própria dos carmelitas, as outras ordens podem ter outras devoções e graças anexas, mas especificamente estas descritas, são próprias do uso do escapulário carmelitano.
      Outra devoção parecida, enriquecida de promessas, é a da medalha milagrosa (Nossa Senhora das Graças).

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