quarta-feira, 12 de junho de 2019



Uma boa preparação para os sacramentos, todos eles, passa por três etapas diferentes, mas que na prática costumam ser negligenciadas. A maioria das pessoas procura saber sobre os sacramentos na última hora, restando apenas a etapa ou preparação imediata, ficando para trás a preparação próxima e a remota.

Os "cursos de noivos" são, geralmente, a preparação imediata, já às portas da celebração do matrimônio.

A meu ver, as mais importantes e mais negligenciadas são as preparações remota e próxima. Mais importante por um dado bastante concreto: a preparação imediata acontece já durante o noivado, isto é, o casal já se prometeu em matrimônio. Qualquer engano ou impedimento ao matrimônio dificilmente será retirado, ocultando-se graves problemas em vista da consecução do prometido. Casarão a qualquer custo, mesmo sob mentiras ou ocultações.

Mas este ainda não é o erro que quero mostrar. Já existem paróquias que fazem uma preparação próxima e imediata em vários encontros, não mais em um "cursinho" de um ou dois dias, geralmente encarado como exigência burocrática e de fato pouco proveitosa, quando não desastrosa por falta de preparação dos catequistas. O modelo de preparação em vários encontros consegue passar melhor tudo aquilo que é o mínimo desejado e pedido pelos setores da Igreja responsáveis pela catequese da família.

O erro que quero chamar a atenção é a ausência total ou falta de ênfase para um aspecto da vida espiritual da família a se constituir que é essencial: a iniciação cristã dos filhos, que começa no Batismo.

O casal sai da preparação do matrimônio com a cabeça na celebração, às vezes com alguma ideia da vida matrimonial pós-celebração, mas não têm pouca ou nenhuma noção da importância do batismo dos seus futuros filhos. E aqui começa uma bola de neve de uma vida de Igreja descuidada, pois sempre se lembra de preparar os sacramentos às pressas.

Quando nasce o primeiro filho, passam-se meses envolvidos no cuidado essencial do recém-nascido, e quando sobra um tempo, quando baixa a poeira ou quando alguém lembra, vão pensar no batizado. Nessa altura já tem um padrinho e uma madrinha escolhidos, não os melhores, mas os que mais agradam os interesses dos pais. Vão procurar saber dos "procedimentos" para o batismo e se deparam com "dificuldades": não tem a data exclusiva que eles querem, os padrinhos não podem ser padrinhos, não tem tempo para preparação, etc. Quem sabe eles pudessem ter se preparado durante a gravidez? Quando nascer a criança já pode ser batizada de imediato.

Parece que a solução pastoral não só em vista de uma melhor preparação para o matrimônio, mas também para a vida cristã no seu todo, é uma catequese mais preventiva ou por antecipação. Não é justo cobrar de jovens noivos uma plena consciência do que seja o matrimônio se isto não lhes foi oferecido antes que se enamorassem. Não é justo cobrar a participação das crianças na vida da Igreja se isto não lhes foi ensinado na família. Não é justo cobrar dos esposos a educação cristã de seus filhos se isto não compreenderam e prometeram quando se casaram.

Na prática, penso que o "curso de batismo" deve ser dado na preparação para o matrimônio; o "curso de noivos" deve ser dado aos jovens, desde a catequese para crisma; a catequese da crisma deve ser dada na preparação imediata da primeira Comunhão; a preparação para a Comunhão deve iniciar na preparação para o Batismo; o "curso de batismo" deve ser dado na preparação para o matrimônio...


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 Curso Matrimônio, Família e Fecundidade
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